fev 17 2009

Sobre meu túmulo

Noite passada tive um pesadelo,
onde um lobo e um corvo negro juntos
montavam guarda junto a meu túmulo
posto no alto de uma  colina fria.

Pouco além, a oeste da laje branca,
duas árvores altas cresceram entrelaçadas:
a primeira era verdejante e coberta de musgo
e a segunda, cinzenta e estéril.

Fato mais surpreendente no entanto,
a imensidão de pequenas gaiolas penduradas
que continham as mais variadas fadas e sprites.

Umas debatiam-se, outras há muito silenciaram,
sabe-se aguardando um fim ainda vindouro
ou velando uma alma outrora derrotada?


jun 26 2007

Self-Judgement

E muitas vezes me critico, me julgo e me condeno. Por preferir isto a fazê-lo a outros, tento em vão domar o raivoso lobo em meu peito.
Que meu lobo se cale quando prestar as devidas homenagens aos oponentes caídos em batalha, porque merecem-na tanto quanto os companheiros que sepultei, respeitosamente como gostaria também ser tratado.
E, se justiça houver na morte, talvez eu não mais seja criticado, julgado ou condenado

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jun 18 2007

Sobre a Admiração (e quanto injusta pode ser)

1. Ás vezes fico indignado como as pessoas que eu admiro podem ter momentos fúteis, e me critico como se elas não fossem humanos como eu. Mas é estranho pensar que alguém que valoriza tanto os sentimentos e virtudes dos outros possa argumentar a favor de “ficar com quatro na mesma noite”. Eu sou muito antiquado, creio.
2. Um amigo admitiu me admirar antes mesmo de me conhecer, por tudo que falavam de mim. Eu fiquei agradecido por um momento, mas por um momento somente,… pois sabendo que dando razão aos meus atos ele condenava outros pelas suas escolhas; outros a quem eu não ouso condenar, outros a quem ouso eu admirar

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jun 1 2007

Pagando pelos meus pecados

leia-se ouvindo Unia – Sonata Arctica

It’s hard for me to love myself right now,
I’ve waited, hated, blamed it all on you

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fev 12 2007

Errado

Afinal, o que é que está errado?

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ago 12 2003

Rebanhos de Caeiro

Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse

Orpheu surpreendeu, bem mais que a peça argentina. Fernando Pessoa era um louco e tanto.
O Menino do Dedo Verde eu já havia visto, mas repeti para acompanhar o pessoal. É sempre muito engraçado.

Conheci uma garota demais, totalmente meiga e nem um pouquinho tímida. Ela gosta de declamar, vejam só.
Corri para casa com os olhos voltados para o alto… as estrelas roddopiavam em minha frente mas a lua me instigava, acordando o lobo em mim… ele quer arrebentar as correntes e fugir, talvez se vingar. E eu não posso fazer muito para impedir.

A noite trouxe o frio, e o frio veio trazer prazer, e o prazer é doloroso, impulsiona o sangue, que me desperta a fúria, a fúria ao ver a lua alta contra o céu estrelado, estrelas que vieram com a noite. A noite trouxe o frio…

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ago 5 2003

Num reino muito, muito distante…

O cavaleiro avançava resoluto, galopando velozmente sobre os prados. A sua frente surgiu um lanceiro vestindo as cores inimigas. Impetuosamente o cavaleiro se atirou sobre ele com a lança em justa, certo de que, como outros tantos que já enfrentara, este cairia frente a seu golpe poderoso.
Mas o verdadeiro golpe foi desferido pelo flanco, de um arqueiro oculto nos bosques que acertou o cavaleiro entre as costelas. A flecha não conseguiu penetrar a malha, mas provocou um latejar intenso e abrupto, que jogou o cavaleiro ao chão. Suas costas chocaram-se contra o solo com violência e a dor aumentara.
Logo aproximaram-se um trio de lanceiros que violentamente o golpeavam com achas de armas. A couraça forjada durante eras resistia bravamente, entortando a ponta das armas. Ainda assim, os golpes desferidos feriam o cavaleiro por sob a malha, provocando contusões e pequenos cortes.
Com dificuldade ergueu-se acima de seus oponentes, sustentando a espada um tanto desajeitadamente. Ouviu-se então um uivo distante, fraco e lamentoso que chegou aos ouvidos do cavaleiro como uma súplica. Ele ainda recordava, milhas distante sob a floresta, ele acorrentara um lobo. Jazia preso e enclausurado pela vontade do cavaleiro, e agora exigia sua libertação.
Ignorando-o, o cavaleiro firmou-se sobre os dois pés e desferiu um golpe violento contra as formas borradas a sua frente. Seu estômago latejava e em sua cabeça tudo estava confuso, distorcido. Ainda assim ele não queria libertar a força selvagem do lobo que uivava instigando-o.
Outro golpe acertou-o no flanco, forçando-o a recuar um passo. Sequer podia ver seus atacantes. Não importa quantos seriam, ele precisava vencê-los sem o auxílio do monstro. Mas neste momento o cavaleiro se pergunta se é possível.
E o lobo permanece uivando “liberta-me”.