jun 29 2012

Pequeno verso

Acho que morro um pouco a cada dia,
e talvez durante a noite ressuscite;
Restaurado pela noite, pelo frio e pela lua
que teimam em não me deixar.


jun 27 2012

Scene Nine

You are once again surrounded by a brilliant white light.
Allow the light to lead you away from your past and into this lifetime.
As the light dissipates you will slowly fade back into
consciousness, remembering all you have learned.
When I tell you to open your eyes you will return to the present,
Feeling peaceful and refresh. (…)

– Dream Theater, Scene Nine: Finally Free


jun 24 2012

Seamisai

Esta farpa de metal afiada…
Notei quando você parou de conjugar nossos verbos no futuro. Percebi também que teu sorriso, aquele que despontava no frio da manhã, não era mais para mim.

…presa numa haste longa…
Não se pode dizer que foi inesperado; que não percebemos quando tudo acabou. Exatamente como aqueles filmes que víamos no domingo a tarde, e do qual sabíamos o final.

…crava o peito e por muito…
Você se foi sem um último beijo. E tudo o que deveria ser dito estava expresso num olhar. Sua última frase uma farpa que ficou, com a tua voz e teu cheiro; impregnada em mim.

…ali permanece.
E quando o frio chega, e o amanhecer me apanha novamente, voltam a mim. E recordo que você partiu e não está mais aqui, comigo.


jun 13 2012

Antônio

Todos os anos eles vinham a corte, um após o outro. Chegavam no mesmo barco, trazidos doutro lado do mar pelos ventos ágeis do meio do inverno. O mais velho desembarcava primeiro, pois era esperado e festejado por todo o povo.

Tinhas cachos loiros e olhos claros, e vestia um traje real em veludo azul, com dragonas douradas e diversas medalhas sobre o peito. Os pares faziam reverência  a sua passagem e todos vinham saudar o tão majestoso visitante. Todos os anos.

Ofereciam-se presentes, e regozijavam-se simplesmente por estar ali. Os festejos duravam todo o dia e prolongavam-se durante a noite, ardentes e passionais. Mas quando a manhã chegava, todos já se haviam recolhido.

Somente então o segundo irmão desembarcava, sem ninguém para saudá-lo. Trazia consigo as bagagens e sentava-se sozinho no mesmo salão onde a corte se reunira, agora vazio e esquecido.

Vestia um hábito surrado, e os poucos castanhos lhe caíam desgrenhados sobre a testa. Tinha os olhos grandes e as maçãs pronunciadas, pouco atrativos a comparar com o irmão.

Mas naquela manhã uma voz suave se fez notar – Posso… sentar-me aqui? – perguntou. Uma dama, de braços dados com seu para sorria para ele. – Atrasamo-nos para a chegada, mas por sorte ainda o encontramos.

E passaram horas juntos, festejando a sua maneira. Beberam vinho quente com canela e fartaram-se dos chocolates e frutas da estação. Não haviam os rigores da corte ou as convenções sociais que os obrigassem e puderam conhecê-lo de modo qual nunca antes.

Ao fim da tarde, ele abriu-lhes os baús, retirando dali espada e elmo, manto e uma tiara de prata. Honrou-lhes com títulos de cavalaria, e abençoou, pois em suas lembranças o dia de seu nome tornara-se eterno.


jun 12 2012

Apesar do sono,…

Mensagem recebida:
Hoje apesar do sono, acordei feliz!

Algumas pessoas não fazem idéia do efeito que têm sobre mim.


jun 11 2012

Misericórdia

– Diga-me onde dói – a voz surgiu em meio a escuridão – assim eu posso alcançar a dor.

A voz era bela e uniforme, e fresca como um bálsamo. Trazia de volta as formas borradas dos soldados que passavam correndo frenéticos ao fronte.  A visão era embaçada pela noite, os fogos de guerra, e sobretudo a dor que vinha-lhe do lado.

Há poucos minutos algo atingira-o. Viera do céu, ou talvez do flanco esquerdo, e trespassou placas, cota, carne e costelas. Deixara agora uma mistura barrenta de sangue, vísceras e ferrugem. Há poucos minutos, mais pareciam uma eternidade.

Gritou por ajuda, e depois gemeu. A dor cerrou-lhe os dentes e arrancou-lhe o fôlego… Desmaiou por fim, mas voltou a despertar, chorando, lamentando o fim. O frio instalara-se no lado esquerdo, e seu braço já não movia, paralisado pela falta de sangue e o terror da morte.

Mas a irmã surgiu-lhe da escuridão, e pousando a mão sobre o peito sussurrou: – Seja forte. Diga-me onde dói. Ele ergueu as placas e mostrou a ferida. Estava lacerada e havia farpas de metal cravadas no fundo da carne.

E ela o beijou. Seus lábios pulsavam, vivos e rubros. Sua mão tocou-lhe onde doía e ele estremeceu. O corte aqueceu-se, cauterizando a carne e cuspindo fora os elos destroçados. Mas o calor trazia de volta a dormência da vida, o anseio do retorno.

E ele a sentiu estremecer, seus lábios ressecando e murchando. E conforme sua visão clareava, ela lhe parecia cada vez mais cinzenta, velha, sábia e reconfortante Misericórdia.


jun 8 2012

Wolverine, um dos grandes pensadores, pt. 2

Wolverine e Aranha discutem a escola

Outro grande pensamento do mestre.


jun 3 2012

Resultado do Concurso de Contos

Por mais que a torcida por Ela (e por Familiar, espero) tenha sido grande, não fui selecionado no IV Concurso de Contos ler&Cia. Afinal, além de concorrer com outros 864 textos, apresentei um tema que desconfio não se encaixar na preferência dos jurados.

Para quem quer saber mais sobre os vitoriosos, segue a lista abaixo:

  • Nilton Silveira – Pois é, comadre… (Porto Alegre-RS)
  • Luís Roberto de Souza – Sobre o não-dito (Porto Alegre-RS)
  • Franco Caldas Fuchs – Casca Grossa (Curitiba-PR)
  • Sérgio Bernardo – Fora de concentração (Nova Friburgo – RJ)
  • Rafael Budni – A condição humana (Curitiba-PR)
  • Murilo Bevervanso Lense – Dórian (Curitiba-PR)

Engraçado que o fato de participar de um concurso resgatou uma série de comentários acerca d’eu escrever um livro. Continuo resistente a idéia, especialmente pelo fator atentado acima.

E mais, por mais que sejam verdadeiros, estes comentários partem de amigos meus. Sem uma visão crítica e imparcial eu não ouso sequer dar créditos a tais.

Mas o futuro a nós descabe…