jan
31
2012
Que venha a tormenta, sua chuva, ventania e trovões,
que atinja o campo de batalha com força e domínio,
e que seus raios me partam em inúmeras frações
libertando estas sendas de seu senhor mais sombrio.
Que os fragmentos de minh’alma possam então divididos,
ao invés de disputados; cada peça de mim um penhor
dentre meus combatentes mais valorosos então repartidos
meu pesar, minha mágoa e rancor.
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jan
11
2012

Enquanto a pressão aumenta,
enquanto os vasculares se dilatam,
ardem meus olhos sobre as velas,
lendo as palavras que escrevi
[ e nunca proferi.
Sinto minha mente ferver
em uma caçarola de tormentos
que me desfaz aos poucos
entre leite-de-coco, gengibre
[ e pimenta.
Não importando onde vou,
me persegue e me alcança,
tortura-me novamente os sentidos
devora-me novamente o sono
[ e digere-o.
Versos alimentados por uma receita tailandesa do Toni, uma música do Anathema e meus próprios escritos.
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jan
4
2012
Há algo especial na maneira que sorri,
e uma beleza lacrimosa em seu olhar.
Há um jeito todo particular de me reger,
que envolve orgulho, responsabilidade
[ e pesar.
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nov
30
2011

"The Empress" by Stephanie Pui-Mun Law
Virou a Imperatriz sobre a mesa,
nesta esquina,
ela que dentre os arcanos a mais bela,
mais altiva,
de fina cintura e sorriso largo,
sedutora.
Ilustrada com um cortejo de pajens,
em flores coroada,
sua presença austera e marcial,
capuleto,
livrou-me de meu torpor matinal,
sobressalto.
E a figura de papel sobre a mesa ganha vida,
reconhecera-me,
e dentro de sua carruagem acenou-me,
simpatia,
premiando-me ao relembrar em seu olhar
d’uma princesa.
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nov
14
2011
É carente, exigente de atenção e cuidados,
é vingativa quando não lhe sirvo aos desejos,
mas nestes dias que minha saúde não bastou,
ficou à cabeceira zelando meu sono…
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nov
1
2011
Está sempre por perto, mas nunca me visita.
Se me encontra na rua não me cumprimenta,
desvia o olhar, sequer sorri.
Curiosa ronda nossos amigos, ás vezes,
visita suas casas e lá fala de mim, espero,
mas nenhum recado me entregaram.
Certa vez, por mensagens instântaneas
combinamos um café que nunca bebemos,
conversas sobre um futuro que não realizamos.
Me prolongo nas ruas em que passa,
saio mais cedo, permaneço até mais tarde,
mas me foge para um outro lugar.
Há uma semana espero a visita que não chega,
ansiedade que me corrói como úlcera, a espera,
da chegada de minha amada Morte.
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out
3
2011
… ou empatia, e dentre minhas habilidades é das mais superestimada. Há um aspecto dela pouco notável, aquele que me faz perceber as palavras não ditas, secretamente desejadas.
- Não é bom nos vermos hoje…
O pior é que, tendo consciência destas e faltando a coragem ou a sinceridade em expressá-las, acabo por eu mesmo narrar, por desferir o golpe que me fere.
- Você não voltará mais…
Parece-me que ela – minha intuição – somente se manifesta quando sou desprezado (fato não tão raro) e as coisas parecem embaraçosas demais para que o meu trato social possa lidar.
- Eu sei, existe outra pessoa…
Apesar disto, transformo as palavras duras numa brincadeira sem sentido e termino dizendo que tudo permanece bem. Mas ao virar as costas, são meus olhos a encontrar do chão as lajotas.
- É, eu acho que acabou.
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mar
4
2011
Lembra quando nos vimos pela última vez?
Você me ofereceu um abraço e um beijo
e mesmo após longos anos sem nos falar
me convidou para beber contigo?
E eu todo ocupado respondi que gostaria,
mas não havia como, não tinha tempo.
“Talvez numa outra vez, talvez em junho”.
Mas junho nunca veio.
E você me olhou daquele jeito e eu percebi
que era o mesmo olhar que eu já conhecia.
E como se não quisesse que eu me fosse,
me abraçou.
É difícil pensar que iria acabar um dia,
e que aquele poderia ter sido nosso último café.
E me dói pensar que não terei outra chance
para abraçar você.
Eu deveria ter encontrado um tempo,
ter encontrado um jeito, ter parado de pensar.
Mas agora você se foi e aquela bebida é
muito tarde para aceitar.
Quantas vezes tentei corrigir meu erro,
e voltar àquele lugar, se você ainda estivesse lá
eu desejaria que não fosse tarde demais
para voltar.
Estes versos que eu tento escrever a meses são inspirados na partida de uma grande amiga minha em conjunto com a repetição quase incessante da música Cut Here, do the Cure.
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fev
17
2011
Lembro das gavinhas,
sombrias filiformas
que escorriam de seus cabelos
e germinavam nos seus olhos.
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fev
4
2011
Quem dera ó noite você aqui,
Quem dera a noite você prá mim.
O sol nunca mais o céu raiar,
em dourado não mais traçar.
Quem dera ó lua teu toque frio,
encontrar-me sobre a mesa ébrio
a sorver da mágoa lentamente
o sangue, tão amargo aguardente.
Rasga-me a garganta, de afasia,
furta-me os versos, minha poesia
e deixa-me a cair.
Para o seio cálido da noite
onde enfim me faço amante
até a aurora surgir.
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