Falcoaria

Como escudeiro, aprendi certa vez as técnicas da falcoaria. A arte consiste em adestrar aves de rapina, strigiformes e falconiformes. E, apesar de meu expertise teórico, nunca me sai bem na prática desta arte. Na verdade sou péssimo nela.

Tamanho o contentamento que percebo nos pássaros ao alçar vôo, que eu não consigo mantê-los em suas correias. A ânsia pela liberdade me atinge de modo empático, e me vi compartilhando do sonho deles. Por duas vezes, em duas diferentes tentativas, rompi-lhe os grilhões.

Mas ao libertá-los, desnudei a eles toda uma série de novas possibilidades. Seus olhares acurados alcançaram horizontes mais lívidos, suas asas impulsionadas pelos ventos alísios elevaram-se junto às nuvens. E então, foram tomados pelo desejo de ir além.

Me sinto ainda hoje orgulhoso de seus feitos, na caça e no vôo. E apesar disso infeliz, pois não retornaram a mim. Tornando óbvio que não conquistei deles a mesma empatia que desprendi.


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