fev
17
2009
Noite passada tive um pesadelo,
onde um lobo e um corvo negro juntos
montavam guarda junto a meu túmulo
posto no alto de uma colina fria.
Pouco além, a oeste da laje branca,
duas árvores altas cresceram entrelaçadas:
a primeira era verdejante e coberta de musgo
e a segunda, cinzenta e estéril.
Fato mais surpreendente no entanto,
a imensidão de pequenas gaiolas penduradas
que continham as mais variadas fadas e sprites.
Umas debatiam-se, outras há muito silenciaram,
sabe-se aguardando um fim ainda vindouro
ou velando uma alma outrora derrotada?
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fev
12
2009
Foi numa noite fria de início de inverno que senti sua presença novamente. Pouco a pouco, surgindo dentre as sombras ela tocou meu ombro e se aninhou a ele, respousando os cabelos junto ao meu rosto. Junto a ela, uma suave radiância aqueceu-me, desfazendo todo a frigidez da noite que iniciava.
Vinha trajada para o combate, espada junto a bainha e coração disposto. O prêmio não era alto, tampouco íntegro, mas ela o desejava com coragem jamais igualada. Eu havia erguido defesas cruéis, ferrões e couraça em defesa de meu peito ferido.
Aproximei-me do abismo cambaleante, evitando que minhas farpas a sangrassem; mas ela se agarrou a mim, um espinho perfurando-lhe o peito. As palavras faltaram-nos enquanto caíamos sob as estrelas e antes que eu pudesse chegar ao chão ela se interpôs e me resgatou num beijo.
Luar acima e campos abaixo; os elísios carregaram nossas almas ao longe, num vôo impossível de ser detido.
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