Como seria?
Com Werther foi violento, impulsivo e emotivo; com Ofélia foi angustiante, sufocante e frio; com a Sylvia sereno, plácido e inebriante.
Comigo, como seria?
Com Werther foi violento, impulsivo e emotivo; com Ofélia foi angustiante, sufocante e frio; com a Sylvia sereno, plácido e inebriante.
Comigo, como seria?
Os tais dos poetas, como eu os invejo. Porque sabem escrever, expressar, declarar. Muitas vezes são incompreendidos e injustamente criticados, mas os admiro pois, no sentimento da injúria, enchem-se de todo o orgulho e escrevem, e expressam, e declaram.
Mas você pensa que a vida dos poetas é feita de livros e penas? Não, se assim fosse seria eu um poeta. A vida dos poetas é feita de vinho, sangue e amor; pois na boemia se perdem, e em contendas se destroem mas são os lábios proibidos, eterno carrasco de suas existências.
Nem por isto deixam os poetas de viver, agarram-se as volúpias dos beijos e do toque carnal, desfalecem por fim em lágrimas e quando tudo parece eternamente condenado, recomeçam. Não por banalidade, mas porque este amor que outrora tinham alcançou a imortalidade e esta virtude deve então ser passada a outros lábios, a outra pele, corações e alma.
Assim são os poetas os quais me refiro, seres corruptos, sofredores e viventes. Que em todas as dores tomam a vida por sua conquista.
Eu ao invés os invejo, pois amo somente a morte, com a fria razão de saber que pouco escrevo, expresso, declaro
Vem da música lá em cima. Eu gosto, e tenho ouvido muito. Li uma nota na Veja sobre a Síndrome de Sylvia Plath e descobri alguns fatos interessantes relacionados a uma pesquisa a respeito. Bem, está em inglês e, na verdade, acho que pouca gente vai ler por completo mas, me interessou, principalmente as frases que coloquei de chamada:
Poets ‘die younger’ than authors. It may also be because every fiction you weave takes 3.33 minutes off your life.
Assisti à Sylvia neste final de semana. Inútil dizer que o filme é bom, que toca, que rasga e dói… o fez comigo.
Mas cada vez que o recomendo ele parece se banalizar, nas minhas palavras toda aquela emoção torna-se tão ‘comum’. Não assistam, pelo que digo aqui, mas se quiserem da arte a sombra e o silêncio, seja na atuação da Gwyneth Paltrow ou nas palavras sublimes de Sylvia Plath, procurem-na. Geralmente se esconde na prateleira do fundo, coberta pelo pano mortuário…
PALAVRAS
- de Sylvia Plath
Golpe
De machado que fazem soar a madeira,
e os ecos!
Ecos parte
Do centro como cavalos.
A seiva
Jorra como lágrimas, como
água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha
Que cai e rola,
Crânio branco
Comido por ervas daninhas.
Anos depois as encontro
Na estrada ¿
Palavras secas e sem rumo,
Infatigável bater de cascos.
Enquanto
Do fundo do poço estrelas fixa
Governam uma vida.
Findei o volume II das Crônicas de Nárnia ontem. Apesar de o guarda-roupa fazer só uma pontinha no livro, a história é muito boa. Houveram momentos tristes e outros vitoriosos, dúvidas e coragem, e sobretudo um mundo de fantasia impressionante. Mas a história é narrada superficialmente (livro infantil) e muitos detalhes ficam perdidos, o que vai dar uma encheção de lingüiça para o filme.
Para quem curte fantasia medieval e quer um livro de leitura fácil, eu recomendo. Mas sugiro um certo cuidado para não ser crítico demais com a personalidade do autor; ele pode parecer um pouco machista demais, mas isto se deve em muito a cultura da época
cor.te.jar verbo transitivo diret
1. Fazer corte a alguém, galantear, lisonjear – “Ficou pois decidido que se deixaria o campo livre ao mancebo para cortejar a donzela(…)” José de Alencar – Guerra dos Mascates
2. Deferir tratamento cortês a (alguém), tratar educadamente
3. Saudar, cumprimentar – “Não era o mesmo homem que estragava o chapéu em cortejar a vizinhança(…)” Machado de Assis, D. Casmurro
4. Bajular, mimar com o objetivo de conseguir benefício
Alencar era o máximo, mas também curto muito o Machado. Entrelinhas?
Impossível lê-lo sem deixar-se influenciar:
“Os meus sentidos se confundem, faz oito dias que não consigo mais raciocinar, os meus olhos estão cheios de lágrimas. Não me sinto bem em parte alguma e sinto-me bem em toda parte. Não desejo nada, não peço nada. Seria melhor partir.”
- Os Sofrimentos do jovem Werther, de Goethe
…É como se eu fosse um espírito que regressasse ao seu castelo, construído quando ainda era um próspero príncipe e ornamentado com todos os requintes de magnificência, encontrando-o destruído pelo fogo…
- Os Sofrimentos do jovem Werther, de Goethe
Mais engraçado é o fato de ter finalizado, durante a manhã, pouco antes de chegar aqui e ver os blogs dos meus amigos, o trecho do dia 3 de novembro
Findei o Hobbit hoje. Talvez eu faça um breve review, talvez não. Esta segunda leitura me destacou um ponto interessante:
“Vivem muitos anos, têm uma memória boa e transmitem sua sabedoria aos filhos. Eu conhecia muitos corvos das rochas quando era menino. Este pico já foi chamado de Morro do Corvo, porque havia um casal sábio e famoso, o velho Carc e sua esposa, que vivia acima da guartia. Mas não acho que tenha restado algum desta raça antiga por aqui.”
- Thorin Escudo de Carvalho
E foi-se também o Mestre Gil de Ham. Não sei se estou com muito tempo livre (o tempo a caminho é maior agora) ou se estou com um apetite literário realmente grande, mas o fato é que entre idas e vindas finalizei mais um livro nesta semana. Estou em dúvida quanto ao próximo: o Hobbit, talvez?
Quanto ao Mestre Gil de Ham
Junto ao Roverrandom completam as histórias fora-Terra-Média do Tolkien publicadas no Brasil. Ambas são simples e bastante engraçadas, embora pequem um pouco no carisma comparado ao Hobbit. O Personagem principal, Gilles é um fazendeiro pacato e nem um pouco corajoso que se vê em encrecas realmente grandes para o seu tamanho.
Graças a um pouco de sorte e ajuda de sua fiel égua cinzenta, Gil não só consegue vencer os desafios quanto adquire fama e riqueza lendárias. Vai um destaque especial para o cachorro puxa-saco e para o dragão ardiloso.
O estilo bem-humorado de Tolkien empresta um sabor engraçado a história, que tenta explicar a origem dos nomes de alguns dos povoados no interior da Inglaterra.
Junto ao livro, foi anexada uma versão anterior do conto, muito mais simples e de leitura ainda mais simples, que eu gostei ainda mais, por possibilitar a história ser contada por um pai dedicado, coisa que o autor gostaria muito, creio eu