Resenha: Lolita, de Vladimir Nabokov
Ganhei o livro de presente da Mariko há alguns anos, embora ela só me tenha entregue na última visita, portanto eu posso afirmar que era bastante esperado. A leitura me tomou umas duas ou três semanas, nos meus intervalos de almoço. O romance foi escrito de um modo um tanto peculiar e supreende (e deve ter estarrecido muitas pessoas na época de sua publicação).
O livro narra as desventuras do “artista sem-obras” Humbert Humbert, que se vê envolvido por uma nymphet, como ele mesmo denomina as meninas por que se atraí. Dolores (Lolita) é uma garota impulsiva e de temperamento forte, que acabar por preocupar e torturar a vida do protagonista. Escrito em primeira pessoa, o livro me trouxe uma primeira impressão bastante asqueroza, conforme me eram revelados os pensamentos mais íntimos de Humbert, no entanto, com o desenrolar da história surgem outros aspectos em evidência, como sua insegurança e obsessão.
Esta última em especial me aproximou do personagem, ao notar-me características similares. Afora isto, alguns elementos macabros parecem inspirados no Poe. Eu aconselho a leitura, a todos aqueles a quem a miséria humana interessa, e reprovo a todos que esperam uma obra repleta de “situações picantes” ou diálogos “surfistinianos”.
Sylvia
Assisti à Sylvia neste final de semana. Inútil dizer que o filme é bom, que toca, que rasga e dói… o fez comigo.
Mas cada vez que o recomendo ele parece se banalizar, nas minhas palavras toda aquela emoção torna-se tão ‘comum’. Não assistam, pelo que digo aqui, mas se quiserem da arte a sombra e o silêncio, seja na atuação da Gwyneth Paltrow ou nas palavras sublimes de Sylvia Plath, procurem-na. Geralmente se esconde na prateleira do fundo, coberta pelo pano mortuário…
PALAVRAS
- de Sylvia Plath
Golpe
De machado que fazem soar a madeira,
e os ecos!
Ecos parte
Do centro como cavalos.
A seiva
Jorra como lágrimas, como
água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha
Que cai e rola,
Crânio branco
Comido por ervas daninhas.
Anos depois as encontro
Na estrada ¿
Palavras secas e sem rumo,
Infatigável bater de cascos.
Enquanto
Do fundo do poço estrelas fixa
Governam uma vida.
O Retrato de Dorian Gray
Findei esta manhã o Retrato de Dorian Gray. Não vi nele um livro sobre a cultura ou a beleza (como muitos afirmam ser), mas sim um tratado sobre pecados. Tanto quanto o Sharpe é fundamentado sobre as virtudes do ser humano, Dorian Gray é baseado em seus pecados. Ou talvez o contrário.
É um livro terrível, que me fere tal qual uma lâmina polida, repleto de simbologias e filosofias de Wilde a respeito a humanidade. Me fere, como o orgulho que me golpeia com a honra, da maneira sutil que o livro tem em dizer que poder-se ser belo ou bom, nunca ambos.
Creio ter escolhido a bondade, e afastei de minha vida a beleza; claro que não de todo, pois vivi prazeres (diria emoções?) de que minha mente se recorda, mas prazeres estes subjugados pela razão e pela virtude. E tornei bom, tanto quanto meus olhos se tornaram cinzentos ao fazê-lo
A Lenda
Um épico da fantasia no cinema (ao menos para os rpgistas), o filme de 85 é um dos primeiros trabalhos de Tom Cruise. O jovem Jack é um guardião da floresta, que conhece a linguagem dos animais e compartilha da companhia de fadas e unicórnios (ranger de 3º nível, hahahah) e obviamente, é apaixonado pela princesa Lily (Mia Sara).
Quando, certo dia, conduz a dama ao bosque para admirar os unicórnios, um terrível mal se abate sobre a terra. Então, para restaurar o equilíbrio, ele deve empunhar armas contra o maligno Escuridão, demoníaco senhor de imensa malevolência. Para auxiliá-lo, um elfo-faerie, dois gnomos hilariantes e uma fadinha luxuriosa (e ciumenta).
O filme é um espetáculo de cores e efeitos, mesmo sem utilizar-se de efeitos de computação gráfica. Os personagens não-humanos foram muito bem trabalhados e as tomadas no bosque são espetaculares.
Eu tive de comprar uma cópia
O Tigre de Sharpe
Cornwell segue a linha de pesquisador neste livro, esclarecendo nuances da vida de um soldado inglês durante a invasão das Índias em 1799. O pobre do Sharpe, um recruta é requisitado a uma missão muito importante – ele deve desertar – missão esta que ele não pode dispensar, a não ser que prefira as duas mil chibatadas. A narrativa empolgante do autor faltou um pouco neste livro, mas não de todo. O final ficou marcado por uma série de acontecimentos heróicos que o deixam um pouco hollywoodiano, mas nenhum destes realmente impossível de ter acontecido. Neste livro, o personagem principal é realmente o herói, acompanhado por um escudeiro trapalhão (embora não torne nenhuma passagem engraçada) num ambiente hostil a sua presença e caçado por seus próprios companheiros. Felizmente Sharpe ainda tem muito a se mostrar nos 8 livros seguintes e, por ter a assinatura de Bernard Cornwell, eu não vou perdê-los
O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
E o filme? Eu o vi ontem, em boa companhia; amigos próximos e colegas, várias pessoas com interesse pelas crônicas e amantes de fantasia em geral. E o filme foi bom. Ficou infantil e houveram várias alterações de modo a preencher algumas lacunas no texto original e deixar o filme mais agradável (para as crianças principalmente), e somente dois cortes bruscos: a frase no topo do blog, que foi talhada na metade e a participação do gigante Rumbacatamau, que foi reduzida (pena!).
Mas o sentido geral da obra foi mantido, assim como as virtudes demonstradas em cada personagem, [spoiler:] em especial na relação leão-cristo em Aslam. Mas como eu mencionei antes, isto tudo tem a ver com a personalidade do Lewis, a cultura da época e tudo mais.
Os efeitos especiais são impressionantes, com destaque para os animais (falantes!), os grifos e a fênix, os centauros, sátiros e os espíritos das árvores. Do lado da feiticeira todos ficaram muito monstruosos (nada de realmente novo), mas os minotauros apresentam uma altivez em especial.
Resenha: O Hobbit
Findei o Hobbit hoje. Talvez eu faça um breve review, talvez não. Esta segunda leitura me destacou um ponto interessante:
“Vivem muitos anos, têm uma memória boa e transmitem sua sabedoria aos filhos. Eu conhecia muitos corvos das rochas quando era menino. Este pico já foi chamado de Morro do Corvo, porque havia um casal sábio e famoso, o velho Carc e sua esposa, que vivia acima da guartia. Mas não acho que tenha restado algum desta raça antiga por aqui.”
- Thorin Escudo de Carvalho
Resenha: Mestre Gil de Ham
E foi-se também o Mestre Gil de Ham. Não sei se estou com muito tempo livre (o tempo a caminho é maior agora) ou se estou com um apetite literário realmente grande, mas o fato é que entre idas e vindas finalizei mais um livro nesta semana. Estou em dúvida quanto ao próximo: o Hobbit, talvez?
Quanto ao Mestre Gil de Ham
Junto ao Roverrandom completam as histórias fora-Terra-Média do Tolkien publicadas no Brasil. Ambas são simples e bastante engraçadas, embora pequem um pouco no carisma comparado ao Hobbit. O Personagem principal, Gilles é um fazendeiro pacato e nem um pouco corajoso que se vê em encrecas realmente grandes para o seu tamanho.
Graças a um pouco de sorte e ajuda de sua fiel égua cinzenta, Gil não só consegue vencer os desafios quanto adquire fama e riqueza lendárias. Vai um destaque especial para o cachorro puxa-saco e para o dragão ardiloso.
O estilo bem-humorado de Tolkien empresta um sabor engraçado a história, que tenta explicar a origem dos nomes de alguns dos povoados no interior da Inglaterra.
Junto ao livro, foi anexada uma versão anterior do conto, muito mais simples e de leitura ainda mais simples, que eu gostei ainda mais, por possibilitar a história ser contada por um pai dedicado, coisa que o autor gostaria muito, creio eu
Resenha: O Cavaleiro Inexistente, Italo Calvino
Terminei a pouco de ler o “Cavaleiro Inexistente” do Italo Calvino. O livro é fantástico na idéia e nas questões filosóficas, mas peca um pouco na narrativa, especialmente no desfecho. Creio que se deve um pouco ao estilo rápido de narrativa do autor. Um livro pequeno, que entretém tranquilamente uma viagem de ônibus.
O livro narra a saga de um cavaleiro bravo e honrado que é posto em dúvida quanto ao seu direito ao título de cavaleiro e ao nome que possui. O problema é que este título é tudo o que este cavaleiro é, realmente; além de uma armadura que move-se sozinha por pura vontade do tal Agilulfo (esse é o nome do improvável sir).
Então o cavaleiro inexistente é uma fábula de dedicação e ideais tão pouco encontrados hoje em dia, representados num cavaleiro que não existe. Sinceramente não sei porque a Dani me presenteou com este livro (ironia)