dez 2 2014

of the Angel of Sorrow

(…)Tristania: Beyond the Veil
An angel strays upon my door
so frail and lost within
To weep upon her days of yore
my decadent come in
Her stain and tears upon my floor
the sorrow that she brings
Devotion of a life outworn
in decadence come in
(…)

– A Sequel Of Decay, Tristania


jul 29 2014

A voz do Anjo

Ajoelhado contra a pedra fria sentia as articulações doloridas e latejando. Tinha as mãos amarradas ás costas, estando vendado mas não amordaçado. Por que a dor? Podia sentir a textura áspera do cânhamo a roer-lhe os pulsos e tornozelos, abrasando a pele e torcendo-lhe os músculos.

O algoz ainda trabalhava, com gestos precisos e rápidos ao imobilizá-lo. Não falava, mas murmurrava constantemente, em um matraquear inconstante e incompreensível. Ouviu o sussurrar? Sua voz ou o farfalhar de suas vestes? Parecia estar nu. Por vezes parecia cantar, absorto em seu trabalho cruel.

Em pouco tempo finalizou o labor e levantando-se, deu as costas a seu prisioneiro. O silêncio e a escuridão tomaram seu lugar novamente. Sentindo-se só, apressou por reconhecer o território a seu redor. Tentou caminhar utilizando os joelhos, mas os tornozelos o traíram. Seus reflexos, ao contrário, reagiram de imediato ao girar o corpo enquanto caía. Aterrizou de modo violento com o ombro sobre um pedaço de madeira, sentindo o estralar dos ossos. Em pouco tempo a dor alastrou-se pelo braço incendiando a carne.

Travou os dentes para não gritar, e sentiu a umidade quente das lágrimas correndo-lhe sobre a fronte. Traçavam caminhos por sobre o rosto coberto de poeira, juntando-se ao escarro que esvaia das narinas. Preciso levantar, preciso lutar! Resgatou as forças para se erguer, e forçou uma, duas, três vezes. A cada novo esforço a dor se tornava mais insuportável. O pedaço de madeira rolou por sob seu corpo, alojando-se em um canto do lugar, inacessível aos seus empenhos.

Tinha dificuldade em respirar e os gemidos já lhe brotavam livres da garganta. Perdeu a consciência e a noção de tempo por um instante. Ou talvez mais do que isto. Lembrou – ou sonhou – com a noite anterior quando acampava no exílio. Quando foi isso? Há nove noites ou mais que estava distante de todos.

Em um determinado momento sentiu algo gélido e lhano roçar-lhe as costas. Esperança? Arrastou-se um pouco mais de modo a poder alcançar-lhe entre as mãos. O pedaço deslizou por entre os dedos arrancando um naco de pele e carne, fazendo o sangue escorrer livre em sua palma. A cruel lâmina da Esperança!

A nova ardência o trouxe de volta, disparando uma carga de adrenalina pela corrente sanguínea. Agarrou com firmeza ao metal e ao pouco que restava do cabo da lança e pressionou-o contra as cordas firmes. O metal cortava igualmente cânhamo e pele, dilacerando ainda mais os pulsos machucados. Passaram-se minutos, aos quais ficava próximo, cada vez mais próximo a sua liberdade. Finalmente o trançar da corda cedeu com um estalo, desvencilhando-o de vez.

Apoiado nas mãos, pôs-se de joelhos novamente e trouxe as mãos ao rosto a fim de retirar a venda. Pôde ver o rubor do sangue em suas mãos, mas foi tudo que lhe foi permitido, pois um golpe certeiro contra o peito o lançou de volta ao chão. Sentiu o ombro latejar novamente e antes que pudesse se recuperar o algoz estava sobre seu peito, segurando-lhe contra a pedra fria, com a cabeça de lança a cutucar-lhe as costas. Como ele havia entrado tão silenciosamente no lugar? Estava ali observando-o todo este tempo? Debateu-se em vão enquanto o outro alcançava a lâmina e posicionava-a contra seu pescoço.

Ouviu seus lábios aproximaram-lhe do ouvido, o hálito úmido e a voz entrecortada a sussurrar algo que não pôde discernir. Ansiava desesperadamente saber o por quê. Ao invés, foi presenteado pelo aço frio a vencer a pele e percorrer carne e cartilagem, abrindo-lhe em duas a traqueia. Gritou talvez, pela última vez.


Mais aqui…


out 24 2012

Primeiro Mandamento dos Anjos Guardiões

Sê verdadeiro.
Mesmo que não te traga alegria, que exponha tua carapaça e o teu flanco aos golpes do inimigo.
Que teu sentimento nunca falhe, tua fé não esmoreça e tua luta seja eternamente apoiada nas tuas virtudes.
Faz pelo outro mais do que gostaria de ter para ti mesmo, e dedica-lhe os teus melhores esforços.
Desprende-te ao teu próximo, mesmo que isso te leve a ruína…


mar 23 2012

Necrópsia

Morto, apodrece. Crânio fraturado em seu parietal e ocipital. Este último já quase não existe. A mandíbula jaz aberta, esgaçada, como se num grito silencioso. Coluna arqueada, costelas expostas e fraturadas parecem lâminas tortas a despontar por sob a pele e carne. Não há muita, decadente e putrefata. Tíbias se encontram, junto ao resto das mãos, distantes do corpo. Parecem ter sido puxadas num ímpeto de expor o tórax. Mas a ausência mais sentida é do segundo par de úmeros, ulna e metacarpos que os acompanham.

As asas se foram – conclui o especialista.


jul 26 2011

Eros

Me segue, esgueira-se pela noite buscando vingança. Sorri e morde os lábios em busca de sangue.

Mas ele não fala, sequer resmunga, não mais


jul 13 2007

O que o inverno trouxe

O inverno trouxe sua rainha, lembranças de anos passados, e também meu anjo da guarda

› Continue lendo


jun 22 2007

por e-mail, em 24/04/2006


E ainda pedem para que eu os deixe em paz. E quanto a mim, quando eu poderei ter a minha parcela de paz?

› Continue lendo


abr 18 2007

Eros

Já matei muitos anjos,
mas agora minha força se esvai,
e foge de minhas mãos
sem precisar voar.

Ri de minha impotência,
regozija-se ao me torturar
brincando com meus temores
maldito Eros dos olhos radiantes

› Continue lendo


out 5 2006

Meu Anjo da Guarda

Finco no chão minha lança, e coloco a mochila em apoio contra as rochas. Não faz frio o suficiente para que eu precise acender uma fogueira, e eu prefiro assim. Outra noite no exílio e eu ainda não me acostumo aos ruídos. Passos que me seguem rastejados, tentando ocultar, disfarçar sua intenção. É meu anjo da guarda que me segue, me protege… › Continue lendo


set 3 2004

Gothiquices

Poe, gatos pretos, vinho e sangue, lágrimas, Lacrimosa, Tristania, melodiosa desarmonia, desamparo, solidão, Werther, olhos, lábios, amor, pólvora, morte, Gaiman, sonhos, delírios, devaneios, onirismo, névoas, Ravenloft, Greywaste, cinzento, cavaleiros, espadas, desliusão, Byron, ossos, crânio, taça, meloDrama, drama, boemia, música, violinos, My Dying Bride, For my FallenAngel, asas cortadas, anjos, dos Anjos, Caindo…

› Continue lendo