out 15 2014

Havia gente que se podia abraçar,…

Nin estremeceu. Queria abraçar seu guardião, segurá-lo e lhe dizer que ele nunca o abandonaria, mas o ato era impensável. Ele não podia abraçar Silas mais do que podia abraçar um raio de luar, não porque seu guardião fosse insubstancial, mas porque seria errado. Havia gente que se podia abraçar, e havia Silas.

– O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman

Um dos melhores livros do Gaiman que eu li até hoje, e imensamente recomendado por mim. Não vou falar muito para não estragar a leitura, e também porque não sei se conseguiria igualar ao sentimento que vivenciei ao lê-lo. Ah, e as ótimas ilustrações do Dave Mckean!


jan 24 2014

Pálida Inocência

– Álvares de Azevedo

Por que, pálida inocência,
Os olhos teus em dormência
A medo lanças em mim?
No aperto de minha mão
Que sonho do coração
Tremeu-te os seios assim?

E tuas falas divinas
Em que amor lânguida afinas
Em que lânguido sonhar?
E dormindo sem receio
Por que geme no teu seio
Ansioso suspirar?

Inocência! Quem dissera
De tua azul primavera
As tuas brisas de amor!
Oh! Quem teus lábios sentira
E que trêmulo te abrira
Dos sonhos a tua flor!

Quem te dera a esperança
De tua alma de criança,
Que perfuma teu dormir!
Quem dos sonhos te acordasse,
Que num beijo t’embalasse
Desmaiada no sentir!

Quem te amasse! E um momento
Respirando o teu alento
Recendesse os lábios seus!
Quem lera, divina e bela,
Teu romance de donzela
Cheio de amor e de Deus!


nov 1 2013

…no fim do caminho

Um lampejo de ressentimento. Já é difícil o bastante estar vivo, tentando sobreviver no mundo e encontrar o seu lugar nele, fazer as coisas de que se precisa para seguir em frente, sem se preocupar se aquilo que você acabou de fazer, o que quer que tenha sido, foi o suficiente para a pessoa que,se não morrera, desistiria da própria vida. Não era justo.

– O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman


set 27 2013

Um longo Adeus…

Raistlin, em robes vermelhosAdeus, meus amigos – Raistlin disse com a voz sibilante e os estranhos olhos em forma de ampulheta cintilando – E esse será um longo adeus. Alguns de nós não estão destinados a se encontrarem novamente neste mundo! […]

Você sempre pode ter certeza de que Raistlin vai usar uma linguagem floreada na hora de partir, Tanis pensou.

– Dragões da Noite de Inverno, volume II das Crônicas de Dragonlance


ago 5 2013

Must Read

“Assim eu concebia, assim eu me explicava as coisas, e, à medida que os anos passavam, já sentia quase medo de revê-la, pois sabia que nos encontraríamos num lugar em que Lucie não seria mais Lucie, e que eu não teria mais como reatar o fio. Não quero dizer com isso que havia deixado de amá-la, que a esquecera, que sua imagem desbotara; ao contrário; ela morava em mim dia e noite, como uma silenciosa nostalgia; eu a desejava como se desejam as coisas perdidas para sempre. E como Lucie se tornara para mim um passado definitivo (que, como passado, vive sempre e, como presente, está morto), lentamente ela perdia para mim sua aparência carnal, material, concreta, para cada vez mais se desfazer em lenda, em mito escrito sobre pergaminho e escondido numa caixa de metal depositada no fundo de minha vida”
– A Brincadeira, Milan Kundera.

Recomendado por meu amigo, Matheus. Agora na lista dos que eu devo ler.


jun 3 2012

Resultado do Concurso de Contos

Por mais que a torcida por Ela (e por Familiar, espero) tenha sido grande, não fui selecionado no IV Concurso de Contos ler&Cia. Afinal, além de concorrer com outros 864 textos, apresentei um tema que desconfio não se encaixar na preferência dos jurados.

Para quem quer saber mais sobre os vitoriosos, segue a lista abaixo:

  • Nilton Silveira – Pois é, comadre… (Porto Alegre-RS)
  • Luís Roberto de Souza – Sobre o não-dito (Porto Alegre-RS)
  • Franco Caldas Fuchs – Casca Grossa (Curitiba-PR)
  • Sérgio Bernardo – Fora de concentração (Nova Friburgo – RJ)
  • Rafael Budni – A condição humana (Curitiba-PR)
  • Murilo Bevervanso Lense – Dórian (Curitiba-PR)

Engraçado que o fato de participar de um concurso resgatou uma série de comentários acerca d’eu escrever um livro. Continuo resistente a idéia, especialmente pelo fator atentado acima.

E mais, por mais que sejam verdadeiros, estes comentários partem de amigos meus. Sem uma visão crítica e imparcial eu não ouso sequer dar créditos a tais.

Mas o futuro a nós descabe…


maio 17 2012

Sinal e Ruído 3


Nos meus mundos as pessoas morriam.
Eu achava isso honesto,
Achava que estava sendo honesto.
Achava que estava dizendo a verdade.
Achava que…
Eles eram atores.
E fingiam estar mortos.

– Sinal e Ruído, Neil Gaiman e Dave McKean


abr 20 2012

Resultado para o Concurso

Atualizando portanto o resultado da minha convocação para o Concurso de Contos, ficamos com a seguinte pontuação:

Ela e Familiar serão então enviados para o concurso. Eu ainda estava empolgado com Livre Enfim que estava na segunda posição quando, nesta última semana, Familiar e Últimos instantes… surpreenderam-me ao ganhar um novo fôlego.

Ela é muito bom, mas eu acho ele um tanto curto e previsível, especialmente para quem lê Neil Gaiman. O Monstro Liberto é uma seqüência de um outro conto e fica realmente estranho sem sua prévia.

Gostaria de agradecer ao amigos que me apoiaram nessa: Andréa, Amanda, Fernanda, Giovana, Jaqueline, Juliana, Maria Eduarda, Matheus, Priscilla, Ricardo e Stéfani.


abr 12 2012

O mundo dos mortos (per se)

– Vocês falam sobre os vivos e sobre os mortos como se fossem duas categorias mutuamente excludentes. Como se um rio não pudesse ser também uma estrada, ou como se uma música não pudesse ser uma cor.

Sr. Ibis, em Deuses Americanos, de Neil Gaiman


fev 29 2012

Desgraça

Ela cita Shakespeare como quem lê,
correntes de internet e não Sonetos…