Congelado

Fui enviado ao sul, para assegurar os bastiões e as passagens nas fronteiras mais longínquas. Há muito tempo candidatei-me a este serviço fui honrado com o título que o acompanha: senhor do Fiorde Branco, defensor das Escarpas do Açoite e protetor da Rainha de Vidro.

E foi lá que o emissário me encontrou, recostado às ameias negras da última fortaleza sobre o mar cinzento. Estava fatigado e isto se tornava evidente na quantidade de vapor que exalava de seu hálito. Trazia em sua mão um envelope com o selo de vossa majestade

Quebrou o selo diante de mim e, aos gritos apresentou-me o conteúdo da epístola. Esperou pacientemente que eu me pronunciasse. O vento uivava ruidosamente e permiti que, afora isto, o silêncio reinasse entre nós. Conforme entorpecia-nos os sentidos, aumentava sua urgência.

– Meu senhor, vossa rainha exige uma resposta a sua convocação – finalizou.

– Diga-lhe que congelei – desabafei. Velhas mentiras tornaram-se verdades e minha disposição foi sepultada sob uma muralha de gelo. Sei que ela não me perdoará, mas diga-lhe que permanecerei no sul.

Talvez eu o tenha dito baixo demais, ou talvez tenha congelado realmente pois ele permaneceu ainda alguns minutos incrédulo a esperar uma resposta. Por fim desistiu e partiu, deixando-me só ainda sobre as ameias do modo que me encontrou.


– inspirado na música Frozen, do Within Temptation


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