Altpapier

Me sinto como que de papel, como aquela nota amarelada na qual rabiscou suas últimas palavras, abandonada sobre a mesa da cozinha. Marcada pelo tempo, o manuseio e a esferográfica.

Sinto como se as lágrimas que a saudaram tivessem inundado minha’lma, afogando quaisquer sentimentos outrora presentes. Permanecem lá, suspensos indefinidamente próximo ao fundo. Num lugar em que não há fôlego para chegar.

Como o canto da página, o fim da linha, a áspera raspa de lápis ou a marca do mata-borrão. Embolorado e esquecido como as lembranças da escola.

A marca de batom já não é tão nítida quanto as palavras em tinta preta. “Adeus” é mais forte que as outras, resiste bravamente como se desafiando a integridade das fibras.

Num mundo onde tudo se manifesta radiante e oscilante, me percebo querido e abandonado como que uma folha de papel.


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