Após o sétimo Despertar

Anoiteceu mais uma vez, e ao acordar eu não percebi nada de diferente. O oitavo dia amanheceu frio, chuvoso e cinzento como todos os outros que o precederam.

Uma estranha familiaridade toma conta de meu ser. É completa com uma paz quase apática que me instiga a permanecer em meus sentidos. Em sentir, perceber que tudo permanece da maneira que fora deixado na noite anterior.

Ergo-me paciente e começo a recompor meu acampamento. Torno tudo ao interior da mochila, que alço as costas e faço o caminho de volta. Acredito que seja a volta, pois parece que nem mesmo eu sei onde fui parar.

A ponte que encontro no caminho está queimada e eu preciso fazer uma volta muito maior ao vadear o rio. Preciso refazer meus passos, visto que tuas marcas já se foram há tantos dias. Não é mais possível para mim seguir-te.

Eu penso no que de teu mantenho comigo ainda, e busco na mochila tua última recordação. Encontro somente o cordão e uma pequena alça de metal partida. E só então me dou conta do que está diferente.

A própria ausência da ausência. Meu juízo, minha sanidade toma aos poucos conta da minha percepção para revelar que já não há tortura, farpas e sangue. Só um espaço vazio, quem sabe a ser preenchido.

Noutro dia, talvez…


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