Eros
Me segue, esgueira-se pela noite buscando vingança. Sorri e morde os lábios em busca de sangue.
Mas ele não fala, sequer resmunga, não mais…
Me segue, esgueira-se pela noite buscando vingança. Sorri e morde os lábios em busca de sangue.
Mas ele não fala, sequer resmunga, não mais…
O inverno trouxe sua rainha, lembranças de anos passados, e também meu anjo da guarda
…
E ainda pedem para que eu os deixe em paz. E quanto a mim, quando eu poderei ter a minha parcela de paz?
Já matei muitos anjos,
mas agora minha força se esvai,
e foge de minhas mãos
sem precisar voar.
Ri de minha impotência,
regozija-se ao me torturar
brincando com meus temores
maldito Eros dos olhos radiantes
Finco no chão minha lança, e coloco a mochila em apoio contra as rochas. Não faz frio o suficiente para que eu precise acender uma fogueira, e eu prefiro assim. Outra noite no exílio e eu ainda não me acostumo aos ruídos. Passos que me seguem rastejados, tentando ocultar, disfarçar sua intenção. É meu anjo da guarda que me segue, me protege.
Certa vez abri sua garganta com uma faca, fundo o suficiente para que a ponta da lâmina raspasse em sua coluna. Ainda assim ele continua a me perseguir, buscando vingança talvez, motivado por rancor ou uma estranha gratidão.
Não permite que as pessoas se aproximem, durante a noite ele se esgueira a minha volta, surpreende os incautos e os sufoca com mãos fortes. Me guarda, tortura meus sentidos, testa minhas virtudes, corrompe meus atos. Devo permanecer distante de tudo, alheio num mundo somente nosso, meu e de meu guardião.
Era belo no início, o brilho que refulgia nas profundezas de seu olhar, mas a paixão, a obsessão transformaram-no num monstro, o qual corajoso tentei eliminar. Desde então me persegue, me assombra, mas contra mim nada faz, a não ser observar com deleite a minha fragilidade.
E novamente amanhã, encontrarei as manchas de sangue da ferida que nunca cura no pescoço do meu anjo da guarda…
Poe, gatos pretos, vinho e sangue, lágrimas, Lacrimosa, Tristania, melodiosa desarmonia, desamparo, solidão, Werther, olhos, lábios, amor, pólvora, morte, Gaiman, sonhos, delírios, devaneios, onirismo, névoas, Ravenloft, Greywaste, cinzento, cavaleiros, espadas, desliusão, Byron, ossos, crânio, taça, meloDrama, drama, boemia, música, violinos, My Dying Bride, For my FallenAngel, asas cortadas, anjos, dos Anjos, Caindo…
Mandamentos difícieis… é, eu acho que sim.
Ainda assim eu acho necessário. Para mim. Para o meu caminho. Para a minha ânsia de cavalgar honrosamente.
Esta noite eu tive um sonho, e não foi um sonho bom. Magoava novamente uma pessoa que me importa muito. Devo fugir, me afastar? Devo permanecer e esperar não repetir o fato?
Quero fazer por merecer… minha armadura, minha espada, meu título.
Talvez uma princesa ou uma pequenina boneca de porcelana.