mai
10
2012
- O senhor diz que cria os filmes na sua cabeça antes de filmá-los.
- Sim.
- Já teve alguma surpresa agradável ao ver o filme terminado?
- Na verdade… não. Talvez por saber o quanto eles são diferentes do que eu tinha em mente. É lá que estão os verdadeiros filmes. Depois eu os coloco no papel e, por fim, tenho que filmá-los… para libertá-los de sua prisão.
Dave McKean é um gênio! Essa afirmação é irrelevante aqui, mas não poderia iniciar este pensamento sem isto. Porque ele soube expor em tão poucas linhas o que também penso a respeito dos meus escritos.
Eu crio personagens e histórias, que pouco a pouco adquirem vida, arbítrio e vontade. Deixam de ser pedaços de meu consciente (ou subconsciente) e se tornam sencientes por si só. Então eu escrevo, pois preciso libertá-los do cárcere minha mente.
Por sorte não os filmo. Acredito que não suportaria.
Nisso eu me pareço mais com o Alan Moore.
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mai
9
2012
E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus; E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus…
Apesar dos aspectos psicológicos envolvidos, imaginei essa frase de modo meio literal. Com certeza não é o que o autor – Jacob Levy Moreno – queria com isso, mas me senti confortável em entregar, talvez numa bandeja, minhas lentes a outro.
Relembram aspectos do passado, alguém que prevê sua queda no silêncio e na cegueira e uma disposição minha, sempre presente, no sacrificar-me a este alguém.
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abr
24
2012
Poucas coisas fazem tanta falta hoje quanto o perfume, o toque da camiseta contra o peito e o olhar de admiração.
Daquela admiração pura, simplesmente por se fazer presente e necessário.
Como chocolate ela disse.
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abr
21
2012
As pessoas costumam pensar na morte como algo absoluto, imutável e derradeiro. Recentemente tenho ponderado muito sobre o assunto, lendo conceitos de outros autores e revendo os meus próprios conceitos.
Concluí que a morte é relativa - e bem relativa, diga-se afinal.
- A morte se apresenta em estágios; sendo o primeiro deles o de não-morte (undead). A maior parte de nós está passando neste momento por este estágio, sem prestar atenção a nossa própria mortalidade e ao estágio que virá a seguir.
- Alguns poucos de nós estão no estágio de ligeiramente mortos, já mais conscientes da verdade e do outro lado da moeda. Este estágio exige uma certa reflexão, melancolia e até mesmo alienação.
- O estágio de mortinho da Silva chega com conforto e descanso. Finalmente, após tanta reflexão e estafa psico-filosófica e mental, nos recolhemos ao nosso sono profundo e acreditamos que isto é tudo. É o estágio que os ignorantes tomam por derradeiro.
- Além disto vem o estágio da iluminação, que chamo tão morto como um prego de porta (como citado por Dickens). Nesta etapa vemos o outro lado do espelho, e nos sentimos tentados a partilhar este discernimento com aqueles que estão ainda não estão lá.
- Finalmente, o renascido. Após uma eternidade preso as correntes, caixilhas e pregos no estágio anterior, o indivíduo se consome e desaparece. Perde então a consciência da morte e retorna ao estágio 1.

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mar
28
2012
Odeio você por saber que eu leria,
odeio por me roubar minha paz temporária,
por elogiar e lembrar de mim…
Resta saber se só odeio. #espontaneidade.
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mar
1
2012
Gostaria de me explicar brevemente sobre a indignação de ontem.
Existem vários textos que circulam a internet, em correntes ou apresentações extremamente elaboradas e que são falsamente atribuídas a escritores reconhecidos, Shakespeare em especial. Isto me revolta!
Estes textos de auto-ajuda, populares e em termos atuais pouco condizem com a melodramática obra do autor que fala não tão somente, mas em especial, do amor, a dor que o causa, o tempo e a perda.
É possível que ele nunca tenha existido, é verdade, e seus escritos venham de diversos autores reunidos por um agente empresário, ou que seja um pseudônimo para um nome muito mais humilde. Mesmo isto não serve para desvalorizar ou denegrir a magnífica obra do autor.
Dizem que a ignorância é uma bênção, e parece-me que a sociedade atual concorda, alienada ao real, forja uma cultura falsa que tão brevemente estará infundida nos círculos denominados “intelectuais”, como discursos de graduação em bacharelado.
Ops, isso já aconteceu, e eu presenciei.
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fev
17
2012
Disse que me amava, no passado, presente e vindouro. Encontrei as palavras rascunhadas numa pequena nota, abandonada enquanto a perdia dentro de mim.
Aquele pedaço de papel transcendeu os limites do próprio tempo e imortalizou um sentimento encrustado em sua superfície.
Ainda lembro de como suas garras escaparam ao beiral e mergulhou na escuridão. Somente o silêncio e a marca dos arranhões, que demoraram a desaparecer. Sob a crosta, no entanto, outras lembranças pelas quais não posso sequer agradecer-te, pois não a encontro novamente.
Já tão inserida em meu âmago que desfaz todas as tentativas em percebê-la, separá-la de minha psiquê. Acredito que enlouqueceria se te encontrasse novamente, e perderia-me contigo. Permaneço são portanto, na busca que perdura além da eternidade.
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fev
10
2012
Meu espírito carece de objetividade,
vê o mundo a partir de si mesmo…
Egoísmo, a que escola pertences?
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dez
26
2011
In some folklore fairies (or sidhe) have green eyes and often bite. Though they can confuse one with their words, fairies cannot lie. They hate being told ‘thank you’, as they see it as a sign of one forgetting the good deed done, and, instead, want something that will guarantee remembrance.
- verbete Faerie, na Wikipedia (EN)
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dez
5
2011
Que eu não seja aos meus causa de juízo ou condenação…
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