Através da Névoa

Levantou cedo, bem antes do sol nascer. Vestiu-se rapidamente, pegou um casaco pesado e saiu. Não havia alma viva que ele pudesse ver nas ruas. A névoa matinal tornava os muros e quintais formas indistintas num mundo borrado e imóvel. Não havia vento, mas sim o frio da madrugada.

O som das ondas contra as traves do píer foi o que denunciou seu destino. Uns poucos estivadores já estavam lá, lidando com amarras e ganchos de atracação. No alto de um poste, um lampião criava uma suave radiância dourada que revelou as faces duras e inexpressivas dos operários.

O tinir singular de um sino anunciava a embarcação que esperava. Tornava-se visível e concreta, carranca e mastros despontando da névoa. E ela viria a bordo, através da névoa e pela manhã, trazendo consigo a radiância dourada do leste que ele tanto aguardara. Ela viria…


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