Resgate
Foi numa noite fria de início de inverno que senti sua presença novamente. Pouco a pouco, surgindo dentre as sombras ela tocou meu ombro e se aninhou a ele, respousando os cabelos junto ao meu rosto. Junto a ela, uma suave radiância aqueceu-me, desfazendo todo a frigidez da noite que iniciava.
Vinha trajada para o combate, espada junto a bainha e coração disposto. O prêmio não era alto, tampouco íntegro, mas ela o desejava com coragem jamais igualada. Eu havia erguido defesas cruéis, ferrões e couraça em defesa de meu peito ferido.
Aproximei-me do abismo cambaleante, evitando que minhas farpas a sangrassem; mas ela se agarrou a mim, um espinho perfurando-lhe o peito. As palavras faltaram-nos enquanto caíamos sob as estrelas e antes que eu pudesse chegar ao chão ela se interpôs e me resgatou num beijo.
Luar acima e campos abaixo; os elísios carregaram nossas almas ao longe, num vôo impossível de ser detido.
abril 17th, 2009 em 11:27
Nada que eu possa dizer será sufiente.
Eu te amo.