O sétimo Amanhecer

O sétimo dia amanheceu chuvoso e frio, tal qual a noite que o precedeu. Você deveria ter retornado no quinto dia, como o disse e, mesmo sem acreditar, desejei que fosse verdade. Mas você não veio.

Lembro-me claramente do dia que você partiu, de como virei as costas para não ver tua silhueta desaparecer contra o horizonte. Talvez temesse o momento, talvez temesse o que ainda viria. O primeiro dia foi repleto de visões e delírios, pareceu-me um sono inquieto ao qual recusava-me a despertar.

Mas na manhã seguinte despertei preocupado. Mantive-me por perto da colina, mantendo teu legado tanto quanto pude. Mas no terceiro dia, o abrigo começou a desmoronar. Trave sob trave, fora arrastado para o solo imposição do tempo e do clima.

O quarto dia trouxe um brilho melancólico, leitoso, que despontou dentre as nuvens. Trouxe também a consciência de minha situação. Não houve chuva no quinto dia, quando você achou que voltaria. Talvez o sol a tenha encontrado e você decidiu se estabelecer ou a tempestade levou-a ainda mais para longe.

O fato é que você não retornou, creditando-me as palavras que respondi naquele dia derradeiro. Também não houveram sinais no sexto dia e a apreensão fez de mim seu lar novamente. Já não almejo tanto o teu retorno, mas me pergunto onde teus passos te levaram, onde eles se desviaram dos meus.

Empacoto minhas coisas na mochila logo pela sétima manhã e decido, talvez, seguir teus passos uma vez mais. Espero que isto me leve a suportar melhor tua ausência. Não quero pensar que terei que lidar com esta ausência um dia mais.

Torço, rezo, para que a oitava manhã traga como bênção a ausência do despertar; pois passei a prefirí-lo a ter meu juízo repetidamente torturado a cada novo dia…


Deixar uma Resposta