fev 4 2011

Ó Noite

Quem dera ó noite você aqui,
Quem dera a noite você prá mim.
O sol nunca mais o céu raiar,
em dourado não mais traçar.

Quem dera ó lua teu toque frio,
encontrar-me sobre a mesa ébrio
a sorver da mágoa lentamente
o sangue, tão amargo aguardente.

Rasga-me a garganta, de afasia,
furta-me os versos, minha poesia
e deixa-me a cair.

Para o seio cálido da noite
onde enfim me faço amante
até a aurora surgir.


fev 4 2011

Visitas Reais

Sonhei com a rainha. Ela conversava comigo e embora eu não possa lembrar as palavras havia reconciliação em seu olhar.

E durante a manhã fui visitado pelo rei. Seu olhar permanece reprovador e eu acredito que ainda me condene ao imaginar que eu ousei tomar seu trono.

Permanece também de porte altivo, austero e confiante. Mas eu vislumbro o peso que cai sobre seus ombros.
Há poucos dias percebi que mantém encontros secretos junto ao portão de seu palácio, onde a solidão vem ter consigo.

Eu o invejo, mesmo que a Suavidade tenha partido para longe e a Inocência lhe traga angústias e preocupações.