set 8 2009

Resenha: Deathstars – Night Electric Night

Banda: Deathstars
Álbum: Night Electric Night
Estilo: Gothic/Industrial Metal
Gravadora: Nuclear Blast/Laser Company
CD Nacional – simples
Ano: 2009
País: Suécia
Tempo: 54:47
Nº de faixas: 14 músicas.

Home Page Oficial: www.deathstars.net

A banda sueca Deathstars foi criada em 2000 a partir dos remanecentes do Swordmaster, um projeto de black metal e, tendo suas origens no auge do movimento industrial, adotou o estilo reunindo algumas características do gothic, com influências de Rammstein e Marilyn Manson.

O terceiro álbum da banda, Night Electric Night tem o compromisso de apresentar a evolução e maturidade do Deathstars, objetivo alcançado com certas ressalvas. A sonoridade é o ponto forte do álbum, com arranjos bastante energéticos e um instrumental elaborado. Os teclados e sintetizadores ficam em evidência embora a música não esteja tão eletrônica quanto os primeiros álbuns da banda.

O vocal de Whisplasher Bernadotte acrescenta uma característica sensual a música, com evoluções constantes e ritmadas. A estrutura das músicas contribui neste aspecto rítmico, com repetições freqüentes e uma construção composta por três estrofes intercaladas por um refrão rápido. Na letra sobressaem-se temas como o suicídio (ou assassinato) e referências banais a pornografia.

As melhores músicas foram reunidas no início do CD, especialmente a música título Night Electric Night e Death Dies Hard, que são empolgantes e logo se fixam no subconsciente. Chertograd e The Mark of the Gun têm também seus aspectos marcantes, mas neste trabalho minha preferida é Via the End, que pouco tem em comum com o estilo da banda e evidencia uma melancolia pessoal e a quase ausência dos elementos eletrônicos.

Após esta, o álbum retorna rapidamente a um padrão que se segue até o final e, apesar dos riffs interessantes de Opium e o vocal diferenciado em The Fuel Ignites, pouca diversidade é acrescentada no trabalho da banda. A edição Gold do álbum conta ainda com duas versões remixadas da música título e uma Via the End em piano ainda mais dramática que a original. Night Electric Night é um álbum agradável do início ao fim, embora deixe um pouco a desejar na diversidade.

Lançado no início deste ano pela Nuclear Blast, o CD teve todas as músicas escritas pelo guitarrista Nightmare Industries com pequenas participações de Cat Casino e Rikard Löfgren. A qualidade de gravação é excelente, assim como a arte do encarte que possui uma tipografia incomum e um ar retrô.

Formação:
Nightmare Industries – guitarra, teclados
Whiplasher Bernadotte – vocais
Cat Casino – guitarra
Skinny Disco – baixo, vocal de apoio
Bone W. Machine – bateria

Track List:
01. Chertograd
02. Night Electric Night
03. Death Dies Hard
04. The Mark Of The Gun
05. Via The End
06. Blood Satins Blondes
07. Babylon
08. The Fuel Ignites
09. Arclight
10. Venus In Arms
11. Opium
12. Night Electric Night (The Night Ignites Remix)
13. Via The End (Piano Mix)
14. Night Electric Night (Featuring Adrian Erlandsson)


nov 13 2008

Resenha: Tiamat – Amanethes

A banda Tiamat, que já foi considerada death metal, reforça seu já consagrado lugar no gothic/doom europeu com o lançamento de seu mais recente trabalho, o ábum Amanethes. O nome faz referência a uma palavra turca que descreve uma espécie de música lenta e repetitiva, repleta de dor e tristeza.

Estas características são marcantes nas músicas do álbum, que contém um som caótico, repleto de notas dissonantes e muitos contrastes entre os instrumentos e o vocal; em determinados momentos há teclados que parecem combater a bateria, noutros o próprio vocal rasgado tenta se opor ao volume das guitarras. As letras se restringem aos elementos góticos, com referências ocasionais a anjos e ao demônio, mas o conflito e a tristeza pessoais (o Aman) são os elementos mais evidentes.

As primeiras músicas (de nomes maiores) lembram os trabalhos mais antigos da banda, de som mais sujo e arranjos mais rudes, mas que exigem muito dos instrumentos. Until the Hellhounds Sleep Again se segue num ritmo melancólico, uma música sem clímax e com um refrão repetitivo que logo fica grudado na mente.

Entre quarta e a oitava faixas, as músicas têm uma tendência opressiva, variando muitas vezes o ritmo na própria evolução, mas sem grandes destaques. Um recheio digno para a obra que fornece uma oportunidade para os instrumentais fazerem suas aparições. Em determinados momentos, como em Raining Dead Angels, surge um back vocal feminino quebrando a “desarmonia” do conjunto.

A faixa 9 é uma das que mais me agradou, com sua constância e musicalidade mais apuradas, Misantropolis é o prenúncio para o momento mais calmo do álbum, fator que é compartilhado nas músicas que se seguem, Amanitis e Meliae.

Vila Dolorosa é um retorno ao clima opressivo e pesado do CD, onde o ritmo constante é rompido ocasionalmente pelos vocais gritados de Johan. Circles e Amanes encerram o álbum lentamente, como se a própria música estivesse escorrendo aos poucos para uma morte anunciada.

Lançado em abril deste ano pela Nuclear Blast, o CD foi produzido por Johan Edlund, vocalista da banda e gravado no The Mansion – Grécia e na Suécia. As faixas foram disponibilizadas no MySpace da banda (http://www.myspace.com/tiamat) para aqueles que quiserem experimentar o som. Mas este é um álbum que vale cada centavo gasto.

Formação:
Johan Edlund: vocais, guitarra
Lars Sköld: bateria
Anders Iwers: baixo
Thomas Petersson: guitarra

Set List:
01. The Temple Of The Crescent Moon
02. Equinox Of The Gods
03. Until The Hellhounds Sleep Again
04. Will They Come?
05. Lucienne
06. Summertime Is Gone
07. Katarraktis Apo Aima
08. Raining Dead Angels
09. Misantropolis
10. Amanitis
11. Meliae
12. Via Dolorosa
13. Circles
14. Amanes


maio 30 2008

Resenha: Umbra et Imago – Die Welt Brennt

Banda: Umbra et Imago
DVD: Die Welt Brennt (O Mundo se Incendeia)
Estilo: Gothic Metal
Produtora: Skowronek Audiovisuell / Spirit Productions
Distribuidora: Hellion Records
DVD & CD Nacional
Ano: 2002
País: Alemanha
Conteúdo: DVD: Show em Dresden – Alemanha (Outubro de 2001), Extras (entrevista e faixa bônus). CD: Áudio do show em Dresden – Alemanha.

Home Page Oficial: http://www.umbraetimago.de/

Associar metal gótico a língua alemã já é bastante natural, e “Umbra et Imago” (Sombra e Imagem) foi uma das bandas a fortalecer este estereótipo. Com influência das obras de Freud e Nietzsche, o Umbra abusa da sexualidade, das fantasias e sado-masoquismo como tema em suas músicas, com letras cínicas e críticas a mídia.

Ao assistir o “Die Welt Brennt” é fácil notar na sonoridade do Umbra aquele toque opressivo do gothic, com evoluções lentas e um vocal profundo e claro, características herdadas de Mozart – vocal principal e compositor. O back vocal gutural e arranjos fica a cargo de Lutz Demmler – baixista – que é ponto forte no instrumental; a banda ainda conta com Freddy – guitarras – e Migge – bateria – que conseguem uma boa harmonia com o restante do conjunto, mas sem características marcantes. Sintetizadores, teclados e distorções completam o arranjo.

O show é cercado por uma atmosfera sombria e a aparência dos membros da banda – especialmente Mozart e Lurtz – contribuem neste aspecto. A presença de palco de Mozart é repleta por encenações teatrais, com a participação de duas modelos que constantemente aparecem ao fundo do palco realizando atuações sensuais de sado-masoquismo. Correntes, velas e roupas de couro são os acessórios comuns das moças, além da exposição despudorada de seus corpos.

O DVD conta com músicas de todas a carreira da banda, abrangendo os álbuns Gedanken eines Vampirs (1994), Machina Mundi (1997), Mea Culpa (1999), Dunkle Energie (2001) e Motus Animi (2004). Entre os hits posso citar Mea Culpa, Goth’ Music, Lieber Gott e Alles Schwarz. Fica o destaque para as interpretações de White Wedding (do Billy Idol) e Rock me Amadeus (música pop do Falco).

Apesar da locação pequena e escura, a qualidade de áudio está muito boa para um DVD ao vivo. Os extras incluem uma hora e meia de entrevistas, além de uma faixa bônus – uma participação no Crazy Clip Show. A falta de legendas nas entrevistas é um ponto negativo, a não ser que você entenda um pouco de alemão.

Em resumo, o “Die Welt Brennt” é um show para ser apreciado vagarosamente e com atenção, como uma boa taça de vinho tinto. Fica a recomendação para aqueles que curtem o gênero.


ago 30 2007

Resenha: Lolita, de Vladimir Nabokov

Ganhei o livro de presente da Mariko há alguns anos, embora ela só me tenha entregue na última visita, portanto eu posso afirmar que era bastante esperado. A leitura me tomou umas duas ou três semanas, nos meus intervalos de almoço. O romance foi escrito de um modo um tanto peculiar e supreende (e deve ter estarrecido muitas pessoas na época de sua publicação).
O livro narra as desventuras do “artista sem-obras” Humbert Humbert, que se vê envolvido por uma nymphet, como ele mesmo denomina as meninas por que se atraí. Dolores (Lolita) é uma garota impulsiva e de temperamento forte, que acabar por preocupar e torturar a vida do protagonista. Escrito em primeira pessoa, o livro me trouxe uma primeira impressão bastante asqueroza, conforme me eram revelados os pensamentos mais íntimos de Humbert, no entanto, com o desenrolar da história surgem outros aspectos em evidência, como sua insegurança e obsessão.
Esta última em especial me aproximou do personagem, ao notar-me características similares. Afora isto, alguns elementos macabros parecem inspirados no Poe. Eu aconselho a leitura, a todos aqueles a quem a miséria humana interessa, e reprovo a todos que esperam uma obra repleta de “situações picantes” ou diálogos “surfistinianos”.

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jun 28 2006

Sylvia

Assisti à Sylvia neste final de semana. Inútil dizer que o filme é bom, que toca, que rasga e dói… o fez comigo.
Mas cada vez que o recomendo ele parece se banalizar, nas minhas palavras toda aquela emoção torna-se tão ‘comum’. Não assistam, pelo que digo aqui, mas se quiserem da arte a sombra e o silêncio, seja na atuação da Gwyneth Paltrow ou nas palavras sublimes de Sylvia Plath, procurem-na. Geralmente se esconde na prateleira do fundo, coberta pelo pano mortuário…

PALAVRAS
– de Sylvia Plath

Golpe
De machado que fazem soar a madeira,
e os ecos!
Ecos parte
Do centro como cavalos.

A seiva
Jorra como lágrimas, como
água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido por ervas daninhas.
Anos depois as encontro
Na estrada ¿

Palavras secas e sem rumo,
Infatigável bater de cascos.
Enquanto
Do fundo do poço estrelas fixa
Governam uma vida.

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mar 7 2006

O Retrato de Dorian Gray

Findei esta manhã o Retrato de Dorian Gray. Não vi nele um livro sobre a cultura ou a beleza (como muitos afirmam ser), mas sim um tratado sobre pecados. Tanto quanto o Sharpe é fundamentado sobre as virtudes do ser humano, Dorian Gray é baseado em seus pecados. Ou talvez o contrário.
É um livro terrível, que me fere tal qual uma lâmina polida, repleto de simbologias e filosofias de Wilde a respeito a humanidade. Me fere, como o orgulho que me golpeia com a honra, da maneira sutil que o livro tem em dizer que poder-se ser belo ou bom, nunca ambos.
Creio ter escolhido a bondade, e afastei de minha vida a beleza; claro que não de todo, pois vivi prazeres (diria emoções?) de que minha mente se recorda, mas prazeres estes subjugados pela razão e pela virtude. E tornei bom, tanto quanto meus olhos se tornaram cinzentos ao fazê-lo

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fev 6 2006

A Lenda

Um épico da fantasia no cinema (ao menos para os rpgistas), o filme de 85 é um dos primeiros trabalhos de Tom Cruise. O jovem Jack é um guardião da floresta, que conhece a linguagem dos animais e compartilha da companhia de fadas e unicórnios (ranger de 3º nível, hahahah) e obviamente, é apaixonado pela princesa Lily (Mia Sara).
Quando, certo dia, conduz a dama ao bosque para admirar os unicórnios, um terrível mal se abate sobre a terra. Então, para restaurar o equilíbrio, ele deve empunhar armas contra o maligno Escuridão, demoníaco senhor de imensa malevolência. Para auxiliá-lo, um elfo-faerie, dois gnomos hilariantes e uma fadinha luxuriosa (e ciumenta).
O filme é um espetáculo de cores e efeitos, mesmo sem utilizar-se de efeitos de computação gráfica. Os personagens não-humanos foram muito bem trabalhados e as tomadas no bosque são espetaculares.
Eu tive de comprar uma cópia

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jan 26 2006

O Tigre de Sharpe

Cornwell segue a linha de pesquisador neste livro, esclarecendo nuances da vida de um soldado inglês durante a invasão das Índias em 1799. O pobre do Sharpe, um recruta é requisitado a uma missão muito importante – ele deve desertar – missão esta que ele não pode dispensar, a não ser que prefira as duas mil chibatadas. A narrativa empolgante do autor faltou um pouco neste livro, mas não de todo. O final ficou marcado por uma série de acontecimentos heróicos que o deixam um pouco hollywoodiano, mas nenhum destes realmente impossível de ter acontecido. Neste livro, o personagem principal é realmente o herói, acompanhado por um escudeiro trapalhão (embora não torne nenhuma passagem engraçada) num ambiente hostil a sua presença e caçado por seus próprios companheiros. Felizmente Sharpe ainda tem muito a se mostrar nos 8 livros seguintes e, por ter a assinatura de Bernard Cornwell, eu não vou perdê-los

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dez 12 2005

O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa

E o filme? Eu o vi ontem, em boa companhia; amigos próximos e colegas, várias pessoas com interesse pelas crônicas e amantes de fantasia em geral. E o filme foi bom. Ficou infantil e houveram várias alterações de modo a preencher algumas lacunas no texto original e deixar o filme mais agradável (para as crianças principalmente), e somente dois cortes bruscos: a frase no topo do blog, que foi talhada na metade e a participação do gigante Rumbacatamau, que foi reduzida (pena!).
Mas o sentido geral da obra foi mantido, assim como as virtudes demonstradas em cada personagem, [spoiler:] em especial na relação leão-cristo em Aslam. Mas como eu mencionei antes, isto tudo tem a ver com a personalidade do Lewis, a cultura da época e tudo mais.
Os efeitos especiais são impressionantes, com destaque para os animais (falantes!), os grifos e a fênix, os centauros, sátiros e os espíritos das árvores. Do lado da feiticeira todos ficaram muito monstruosos (nada de realmente novo), mas os minotauros apresentam uma altivez em especial.

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jul 12 2005

Resenha: O Hobbit

Findei o Hobbit hoje. Talvez eu faça um breve review, talvez não. Esta segunda leitura me destacou um ponto interessante:

“Vivem muitos anos, têm uma memória boa e transmitem sua sabedoria aos filhos. Eu conhecia muitos corvos das rochas quando era menino. Este pico já foi chamado de Morro do Corvo, porque havia um casal sábio e famoso, o velho Carc e sua esposa, que vivia acima da guartia. Mas não acho que tenha restado algum desta raça antiga por aqui.”
– Thorin Escudo de Carvalho

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