jul 31 2012

Nenhum Porto para Voltar

– As Crônicas de Arda por Sérion

A guerra terminou. A Pedra de Eärendil foi largada ao solo e sobre ela crescem heras onde outrora regaram-lhe lágrimas. E com isto, também a Estrela Vespertina se apagou, deixando a Terra-Média sem uma luz que guiasse o fim da tarde.

No oeste brilham novas luzes, mas muito longe e apagadas pelas névoas para que eu possa desvendar. Meus olhos já não vêem além da costa, mesmo quando do alto de nossos faróis me debruço.

Também os portos cinzentos apodrecem, pois ninguém mais toma a rota para o mar bravio. E assim permaneço eu, junto a costa de Belfalas, onde a paz se faz da melancolia da maré e meu leito do pesar.


jul 30 2012

Ela que nunca mais o procurou

Ainda vejo tua face em todos os lugares,
e por mais que procure noutros rostos
outros castanhos que não os teus,
me descubro revendo teu olhar.

Deixo minha mente vagar,
pois o caminho do pesar me atrai
e me engolfa na tua presença
de modo que a realidade não faz.

Certo de que teus pensamentos
se voltam para mim vez ou outra
e desejam ao meu colo retornar.

Te espero hoje, certo de que
se tua partida me agrilhoou,
só tua presença, tua arte
[ me  libertará…

– em nome Daquele que a Morte deixou


jul 30 2012

Legado, pt. 2

Sacrifício. Outra coisa que os X-men me ensinaram. Mesmo protegendo seus maiores inimigos – a humanidade – os mutantes eram frequentemente assolados por críticas, preconceito e isolamento. Na minha adolescência, difícil não me identificar.

Acima, Colossus se torna cobaia da droga que se tornaria a cura para o vírus legado. O mesmo que anteriormente tirou a vida de sua irmã.


jul 28 2012

Legado, pt. 1

Ler X-men construiu minha infância e adolescência. E há quem diga que é somente um quadrinho com personagens inverossímeis ou superficiais, como a Jubileu. Mas para mim, uma série de lembranças que hoje se refletem no meu caráter, no meu ego.

E eu ainda me surpreendo a reler certas páginas. Acima, Illyana Rasputin, vítima do vírus legado.


jul 26 2012

Correspondência

amo seu sorriso falso com essas covinhas que você odeia,

e gosto muito do jeito que você fala “mereço”
quando quer dizer “não sei de onde você consegue tirar essas coisas”,

sua expressão de “como é facil te agradar”
quando vê a minha cara de idiota comendo sushi,

ou mesmo aquele olhar de “eu quero dar um chute no som do teu carro”


jul 25 2012

Realizações e Vontades

Mensagem recebida:
ontem foi bem legal o almoço, mas eu ainda…


jul 25 2012

O Monstro, pt. II

– Crônicas de Ethrü, em continuidade ao Monstro

Há certas noites que ainda penso no monstro. Não é um pesadelo, nem nada do gênero; eu só estou deitado no meu catre e deixo meus pensamentos vagarem pelas memórias da minha infância.

E é então que eu vislumbro aqueles olhos selvagens na escuridão. O verde doentio se volta rapidamente a mim, e sua respiração se condensa branca no ar. E eu corro. Mas ele me segue além de seu refúgio, e nos meus pensamentos finalmente me alcança.

Tomado de assalto, caio e rolo sobre a relva, ferindo meus joelhos nas rochas. Eu olho em volta e ele não está mais lá, mas ainda sinto sua respiração sobre mim, uma sensação como se estivesse a me observar de algum lugar oculto.

Mas essa é uma lembrança forjada. Onde quer que esteja, em seu refúgio sob a terra, o monstro permanece aquietado ou em torpor. E eu torço para que ele continue lá, ao menos por mais um dia…


jul 23 2012

Alívio

Hoje eu acordei mais cedo, estava tremendo de frio. Levantei-me para pegar outra coberta, e descobri que não adiantaria. Estava mais frio aqui dentro do que lá fora…

 


jul 20 2012

Hipotermia, estágio 1

Um dos prazeres em se ler ao convés
é sob as páginas ter as mãos enregeladas,
os dedos crispados, ossos cristalizados,
e ser banhado pelo orvalho matinal.

Pois somente o naufragar do táctil
aproxima-nos da experiência da partida,
de tal modo semelhante aos sentidos
ao beijo da morte invernal.


jul 18 2012

Finitude


o homem é um ser mortal, cuja principal característica é a consciência de sua finitude. (…) Portanto, apagar essa consciência não seria um retrocesso do ser humano?