abr
24
2011

Alesha Phillips, interpretada por Freema Agyeman
Normalmente não me interesso por juristas, sejam defensores ou contraditórios, mas o jeito com que ela atua, seu vigor e a contenda me despertaram um sentimento singular.
Claro, une-se a isso lábios delgados a demonstrar contrariada rebeldia ou o sorriso franco, o olhar questionador de sobrancelhas devidamente arqueadas e os cachos a emoldurar-lhe a tez; características que me recordam outra beleza ímpar.
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abr
11
2011
“Não há como resgatar os que morreram, Nihal. Não há no mundo qualquer tesouro bastante precioso para resgatar uma única vida.”
- Ido, em A Garota da Terra do Vento, Cônicas do Mundo Emerso
Nesta manhã, enquanto questionava o meu valor, surpreendi-me com este trecho. Acredito ainda que minhas dúvidas acerca de mim mesmo são válidas, mas perdem e muito o sentido quando comparadas àquelas sobre as pessoas que eu sofri em ver partir.
Lembrei-me de minha amiga, tão cheia de vida e radiância e intui, que sua vida – principalmente agora – é muito mais valiosa do que a minha, e de que qualquer outro tesouro que eu ousasse conquistar para resgatá-la.
Me conforta somente o fato de que, um dia, valerá também a minha tal exorbitância. E por causa disto, não haverá ninguém capacitado a resgatá-la.
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mar
30
2011
Entraria na DP exibindo as marcas do delito. Se me perguntassem se gostaria de prestar queixa, responderia: Não, só vim me gabar!
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mar
2
2011
Nesta segunda recebi a notícia de minha aprovação no seletivo para o mestrado, acompanhado por um e-mail de minha orientadora questionando as disciplinas que eu gostaria de participar.
Enviei também um e-mail para uma amiga minha parabenizando-a pelo sucesso no Desafio Solar em que a equipe dela, estreante, ficou em quarto lugar. Recebi uma resposta bem-humorada e uma série de boas notícias.
E então me vi com novos objetivos, reavendo as amizades e animado novamente.
Obviamente não durou muito. Já ontem me deparei com a minha falta de vontade e o meu fatalismo exacerbado: não sei o porquê destes novos objetivos e pressinto que logo levantarei farpas contra os mais próximos novamente.
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fev
10
2011
Inevitavelmente tentamos controlar nosso destino, criar fundamentos sólidos para nossos objetivos, relacionamentos e os sentimentos sobre nossa posse. E almejando o sucesso destes, empenhamos nossa palavra.
Quando a entropia finalmente nos alcança, e torna nossos feitos em ruínas, somente as promessas sobrevivem. São contratos perpétuos sobre as pedras que agora jazem ao chão e nunca mais se erguerão. As juras transformam-se em fantasmas a nos apontar os dedos gélidos em acusações cruéis.
Pior! Esses espectros nos cobram a responsabilidade de outros quanto a nossos próprios sentimentos. E quanto à ruína, exigem compensação, justiça ou vingança. E frente a essa ilusória sensação de injustiça, tornamo-nos egoístas e rancorosos.
Minha palavra é impregnada de minha honra e da minha vontade. Não gosto de promessas ou juramentos, pois cada palavra que sai de minha boca já é, por si, testemunho da verdade que habita em mim.
No entanto enfrento hoje os espectros de minha própria ruína.
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fev
4
2011
Sonhei com a rainha. Ela conversava comigo e embora eu não possa lembrar as palavras havia reconciliação em seu olhar.
E durante a manhã fui visitado pelo rei. Seu olhar permanece reprovador e eu acredito que ainda me condene ao imaginar que eu ousei tomar seu trono.
Permanece também de porte altivo, austero e confiante. Mas eu vislumbro o peso que cai sobre seus ombros.
Há poucos dias percebi que mantém encontros secretos junto ao portão de seu palácio, onde a solidão vem ter consigo.
Eu o invejo, mesmo que a Suavidade tenha partido para longe e a Inocência lhe traga angústias e preocupações.
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nov
26
2010
Vejo as colunas de fumaça se erguendo e rezo pela tua segurança…
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nov
13
2010
Decidiu sua partida entre sorrisos. Ajudei-a a encher dois grandes baús com prata, rendas, veludo e artigos de porcelana. No terceiro ficaram guardadas as lembranças de caçadas, flores secas e lençóis.
Por fim, tomei sua mão e acompanhei seu embarque. Navegou para o norte longínquo, sob um céu púrpura e dourado…
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out
24
2010
Em 2009 não houve Outubro… houve trabalho, e muito. Este ano repetiu-se. Houve a inocência é claro, mas isto só me lembra que o tempo corre, ruge e nos alcança. Derruba-nos ao chão e crava suas garras e presas.
Mas minha carapaça permanece, mais forte com as eras. Cresce por dentro através dos ressentimentos contidos e me torna mais forte, rígido e bestial. Agora sou eu a derrubar o tempo e cravar nele minhas farpas.
Clamo a vitória que é minha…
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nov
27
2008
A primeira percepção que tivemos ao abrir a porta,
o cheiro fétido, pútrido, estagnado no ar.
Esteve ali por dias e tomou a casa como se fosse sua,
tingiu os móveis, cobriu o chão e as paredes.
Considerando-se o uso medicinal de substâncias de similar odor,
a lama seria um bálsamo restaurador,
aliviaria os males da pele, da carne, e mesmo da mente,
mas nunca a seria para as efermidades olfativas.
Inversamente ao odor nostálgico da terra molhada,
a lama é repulsiva, impregna as roupas e a pele e,
ao final do dia, quando tudo começa a parecer limpo e liberto,
a alma ainda fede, ao cheiro da lama.
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