Sob a cama
Você é meu silêncio,
decomposto e esquecido
sob o estrado da cama…


Brennan: Booth. I knew you’d back me up, I knew you wouldn’t make me a liar.
Booth: Hm, how did you know?
Brennan: Because you want to go to heaven.
Booth: But you don’t believe in heaven.
Brennan: But you do.
“Bones: A Boy in a Bush (#1.5)” (2005)

"The Empress" by Stephanie Pui-Mun Law
Virou a Imperatriz sobre a mesa,
nesta esquina,
ela que dentre os arcanos a mais bela,
mais altiva,
de fina cintura e sorriso largo,
sedutora.
Ilustrada com um cortejo de pajens,
em flores coroada,
sua presença austera e marcial,
capuleto,
livrou-me de meu torpor matinal,
sobressalto.
E a figura de papel sobre a mesa ganha vida,
reconhecera-me,
e dentro de sua carruagem acenou-me,
simpatia,
premiando-me ao relembrar em seu olhar
d’uma princesa.
É carente, exigente de atenção e cuidados,
é vingativa quando não lhe sirvo aos desejos,
mas nestes dias que minha saúde não bastou,
ficou à cabeceira zelando meu sono…
In the end, we’re all alone and no one is coming to save you.
- Reese, Person of Interest Episode 3: “Mission Creep”
Está sempre por perto, mas nunca me visita.
Se me encontra na rua não me cumprimenta,
desvia o olhar, sequer sorri.
Curiosa ronda nossos amigos, ás vezes,
visita suas casas e lá fala de mim, espero,
mas nenhum recado me entregaram.
Certa vez, por mensagens instântaneas
combinamos um café que nunca bebemos,
conversas sobre um futuro que não realizamos.
Me prolongo nas ruas em que passa,
saio mais cedo, permaneço até mais tarde,
mas me foge para um outro lugar.
Há uma semana espero a visita que não chega,
ansiedade que me corrói como úlcera, a espera,
da chegada de minha amada Morte.
Findou-se agora, 23-OUT-11 11.30 PM +3:00 meu prazo de validade.
Resta esperar,… a conveniência.
… ou empatia, e dentre minhas habilidades é das mais superestimada. Há um aspecto dela pouco notável, aquele que me faz perceber as palavras não ditas, secretamente desejadas.
- Não é bom nos vermos hoje…
O pior é que, tendo consciência destas e faltando a coragem ou a sinceridade em expressá-las, acabo por eu mesmo narrar, por desferir o golpe que me fere.
- Você não voltará mais…
Parece-me que ela – minha intuição – somente se manifesta quando sou desprezado (fato não tão raro) e as coisas parecem embaraçosas demais para que o meu trato social possa lidar.
- Eu sei, existe outra pessoa…
Apesar disto, transformo as palavras duras numa brincadeira sem sentido e termino dizendo que tudo permanece bem. Mas ao virar as costas, são meus olhos a encontrar do chão as lajotas.
- É, eu acho que acabou.