Agora eu sei…

Das sapatilhas azuis e brancas um ritmo inconstante, reduzindo em velocidade conforme aproximava-se. Parecia temer a reação dele ao vê-la, mas por sob as lentes grossas não era possível discernir seu olhar. Parou a frente dele e pousou sobre o gramado um ramo de lírios brancos.

Em seu âmago ela almejava o reencontro, mas afligia-lhe as palavras que treinara durante toda a semana. Começou dizendo que sentia a falta dele, mas a voz falhou-lhe no meio da sentença. Pigarreou e tentou novamente, com mais força na entonação. Ele continuava impassível a isso. Era esperado.

Então ela lembrou-lhe o passado, quando o sacrifício dele passou despercebido por si. Algo dentro dele remexeu-se. Ela sentia muito por não ter percebido suas intenções. O algo desenrolou-se e rugiu, ameaçador. A coragem subia-lhe como um vinho forte, e as palavras começaram a jorrar em goles grandes.

Agora eu sei o que você sentiu – ela disse – quando o mesmo aconteceu comigo. O punho dele se ergueu contra o granito. Queria que você pudesse me perdoar, e me aceitar. Esfolava os punhos, rugia com todas as forças de seus pulmões. Queria ter feito isso por você enquanto era tempo.

Mas o tempo já não era. Ele queria erguer o esquife, agarrá-la com força e torce-lhe o pescoço até que a vida se esvaísse dela. Queria tomar seus lábios e sugar seu calor. E tudo isto porque o tempo se foi, e ninguém o notou enquanto ele vivia.


Uma Resposta para “Agora eu sei…”

Deixar uma Resposta