A Nova Queda

Para baixo é sempre mais fácil, é o que dizem , mas não é bem o que eu penso descendo por entre as escarpas. Todo o território é novo para mim, os corredores estreitos, a rocha afiada, o som do mar mais abaixo. As ondas rugem e quebram contra as paredes erguendo nuvens de gotículas frias. Apoio o pé firmemente no declive e dou um passo, mas o solado não suporta o chão molhado e escorrega, fazendo minha perna se perder no abismo. Busco apoio nas rochas, mas o limo só me faz deslizar mais. Sinto gelar o peito com a perspectiva da queda, sinto faltar o ar e o desespero tomar conta do meu ser. De um modo que eu não sei dizer ainda estou de pé, tremendo de frio e temor; pois mais passos se seguirão a este, e o chão continua descendo em direção a garganta, ainda mais liso e molhado…


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