mai
17
2009
São eras que se passam, milênios enfim,
sucedem-se deixando um legado maior
que os monumentos em ruínas.
As histórias de um povo, contos de outrora,
são passados de pai a filho
como se meras recordações.
Mas são os fantasmas nas sombras,
a ouvir as histórias mais uma vez
que se regozijam pela lembrança.
Nem mortos nem vivos,
desejam nada mais enfim
que reviver as eras que se foram.
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abr
15
2009
Graças ao Patch Adams, e por Paulo Neruda, encontrei estes versos:
A Dança
Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim simplesmente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalianavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
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fev
17
2009
Noite passada tive um pesadelo,
onde um lobo e um corvo negro juntos
montavam guarda junto a meu túmulo
posto no alto de uma colina fria.
Pouco além, a oeste da laje branca,
duas árvores altas cresceram entrelaçadas:
a primeira era verdejante e coberta de musgo
e a segunda, cinzenta e estéril.
Fato mais surpreendente no entanto,
a imensidão de pequenas gaiolas penduradas
que continham as mais variadas fadas e sprites.
Umas debatiam-se, outras há muito silenciaram,
sabe-se aguardando um fim ainda vindouro
ou velando uma alma outrora derrotada?
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nov
27
2008
A primeira percepção que tivemos ao abrir a porta,
o cheiro fétido, pútrido, estagnado no ar.
Esteve ali por dias e tomou a casa como se fosse sua,
tingiu os móveis, cobriu o chão e as paredes.
Considerando-se o uso medicinal de substâncias de similar odor,
a lama seria um bálsamo restaurador,
aliviaria os males da pele, da carne, e mesmo da mente,
mas nunca a seria para as efermidades olfativas.
Inversamente ao odor nostálgico da terra molhada,
a lama é repulsiva, impregna as roupas e a pele e,
ao final do dia, quando tudo começa a parecer limpo e liberto,
a alma ainda fede, ao cheiro da lama.
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ago
29
2008
Um mundo de trevas, uma noite eterna,
Time to discover what lies hidden in the sand
Os olhos não se abrem para a noite,
Time for renewal and to be cleansed by the hand
Minh’alma não se expõe para a luz.
To heal me relieve me
Mas conserva a vontade, o ardor,
Heal me
De rever seus estilhaços.
Release me while I’m still breathing
- com base na música Faith Restored, Evergrey
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jun
17
2008
Os versos não vejo mais,
inspiração que outrora me visitava
esqueceu-se, desapareceu.
E a poesia, tão amada,
me pede o divórcio, desgraçada
e foge com um conto meu.
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jun
13
2008
Sou assombrado, é verdade,
por criaturas de minha própria criação;
que pequenas, aparecem sorrindo à janela
ou ligeiras, esgueiram-se ao canto do olhar.
Cogito a tese de ser eu mesmo
o fantasma de todos os meus assombros,
oculto aos olhares, tramando peças,
clamando e amaldiçoando.
Teço melodias para a noite,
arcordes dissoantes e notas ressoantes
libertam-me de minha dor e minha alegria.
Desço as cortinas para a platéia da vida,
envolto nas sombras desapareço
esperando que a maldição se cumpra
[ ou se vá.
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mai
29
2008
Quão belas são as asas,
as penas pelo chão espalhadas.
O branco sobre o cinza,
a trama sobre o asfalto.
Gotas viscosas e rubras
que unem toda a obra.
Quão belas e terríveis,
as verdades que dilaceram.
Pequenas tais quais as penas
entre cacos de vidro.
E sobretudo numerosas
embora formem um único pesar…
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ago
31
2007
Mário Quintana (indicada pela Mari)
Como estranhas lembranças de outras vidas,
Que outros viveram, num estranho mundo,
Quantas coisas perdidas e esquecidas
No teu baú de espantos… Bem no fundo,
Uma boneca toda estraçalhada!
(isto não são brinquedos de menino…
alguma coisa deve estar errada)
mas o teu coração em desatino
te traz de súbito uma idéia louca:
é ela, sim! Só pode ser aquela
a jamais esquecida Bem-Amada
e em vão tentas lembrar o nome dela…
e em vão ela te fita… e a sua boca
tenta sorrir-te mas está quebrada!
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ago
12
2007
A tua/minha cruz, que há muito pensava ter perdido,
descubro hoje a minha cabeceira, todo este tempo,
permanecera me observando.
E não só ela, pois meus/teus amigos ainda lembram
das coisas que esqueço ou me/te impeça
de acreditar.
Ah, senhorita das gavinhas; tal alcunha,
surgida em outros lábios não tão singelos
resume-te tão completamente.
Cingo-me novamente de tua/minha cruz,
finjo-lhe reverência ao polir-lhe o ventre e o dorso
e alço-lhe os braços ávidos
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