Antônio

Todos os anos eles vinham a corte, um após o outro. Chegavam no mesmo barco, trazidos doutro lado do mar pelos ventos ágeis do meio do inverno. O mais velho desembarcava primeiro, pois era esperado e festejado por todo o povo.

Tinhas cachos loiros e olhos claros, e vestia um traje real em veludo azul, com dragonas douradas e diversas medalhas sobre o peito. Os pares faziam reverência  a sua passagem e todos vinham saudar o tão majestoso visitante. Todos os anos.

Ofereciam-se presentes, e regozijavam-se simplesmente por estar ali. Os festejos duravam todo o dia e prolongavam-se durante a noite, ardentes e passionais. Mas quando a manhã chegava, todos já se haviam recolhido.

Somente então o segundo irmão desembarcava, sem ninguém para saudá-lo. Trazia consigo as bagagens e sentava-se sozinho no mesmo salão onde a corte se reunira, agora vazio e esquecido.

Vestia um hábito surrado, e os poucos castanhos lhe caíam desgrenhados sobre a testa. Tinha os olhos grandes e as maçãs pronunciadas, pouco atrativos a comparar com o irmão.

Mas naquela manhã uma voz suave se fez notar – Posso… sentar-me aqui? – perguntou. Uma dama, de braços dados com seu para sorria para ele. – Atrasamo-nos para a chegada, mas por sorte ainda o encontramos.

E passaram horas juntos, festejando a sua maneira. Beberam vinho quente com canela e fartaram-se dos chocolates e frutas da estação. Não haviam os rigores da corte ou as convenções sociais que os obrigassem e puderam conhecê-lo de modo qual nunca antes.

Ao fim da tarde, ele abriu-lhes os baús, retirando dali espada e elmo, manto e uma tiara de prata. Honrou-lhes com títulos de cavalaria, e abençoou, pois em suas lembranças o dia de seu nome tornara-se eterno.


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