fev 16 2011

Haunt me, then!

Gostaria de expor um trecho, uma citação a que muito me identifico, relembrada hoje pela minha cunhada Aline:

Catherine Earnshaw, may you not rest as long as I am living; you said I killed you—haunt me, then!

- Heathcliff, em O Morro dos Ventos Uivantes


fev 3 2011

Polônio

Tem cuidado em não entrar em uma briga, mas uma vez nela, faze tudo para que teu adversário sinta temor.

- Hamlet, Cena III, Ato I


dez 3 2010

A Æthelflæd

… Eu havia escapado de Alfredo e sentia apenas alívio pela liberdade encontrada, mas agora sua filha me convocava. E Pyrlig estava certo. Alguns juramentos são feitos com amor, e esses não podemos voltar.

› Continue lendo


nov 27 2010

Wyn eal gedreas

Fechei os olhos. Meu mundo estava escuro, tinha ficado escuro, porque minha Gisela estava morta.

Wyn eal gedreas. Isso é parte de outro poema que às vezes ouço ser cantado no meu castelo. É um poema triste, e portanto um poema verdadeiro. Wyr bið ful ãræd, diz ele. O destino é inexorável. E wyn eal gedreas. Toda alegria morreu.
Toda a minha alegria havia morrido e eu tinha entrado na escuridão. Finan disse que uivei como um lobo, e talvez tenha mesmo, mas não lembro…

- Terra em Chamas, das Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell


jul 28 2010

Sobre a Nostalgia, por Drizzt Do’Urden

Drizzt Do'Urden

A nostalgia é, talvez, a maior de das mentiras que todos nós contamos a nós mesmos. É o lustro do passado a se adaptar às sensibilidades do presente. Para alguns, isso traz um certo consolo, um sentido de identidade e origem, mas outros, acho eu, exageram essas lembranças alteradas e, por causa disso, ficam paralisados diante da realidade.

Quantas pessoas anelam por aquele “mundo passado, mais simples e melhor”, eu me pergunto, sem jamais reconhecer a verdade de que talvez elas é que eram mais simples e melhores, e não o mundo ao seu redor?

› Continue lendo


ago 30 2007

Resenha: Lolita, de Vladimir Nabokov

Ganhei o livro de presente da Mariko há alguns anos, embora ela só me tenha entregue na última visita, portanto eu posso afirmar que era bastante esperado. A leitura me tomou umas duas ou três semanas, nos meus intervalos de almoço. O romance foi escrito de um modo um tanto peculiar e supreende (e deve ter estarrecido muitas pessoas na época de sua publicação).
O livro narra as desventuras do “artista sem-obras” Humbert Humbert, que se vê envolvido por uma nymphet, como ele mesmo denomina as meninas por que se atraí. Dolores (Lolita) é uma garota impulsiva e de temperamento forte, que acabar por preocupar e torturar a vida do protagonista. Escrito em primeira pessoa, o livro me trouxe uma primeira impressão bastante asqueroza, conforme me eram revelados os pensamentos mais íntimos de Humbert, no entanto, com o desenrolar da história surgem outros aspectos em evidência, como sua insegurança e obsessão.
Esta última em especial me aproximou do personagem, ao notar-me características similares. Afora isto, alguns elementos macabros parecem inspirados no Poe. Eu aconselho a leitura, a todos aqueles a quem a miséria humana interessa, e reprovo a todos que esperam uma obra repleta de “situações picantes” ou diálogos “surfistinianos”.

› Continue lendo


abr 20 2007

Como seria?

Com Werther foi violento, impulsivo e emotivo; com Ofélia foi angustiante, sufocante e frio; com a Sylvia sereno, plácido e inebriante.
Comigo, como seria?

› Continue lendo


nov 22 2006

Quanto aos Poetas

Os tais dos poetas, como eu os invejo. Porque sabem escrever, expressar, declarar. Muitas vezes são incompreendidos e injustamente criticados, mas os admiro pois, no sentimento da injúria, enchem-se de todo o orgulho e escrevem, e expressam, e declaram.
Mas você pensa que a vida dos poetas é feita de livros e penas? Não, se assim fosse seria eu um poeta. A vida dos poetas é feita de vinho, sangue e amor; pois na boemia se perdem, e em contendas se destroem mas são os lábios proibidos, eterno carrasco de suas existências.
Nem por isto deixam os poetas de viver, agarram-se as volúpias dos beijos e do toque carnal, desfalecem por fim em lágrimas e quando tudo parece eternamente condenado, recomeçam. Não por banalidade, mas porque este amor que outrora tinham alcançou a imortalidade e esta virtude deve então ser passada a outros lábios, a outra pele, corações e alma.
Assim são os poetas os quais me refiro, seres corruptos, sofredores e viventes. Que em todas as dores tomam a vida por sua conquista.

Eu ao invés os invejo, pois amo somente a morte, com a fria razão de saber que pouco escrevo, expresso, declaro

› Continue lendo


set 19 2006

And I still feel the pain…

Vem da música lá em cima. Eu gosto, e tenho ouvido muito. Li uma nota na Veja sobre a Síndrome de Sylvia Plath e descobri alguns fatos interessantes relacionados a uma pesquisa a respeito. Bem, está em inglês e, na verdade, acho que pouca gente vai ler por completo mas, me interessou, principalmente as frases que coloquei de chamada:

Poets ‘die younger’ than authors. It may also be because every fiction you weave takes 3.33 minutes off your life.

› Continue lendo


jun 28 2006

Sylvia

Assisti à Sylvia neste final de semana. Inútil dizer que o filme é bom, que toca, que rasga e dói… o fez comigo.
Mas cada vez que o recomendo ele parece se banalizar, nas minhas palavras toda aquela emoção torna-se tão ‘comum’. Não assistam, pelo que digo aqui, mas se quiserem da arte a sombra e o silêncio, seja na atuação da Gwyneth Paltrow ou nas palavras sublimes de Sylvia Plath, procurem-na. Geralmente se esconde na prateleira do fundo, coberta pelo pano mortuário…

PALAVRAS
- de Sylvia Plath

Golpe
De machado que fazem soar a madeira,
e os ecos!
Ecos parte
Do centro como cavalos.

A seiva
Jorra como lágrimas, como
água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido por ervas daninhas.
Anos depois as encontro
Na estrada ¿

Palavras secas e sem rumo,
Infatigável bater de cascos.
Enquanto
Do fundo do poço estrelas fixa
Governam uma vida.

› Continue lendo