nov 3 2012

Auto-estima

Muitos dias sinto repugnância por mim mesmo,
mas na maioria deles eu só me odeio…


set 21 2012

In two seconds I will hit the ground…

let it rain… enter rain… exit pain…
– Enter Rain, Pain of Salvation

Para mim a chuva sempre teve o sentido de cura, restauração, libertação.
Gotas gélidas que penetram a pele, carne e chegam até os ossos.
Amenizam a dor, retiram os coágulos e dispersam os fragmentos.
Pedaços de um ser esfacelado, um anjo caído….


set 20 2012

Experiência do vôo

Alçar vôo, desbravar os céus por sobre as nuvens, ganhando altitude em cada corrente ascendente. Descrever círculos no ar, acompanhado dum par de asas e observar, da imensidão, o objetivo de forma mais clara.

Para mim o vôo termina quando as asas se vão, sós em busca de seu objetivo único. E eu, fico para trás, a vislumbrar o chão, cada vez mais perto…


set 5 2012

Sobre o orgulho…

Quero que você ainda tenha muito orgulho de mim… não apenas como estudante/profissional, mas sim como mulher, ao teu lado, contigo!

Difícil ficar indiferente a este tipo de declaração. Meu orgulho se baseia nas escolhas que fazemos, no valor dado ao esforço e a conquista, nas virtudes e mesmo nos pequenos defeitos de convivência.

Meu orgulho, parte inerente de meu ser, é exigente quanto a qualidade, mas honesto quanto ao merecimento. Mal sabe o orgulho que tenho só por estar no mesmo ambiente que ela.


ago 29 2012

Significância

pelo jeito começo a gostar significativamente de ti…

Quisera eu que a sinceridade combinasse melhor com o sentimento altruísta e descompromissado do ser humano.
Ainda assim, quisera eu – ao corresponder – não te ferir com as minhas próprias farpas.


maio 10 2012

Sinal e Ruído 1

– O senhor diz que cria os filmes na sua cabeça antes de filmá-los.

– Sim.

– Já teve alguma surpresa agradável ao ver o filme terminado?

– Na verdade… não. Talvez por saber o quanto eles são diferentes do que eu tinha em mente. É lá que estão os verdadeiros filmes. Depois eu os coloco no papel e, por fim, tenho que filmá-los… para libertá-los de sua prisão.


Dave McKean é um gênio! Essa afirmação é irrelevante aqui, mas não poderia iniciar este pensamento sem isto. Porque ele soube expor em tão poucas linhas o que também penso a respeito dos meus escritos.

Eu crio personagens e histórias, que pouco a pouco adquirem vida, arbítrio e vontade. Deixam de ser pedaços de meu consciente (ou subconsciente) e se tornam sencientes por si só. Então eu escrevo, pois preciso libertá-los do cárcere minha mente.

Por sorte não os filmo. Acredito que não suportaria.
Nisso eu me pareço mais com o Alan Moore.


maio 9 2012

Meus olhos, teus olhos

E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus; E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus…

Apesar dos aspectos psicológicos envolvidos, imaginei essa frase de modo meio literal. Com certeza não é o que o autor – Jacob Levy Moreno – queria com isso, mas me senti confortável em entregar, talvez numa bandeja, minhas lentes a outro.

Relembram aspectos do passado, alguém que prevê sua queda no silêncio e na cegueira e uma disposição minha, sempre presente, no sacrificar-me a este alguém.


abr 24 2012

Perfume, algodão e chocolate

Poucas coisas fazem tanta falta hoje quanto o perfume, o toque da camiseta contra o peito e o olhar de admiração.
Daquela admiração pura, simplesmente por se fazer presente e necessário.
Como chocolate ela disse.


abr 21 2012

Sobre a relatividade na morte

As pessoas costumam pensar na morte como algo absoluto, imutável e derradeiro. Recentemente tenho ponderado muito sobre o assunto, lendo conceitos de outros autores e revendo os meus próprios conceitos.
Concluí que a morte é relativa – e bem relativa, diga-se afinal.

  1. A morte se apresenta em estágios; sendo o primeiro deles o de não-morte (undead). A maior parte de nós está passando neste momento por este estágio, sem prestar atenção a nossa própria mortalidade e ao estágio que virá a seguir.
  2. Alguns poucos de nós estão no estágio de ligeiramente mortos, já mais conscientes da verdade e do outro lado da moeda. Este estágio exige uma certa reflexão, melancolia e até mesmo alienação.
  3. O estágio de mortinho da Silva chega com conforto e descanso. Finalmente, após tanta reflexão e estafa psico-filosófica e mental, nos recolhemos ao nosso sono profundo e acreditamos que isto é tudo. É o estágio que os ignorantes tomam por derradeiro.
  4. Além disto vem o estágio da iluminação, que chamo tão morto como um prego de porta (como citado por Dickens).  Nesta etapa vemos o outro lado do espelho, e nos sentimos tentados a partilhar este discernimento com aqueles que estão ainda não estão lá.
  5. Finalmente, o renascido. Após uma eternidade preso as correntes, caixilhas e pregos no estágio anterior, o indivíduo se consome e desaparece. Perde então a consciência da morte e retorna ao estágio 1.


mar 28 2012

Odeio por saber que eu leria

Odeio você por saber que eu leria,
odeio por me roubar minha paz temporária,
por elogiar e lembrar de mim…

Resta saber se só odeio. #espontaneidade.