fev 22 2010

O Grito Silencioso

Algumas vezes surge no meu peito um grito que eu mantenho abafado. É um grasnado gutural, › Continue lendo


fev 18 2010

Mediunidade

Me acostumei de tal forma aos fantasmas,
que não percebo mais quais são reais
e quais são os de minha própria criação.


fev 17 2010

Recordações

…vi seu recado colado junto a geladeira, dizendo que traria pizza e sprite para o jantar.


fev 17 2010

Os Últimos Cinzentos

Finalmente os dias cinzentos. Trazem consigo manchas negras aos meus olhos e fios opacos aos meus cabelos. A maturidade desperta a certeza de que o caminho há muito foi traçado, que a trama há muito foi tecida.

Muitas vezes a vida é limitada e sobram poucos mistérios além da morte. Os dias em que a luz fluiu radiante entre as nuvens ficaram para trás. Sinto o tempo em minhas veias, e já não posso mais correr tão rápido ou me erguer tão alto quanto outrora.

Em meus dias de orgulho, as fiandeiras julgaram-me criminoso e mentiroso, e assim declarado exigiram-me promessas e arrependimento. Promessas que devo manter, e pouco possa fazer em contrário. Apesar disto não haverá redenção ou reabilitação, nenhum caminho novo a seguir.

Como as nornas não percebem o que está errado? Como podem estar cegas à guerra sendo travada, às batalhas que me acompanham diariamente. Fecho meus olhos e imagino as glórias que não voltarão, os últimos raios de luz destacando as formas ao entardecer.


jul 9 2009

I’m losing

inspirado em Cardigans’ – My Favorite Game

Pegou o carro, o mustang velho de guerra com a lataria carcomida pela ferrugem e uma única calota restante. Acelerou; tanto quanto podia. Poeira e pequenas pedras do asfalto voavam para trás, para o passado. Á frente somente o negro do asfalto, o vermelho do deserto e o horizonte azulado.

Chegaria a tempo? Chegaria inteiro? Chegaria..?

Seu jogo favorito era lutar contra o tempo, contra as expectativas contrárias. Mas perdia. Sabia que lutava, perdia, e gostava. Um clube da luta, que nada, tornou-se membro exclusivo de um clube para os caídos. Mas agora, caindo ao horizonte só havia uma direção a tomar.

Para frente, para o horizonte. Para ela?

Conforme o sol descia ao horizonte e o azul se tornava negro, viu as lágrimas dela pontilhando o céu. O ponteiro do velocímetro continuava no máximo, mas o de combustível reduzia lentamente. Uma a uma apareciam em sua negra tez. Quis tocá-la, mas sua velocidade não era suficiente.

Ele nunca foi o suficiente para ela.

Manteve o pé firme no acelerador quando ela surgiu, de faróis altos e ofuscantes. Vinha do horizonte tão rapidamente que ele mal pôde abrir os braços para recebê-la. Ela o arrematou e jogou ao ar. Parecia voar, finalmente para os braços da Noite.


jun 4 2009

É junho e faz frio…

É junho e faz frio, finalmente o frio. Tive saudades e temi que ele não viesse outra vez, mas cumpriu o prometido.
Ano sim, ano não, me faz tirar do armário o sobretudo, minha segunda pele e sentir novamente prazer em caminhar pela noite.

A lua, meio encoberta pelas nuvens (ou seria névoa?) me observa curiosa, atenta. Sua luz argêntea não chega a tocar-me na escuridão. Pertenço a ela, creio. E ao frio, e me criaram como pai e mãe pouco zelosos, arremessando-me para o seio da vida. Dolorosa e doce vida.

Filha da escuridão também a morte. Minha irmã, minha cara-metade, anseio dos meus dias, fonte do meu desejo. Se esgueira pela noite e foge, correndo por vielas que não aquelas que freqüento. Certo dia ainda a encontro, ou me encontra, não sei ao certo.

Enquanto isso a noite avança vagarosamente, cobrindo de lágrimas brilhantes o negrume da escuridão e trazendo o toque do pai para junto de meu peito. Dedos como adagas, sopro como o hálito de um dragão; sua voz me perturba e atordoa. Pai.

Renasço do frio….


mai 17 2009

Folkie

São eras que se passam, milênios enfim,
sucedem-se  deixando um legado maior
que os monumentos em ruínas.

As histórias de um povo, contos de outrora,
são passados de pai a filho
como se meras recordações.

Mas são os fantasmas nas sombras,
a ouvir as histórias mais uma vez
que se regozijam pela lembrança.

 Nem mortos nem vivos,
desejam nada mais enfim
que reviver as eras que se foram.


abr 15 2009

Achei você

Graças ao Patch Adams, e por Paulo Neruda, encontrei estes versos:

A Dança

Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim simplesmente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalianavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.


abr 10 2009

Tal Mãe…

Deixou a mortalidade no último dia 23 Nicholas Hughes, filho da poetisa a quem muito admiro Sylvia Plath. Sylvia era uma pessoa melancólica e depressiva que partiu deste mundo inalando gás em sua cozinha, quando Nicholas ainda possuía somente um ano de vida. Tal como a mãe, batalhou contra a depressão e apesar disto, optou finalmente por seguir o exemplo de Sylvia, enforcando-se.

Me leva a questionar sobre a hereditariedade de certos aspectos psicológicos, ou a influência que um fato desta magnitude sobre a vida de uma pessoa. Possivelmente, ainda jovem, Nicholas fora severamente questionado sobre a atitude de sua mãe ou mesmo taxado como o “filho de Plath”. Teria isto causado ou potencializado a aparente desordem psicológica?

Ou haverá realmente um fator genético associado e, sendo assim, podemos também nós tansmitir estes aspectos a nossos decendentes?


mar 23 2009

Um Bárbaro entre Cavaleiros

Só porque eu encontrei esta imagem perdida por aí. Outras em: http://lutasmedievais.com.br/web/galeria.html