A tripulação do Högvind, pt. II

Wilfred dispensava os oponentes rapidamente, um a um. Avançava para o meio da turba, onde o comandante deles permanece, enquanto Robin lhe fornecia a cobertura que podia. Apesar do número de caídos aumentar, parecia haver ainda tantos que o esforço era demasiado grande para a dupla. Suor escorriam-lhe as frontes e os músculos das pernas já latejavam.

O cavaleiro egueu o escudo, lançando um dos atacantes para o lado enquanto a espada cravou-se num pescoço já ao chão. Ouviu Robin gritar algo atrás de si, mas não conseguia compreender as palavras. Sentiu então uma nova força agarrando sua capa e puxando-o para baixo. Só então percebeu que os caídos não permaneciam no chão, mas levantavam-se com seus ferimentos ainda a mostra.

Foi sobrepujado pela turba que arranhava, agarrava e chutava. Robin ainda gritava. Uma faca meio cega procurava as falhas na armadura, enquanto seu portador xingava e babava sobre o cavaleiro. Cheirava a suor, conhaque e fúria. Wilfred voltou-se e conseguiu acertar-lhe os dentes com o punho da espada. Pareceu não sentir.

A faca alojou-se sob a ombreira e provocou um olhar de triunfo. O homem começou a engasgar e vomitou sobre o cavaleiro uma espécie de bile negra que fedia a enxofre e vinagre. Seus olhos ficaram vermelhos e bolhas surgiram no peito e pescoço, sob a pele. Seu sorriso transformou-se numa carranca enquanto o vapor escapava-lhe dos poros.

E então as chamas irromperam, consumindo-o de dentro para fora. A carne soltou-se em pedaços fumegantes enquanto a pele esfarelava-se como papel. O cheiro agora era como churrasco num abatedouro. Robin ainda gritava enquanto todos os oponentes eram consumidos pelas chamas internas.

Fumaça negra mesclava-se à névoa branca quando Talus surgiu. As peças negras de sua armadura ocultavam praticamente todo o corpo, cobertas de fuligem. Os olhos brilhavam flamejantes dentro do elmo, ameaçadores, enquanto novas chamas brotavam dos atacantes, assim como de seus casebres. Alguns fugiam, consumindo-se lentamente até despencarem adiante, em meio a cortina de fumaça.

Outrora também Talus havia sido um escudeiro, mas hoje seguia seu próprio caminho. Em seu passado uniu sobre a mesma mesa espada, magia e rancor e deu origem a um ser temido, mesmo entre os companheiros do Högvind. O temperamento irascível aliado as chamas poderiam dar cabo do barco em questão de minutos. Não é motivado pela honra, mas pelo ódio que o consome.


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