A Æthelflæd

… Eu havia escapado de Alfredo e sentia apenas alívio pela liberdade encontrada, mas agora sua filha me convocava. E Pyrlig estava certo. Alguns juramentos são feitos com amor, e esses não podemos voltar.

Durante todo o inverno eu havia me sentido como um timoneiro em meio ao nevoeiro, levado pela maré a lugar nenhum, soprado pelo vento a nenhum porto, perdido, mas agora era como se a névoa sumisse. O destino havia me mostrado o marco que eu procurava, e se não era o marco que eu desejava, mesmo assim dava direção ao meu navio.

Eu havia mesmo jurado a Æthelflæd. Praticamente toda promessa que fizera a seu pai me fora arrancada, às vezes à força, mas o mesmo acontecera com o juramento que fizera a Æthelflæd. A promessa de servi-la fora o preço para ela me dar ajuda no ataque desesperado a Lundene, e me lembrei de ter ficado ressentido com esse preço, mas mesmo assim precisei ajoelhar e lhe fazer o voto.

Eu conhecia Æthelflæd desde que ela era criança,  a única dos filhos de Alfredo que possuía travessura, vida e risos, e eu vira essas qualidades serem azedadas pelo casamento com meu primo. E nos meses e anos depois do juramento eu passara a amá-la, não como amava Gisela, que era amiga de Æthelflæd, mas como uma garota luminosa cuja luz estava sendo apagada pela crueldade dos homens. E eu servira a ela. Tinha-a protegido. E agora ela pedia que eu a protegesse de novo, e o pedido me encheu de indecisão…

Terra em Chamas, das Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell


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