mar 10 2011

Ensinamentos de meu Pai

Quando criança, sempre que a necessidade de algum reparo doméstico surgia meu pai me convocava a ajudá-lo. Era comum que eu ficasse por perto, ao lado da caixa de ferramentas e alcançasse ou segurasse para ele qualquer artefato ou ferramenta que necessitasse: resistências de chuveiro, chaves de fenda, fita isolante, um pouco de tudo.

Pouco a pouco meu pai me ensinava lições importantes a respeito. Nunca me pediu para colocar uma peça em seu lugar, ou segurando minhas mãos me orientou a apertar um parafuso; ao contrário evitou em me fornecer técnicas ou ferramentas para a manutenção que ele mesmo podia fazer.

Me privando disto, poderia imaginar que de nada aprendi. Mas ao contrário, meu pai ensinou-me as lições mais preciosas sobre serviço, presteza e diligência; princípios e valores que guiam meus passos ainda hoje.

De modo consciente ou não, meu pai forjou-me numa forma que o mundo nunca será capaz de dobrar.


mar 9 2011

Obras em Vanaheim

Há um lar para os elfos chamado Vanaheim, o reino dos Vanir. É um lugar de prosperidade, de magia e beleza incrustado no seio verde de Asgard.

Por vezes mesmo os elfos precisam reconstruir suas moradas, expandir seu domínio e ocupar melhor os espaços. Fazem esta muda para que a prosperidade possa germinar ainda mais, amparada em sua dedicação e criatividade.

E é neste momento que os Æsir põe seus pés em Vanaheim, trazendo consigo martelos, trompas e seu notável vigor para o trabalho. Juntam-se as mãos e, mesmo que ao fim de uma era hajam cicatrizes e cansaço, o prêmio é imensurável.

Pois a palavra Vanir define a própria amizade.


fev 17 2011

Lembro-me hoje…

Lembro hoje do teu sorriso, aquele incontido e pleno de satisfação quando fazia algo para supreender-te. Lembro, também hoje, o toque da tua camiseta quando me abraçava, os teus braços a volta do meu pescoço, o cheiro que emanava suave do teu pescoço. Lembro hoje que desejavámos não ter fim algo que durante tão pouco tornou-se eterno.

Guardo as lembranças em um baú a minha cabeceira, onde posso ver-te todos os dias; em olhos que não os teus, em vozes que não a tua. Egoísta, por querer hoje partilhar duma alegria, dum momento que não mais a nós pertence. Ao contrário, a um passado que perfeito em seu baú está.


fev 15 2011

O Corvo e o Lobo

Tive um pesadelo; nele o grande lobo era perseguido por um corvo que tinha em seus olhos a sabedoria de Odin. O lobo corria pela liberdade, mas a velocidade do pássaro suplantava seu vigor.

Em poucos instantes alcançou-o em um vôo rasante. Prendeu-se em seu pescoço com as garras afiadas e alçou a haste que brotava em seu peito. Em meu inconsciente o lobo tremeu pela sua liberdade. E revidou.

Abocanhou a asa da valquíria com rancor e ambos os animais se debateram em agonia. E então acordei suado, temendo o significado de minha visão…


fev 10 2011

Promessas & Juramentos

Inevitavelmente tentamos controlar nosso destino, criar fundamentos sólidos para nossos objetivos, relacionamentos e os sentimentos sobre nossa posse. E almejando o sucesso destes, empenhamos nossa palavra.

Quando a entropia finalmente nos alcança, e torna nossos feitos em ruínas, somente as promessas sobrevivem. São contratos perpétuos sobre as pedras que agora jazem ao chão e nunca mais se erguerão. As juras transformam-se em fantasmas a nos apontar os dedos gélidos em acusações cruéis.

Pior! Esses espectros nos cobram a responsabilidade de outros quanto a nossos próprios sentimentos. E quanto à ruína, exigem compensação, justiça ou vingança. E frente a essa ilusória sensação de injustiça, tornamo-nos egoístas e rancorosos.

Minha palavra é impregnada de minha honra e da minha vontade. Não gosto de promessas ou juramentos, pois cada palavra que sai de minha boca já é, por si, testemunho da verdade que habita em mim.

No entanto enfrento hoje os espectros de minha própria ruína.

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fev 2 2011

das Perdas

É curioso como o ser humano dá mais valor às perdas do que as conquistas. Elas podem ser sentidas por meses ou anos a fio, mesmo que seus efeitos tenham sido há muito “superados”.

O buraco deixado por nosso sentimento de posse, a ausência da rotina, tudo isso nos atinge de maneira tal que muitas vezes abala todo nossa percepção do mundo.

Acho que, ao falar de nós, do ser humano, eu quis discursar sobre mim.
Eu sou  assim. Afinal, o que de humano tenho eu?


out 24 2010

Outubro

Em 2009 não houve Outubro… houve trabalho, e muito. Este ano repetiu-se. Houve a inocência é claro, mas isto só me lembra que o tempo corre, ruge e nos alcança. Derruba-nos ao chão e crava suas garras e presas.

Mas minha carapaça permanece, mais forte com as eras. Cresce por dentro através dos ressentimentos contidos e me torna mais forte, rígido e bestial. Agora sou eu a derrubar o tempo e cravar nele minhas farpas.

Clamo a vitória que é minha…


jul 29 2010

O Último dos Cinzentos

Quase uma Era se foi. Para os elfos não pareceu mais que meia década, mas para os humanos toda uma geração envelheceu e partiu. Para a maioria dos humanos ao menos.

Apesar dos anos permaneço de pé, com as costas retas, a face altiva. A velhice me atingiu de sua maneira arrebatadora, tingindo em prata meus cabelos e ofuscando o brilho do olhar.
Mas a morte não veio, não levou consigo a vivacidade e o ardor de um guerreiro.

Mas isto porque, e somente porque, me nego a desistir, me agarrando aos últimos fiapos de esperança, às promessas e àquela vontade de vislumbrar o fim…


fev 18 2010

Mediunidade

Me acostumei de tal forma aos fantasmas,
que não percebo mais quais são reais
e quais são os de minha própria criação.


mar 5 2009

2009 – 2015

2015 parece um bom ano.
Mas para aqueles que amam a morte,
todo ano pode ser bom.