set 30 2011

The X-men Guide to Puberty



set 15 2011

Found it!

Encontrei você… ou talvez, você que me encontrou?


set 14 2011

Never Hug Me!


set 4 2011

There’s no heaven to the wingless…
- Eu mesmo


set 2 2011

Entwined

Eternally EntwinedOcasionalmente deixo minha fortaleza e volto às colinas onde outrora haviam os campos que semeei,… que semeamos. Pouco lembram as pradarias do passado, hoje cobertas por ervas daninhas e grama selvagem. O pomar transformou-se num pequeno bosque, repleto de pássaros e pequenos espreitadores.

Na manhã gélidas, o orvalho torna a visão ainda mais bucólica, cobrindo com uma fina camada de luz leitosa as verdanias e refletindo os primeiros raios do sol nascente. Mesmo sobre as pequenas muradas e as águas parcialmente descobertas do antigo chalet, o saudosismo se derrama perene.

Mais adiante, sobre uma solitária laje branca nossas árvores tecem sua sombra ainda entrelaçadas, alheias às estações que se sucedem. A primeira, coberta em musgo e líquem é tua, Decepção; e a cinzenta e estéril, meu Ressentimento.

Alinhado com:


ago 29 2011

Definição

Poeta: s. m.
1. Uma espécie de besouros-jóia ou metálicos do gênero Agrilus, conhecidos por suas cores iridescentes.
Identificados por Obenberger, em 1936.


ago 25 2011

I see her…

I don’t need to talk about her or look at pictures… ’cause the truth is, a lot of times, I see her… on the street. I walk down the street, I see her in someone else’s face… clearer than any of the pictures you carry with you. I get that you’re in pain, but you got each other. You got each other! And I’m the one who’s gotta see her and the girls all the time. Everywhere I go! I even see the dog. That’s how fucked up I still am! I look at a German shepherd, I see our goddamn poodle. All right… All right…


- Charlie Fineman, em Reign over Me


ago 22 2011

You are not alone!


ago 17 2011

Encanto

There’s nothing like a broken childhood
O pai chegava religiosamente ás 3:12 da manhã, considerando a caminhada trôpega desde o bar na esquina que acabara de fechar. Acordava a esposa aos berros quando ela mesma não o esperava de pé. Batia nela. Batia muito.
E depois subia a seu quarto, os passos errantes ressoando pelo assoalho enquanto galgava os degraus. Entrava no quarto puxando da calça o longo cinto de couro. Os gritos se faziam ouvir na madrugada.

There’s nothing like a broken home
Certo dia ela fugiu. Não aguentava mais as surras, pensou, sem considerar o envelope com o carimbo da clínica sobre a mesa da cozinha. Soube quando encontrou as roupas recolhidasdo varal sobre o sofá da sala. Não a culpou.
E então eram somente os dois, as brigas mais frequentes, embora ele agora revidasse. Muitas vezes o pai já não voltava para casa, ou quando voltava, passava as madrugadas em frente a TV, chorando baixinho.

There’s nothing like a tale from your hood
Destacou-se no colégio, ganhou uma bolsa e foi para a universidade. Tornou-se uma lenda na vizinhança e só aparecia nas vezes que o pai tinha crises. Contratou uma babá e esqueceu-se. Mais do que ele merecia, na verdade.
Conheceu-a numa conferência. Ela era ainda estudante e tinha nos olhos aquela admiração ostentosa da juventude. Os cabelos cheiravam a chocolate. Deu-lhe duas filhas e casou-se no dia de São Miguel.

There’s nothing like a record of restriction orders
Levou as meninas embora. Grazi tinha uma mancha negra no braço e ela o culpava. A mais velha já o odiava há anos e a puberdade tornava tudo pior. Sua atenção era voltada agora para celulares e garotos. O pai perdera o posto de herói quando enjoou de chocolate e começou a beber.
Recebeu a intimação em casa, das mãos da oficial de justiça que o recriminava com o olhar. Era de sua antiga vizinhança, ele supunha, mas não queria perguntar. Guardou-a na mesma gaveta onde haviam os papéis não assinados do divórcio, o contrato da babá e o envelope com o exame sua mãe. Pensou em emoldurar.


A idéia veio de uma série de influências externas: seriados (Lie to Me, Big Bang, CSI), filmes (Finding Forrester, entre outros), contos (Neil Gaiman especialmente) e mesmo algumas lembranças pessoais. Atraídas juntas recentemente pela música Spitfall, do Pain of Salvation.


ago 12 2011

Familiar

Empoleirava-se no alto de uma trave de cadafalso, e  já faziam dias desde minha última refeição. Contra o cinzento acima, sua penugem negra pouco contrastava e por muito pouco não deixo de notá-lo. O exílio já obrigava-me a fazer concessões, e para o estômago faminto parece haver muito pouca diferença entre um frango e um corvo.

Tendo ponderado sobre isto, cravo minha lança ao chão e encordo o arco do modo mais silencioso que pude. A madeira escorrega entre meus dedos suados, mas aos poucos dou cabo da tarefa. Separo uma única flecha reta de seta larga, sabendo que não terei uma segunda chance e, de modo mecânico, encaixo-a na corda.

O movimento seguinte dá-se em uma fração de segundo; erguer o arco e soltar a flecha torna-se um movimento só com a prática. Apesar disto, minha pontaria não parece melhor hoje do que a primeira vez que disparei. A flecha voa reta e acerta a asa esquerda do pássaro que, desequilibrado vai ao chão.

Minha habilidade para a escaramuça no entanto, aprimorou-se dia-a-dia e eu não perco o momentum. Alço a haste da lança com a mão direita e corro de encontro ao corvo. Desajeitadamente ele tenta erguer-se do solo, mas pernas e asas parecem fragilizadas pelo impacto.

Surpreendo-o pisando sobre a asa ferida. Ouço as penas partindo sob o solado da minha bota e sorrio, antecipando o gosto de sua carne sobre as brasas. Encaro seu olhar negro e recriminador como se pela primeira vez, embora certo da familiaridade que nos une.

As mãos erguem a haste sobre minha cabeça e eu desejo uma morte breve e indolor ao meu algoz. A lança desce uma vez mais,…

E então sinto o impacto no ombro me derrubando ao chão. A visão me falha, o pulso acelera e o suor escorre gélido, pelo meu peito e pescoço. Existe algo mais escorrendo, quente e abundante ombro abaixo, tornando o chão rubro. A dor é lacerante no sentido real da palavra, percebo minha carne fender-e e separar-se, afastando o ombro de seu lugar de origem.

Ergo os olhos em busca de meu agressor e então meu braço é novamente ferido, torcido e esmagado contra o solo por uma força muito superior a minha própria. Sinto os ossos estalando e partindo; a dor me chega mais quente e rubra que o sangue e ao canto do olho vislumbro um aguçado brilho metálico.

Encaro meu oponente uma vez mais, ciente do vínculo que nos aproxima. E antevejo o que virá a seguir…