out 23 2012

Mau Agouro

Previa o futuro. Não como as senhoras que lhe pedem para ler as linhas da mão ou aqueles que atiram runas numa tigela de barro cru. Previa o futuro nas relações com as pessoas.

Certo dia brigou com o pai. Discutiram e por fim se abraçaram, mas ele sabia – mesmo sem saber – que no dia seguinte algo se partiria. E teve medo. Noutra ocasião percebeu a conjugação errada de tempo numa frase e previu embora incrédulo, que ela iria embora.

Alguns diziam intuição, ou mesmo um receio dele mesmo em comprometer-se. Mas para ele os agouros estavam presentes em cada pequeno gesto ou palavra dita com naturalidade. Bastava saber interpretá-los. E eles nunca falharam.

Apesar disto, sabia que o futuro não é imutável, e que outros gestos ou ações poderiam mudá-lo ou distorcê-lo. Lembra-se ainda do dia que previu sua morte, de quando e como ela aconteceria.

Mas este dia veio e passou, e ele se pergunta o que fez de errado para mudar o agouro previsto…