ago
3
2010
Estou morrendo.
A cada dia, a cada sopro de ar que aspiro, mais me aproximo do final de minha vida. Pois que nascemos com um número finito de alentos, e cada uma de minhas inspirações conduz a luz do sol que é minha vida rumo ao inevitável crepúsculo.
(…)
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jul
9
2009
inspirado em Cardigans’ – My Favorite Game
Pegou o carro, o mustang velho de guerra com a lataria carcomida pela ferrugem e uma única calota restante. Acelerou; tanto quanto podia. Poeira e pequenas pedras do asfalto voavam para trás, para o passado. Á frente somente o negro do asfalto, o vermelho do deserto e o horizonte azulado.
Chegaria a tempo? Chegaria inteiro? Chegaria..?
Seu jogo favorito era lutar contra o tempo, contra as expectativas contrárias. Mas perdia. Sabia que lutava, perdia, e gostava. Um clube da luta, que nada, tornou-se membro exclusivo de um clube para os caídos. Mas agora, caindo ao horizonte só havia uma direção a tomar.
Para frente, para o horizonte. Para ela?
Conforme o sol descia ao horizonte e o azul se tornava negro, viu as lágrimas dela pontilhando o céu. O ponteiro do velocímetro continuava no máximo, mas o de combustível reduzia lentamente. Uma a uma apareciam em sua negra tez. Quis tocá-la, mas sua velocidade não era suficiente.
Ele nunca foi o suficiente para ela.
Manteve o pé firme no acelerador quando ela surgiu, de faróis altos e ofuscantes. Vinha do horizonte tão rapidamente que ele mal pôde abrir os braços para recebê-la. Ela o arrematou e jogou ao ar. Parecia voar, finalmente para os braços da Noite.
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jun
4
2009
É junho e faz frio, finalmente o frio. Tive saudades e temi que ele não viesse outra vez, mas cumpriu o prometido.
Ano sim, ano não, me faz tirar do armário o sobretudo, minha segunda pele e sentir novamente prazer em caminhar pela noite.
A lua, meio encoberta pelas nuvens (ou seria névoa?) me observa curiosa, atenta. Sua luz argêntea não chega a tocar-me na escuridão. Pertenço a ela, creio. E ao frio, e me criaram como pai e mãe pouco zelosos, arremessando-me para o seio da vida. Dolorosa e doce vida.
Filha da escuridão também a morte. Minha irmã, minha cara-metade, anseio dos meus dias, fonte do meu desejo. Se esgueira pela noite e foge, correndo por vielas que não aquelas que freqüento. Certo dia ainda a encontro, ou me encontra, não sei ao certo.
Enquanto isso a noite avança vagarosamente, cobrindo de lágrimas brilhantes o negrume da escuridão e trazendo o toque do pai para junto de meu peito. Dedos como adagas, sopro como o hálito de um dragão; sua voz me perturba e atordoa. Pai.
Renasço do frio….
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mar
5
2009
2015 parece um bom ano.
Mas para aqueles que amam a morte,
todo ano pode ser bom.
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nov
18
2008
Evitar pensar na morte parece ser o suficiente para evitá-la. É um pensamento comum nestes tempos. Não pense, não fale Nela, valha me Deus! Até prece que ela é atraída pelo simples mencionar de seu nome. › Continue lendo
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nov
6
2008
Outubro foi um mês de silêncio, que acredito agora ter findado. Houveram muitas coisas, fatos e histórias a serem contadas, mas poucas palavras para descrevê-las.
É certo somente que volto a escrever, pois há deveres a cumprir e anseios a sanar.
Estou lendo “As Intermitências da Morte” que de presente recebi da Thalita e do Ferio. Ainda estranho o modo de escrever do Saramago, não pelo rebuscado não-arcaico, mas pela falta de pontuações a qual estou acostumado. Farei uma resenha mais tarde.
Volto logo,…
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jun
4
2007
Dizem os antigos que certa vez a morte conheceu um homem por quem se apaixonou. Ele não era mais belo ou mais forte do que os outros, mas tinha algo nos olhos que cativou a sinistra donzela. Casaram-se então, ou viveram juntos talvez e foram felizes.
Mas com o tempo, como a maior parte dos relacionamentos, surgiram as mágoas e as injustiças e cada vez mais a Morte sentia-se só. Seu amado já não tinha por ela a mesma paixão, já não lhe dedicava os mesmos beijos, as antigas carícias.
A Morte chorou e chorou… e certo dia se foi. Juntou os poucos pertences que lhe eram caros e deixou o lar enquanto seu esposo estava fora. E ela nunca mais o procurou. E dizem que ele permanece sozinho em sua casa até os dias de hoje, esperando que a Morte volte
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set
22
2003
Ela me faz querer viver,
me toma pela mão,
me puxa para cima
e repete as frases que eu digo.
Cada dia em que ela aparece
se abre, ilumina
e eu fico sonhando com raios solares
e o vento roçando as asas.
Ela me faz querer viver
e eu continuo resistindo e negando
e me voltando para meu pequeno refúgio sombrio.
Ela me faz querer viver
e me tortura com todas essas esperanças de uma felicidade
que não existe
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ago
29
2003
Então estava ela, no meio da pista. Seu corpo rodopiava e deslizava, coberto por vários pontinhos de luz branca que também se moviam frenéticos, subindo e descendo as curvas delgadas do seu corpo. A escuridão se formava em volta, ocultando opressora seus movimentos lânguidos.
O vestido girava acompanhando os movimentos, como a seguir-lhe o corpo esbelto, acariciando-o. Era negro, mas semi-transparente e, a não ser por uma saia curtíssima e um corpete negro que vestia por debaixo, o vestido mostrava mais do que escondia. Os ombros estavam nus, assim como o colo e a face, que constrastavam alvos, contra o negrume da vestimenta e o sombrio sedoso de seus cabelos. Cabelos estes que não eram curtos tampouco compridos, mas caiam teimosos sobre rosto.
Parou de se mover, dançando num ponto fixo. Ajeitou uma mecha que caía-lhe sobre os olhos e esta logo voltou sorrateira a seu lugar. Seus olhos grandes e azulados eram fixos em mim e seus lábios rubros se desprenderam por um instante. Cada movimento parecia único, enquanto dançava.
E assim dançando caminhou até mim. Me levantei rápido e com uma única mão ela empurrou-me, forçando-me contra a parede. Escostou-se em mim e percorria meu rosto com seus dedos gélidos. Hipnotizado em seus olhos, perdido e deslocado, nem sequer atentei a isto. Aproximou os lábios de meus ouvidos e sussurrou-me:
- Meu nome é Morte. E esta noite sou tua.
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