O Monstro, pt. II

– Crônicas de Ethrü, em continuidade ao Monstro

Há certas noites que ainda penso no monstro. Não é um pesadelo, nem nada do gênero; eu só estou deitado no meu catre e deixo meus pensamentos vagarem pelas memórias da minha infância.

E é então que eu vislumbro aqueles olhos selvagens na escuridão. O verde doentio se volta rapidamente a mim, e sua respiração se condensa branca no ar. E eu corro. Mas ele me segue além de seu refúgio, e nos meus pensamentos finalmente me alcança.

Tomado de assalto, caio e rolo sobre a relva, ferindo meus joelhos nas rochas. Eu olho em volta e ele não está mais lá, mas ainda sinto sua respiração sobre mim, uma sensação como se estivesse a me observar de algum lugar oculto.

Mas essa é uma lembrança forjada. Onde quer que esteja, em seu refúgio sob a terra, o monstro permanece aquietado ou em torpor. E eu torço para que ele continue lá, ao menos por mais um dia…


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