jun 8 2015

Um abraço que tenho para buscar…

Ontem um abraço me foi dado; tomado talvez
Quem o iniciou precisava mais dele
Do que eu acreditei que precisava

Apesar disso, o singelo ato me alegrou e desmoronou
Pois é o primeiro abraço que tenho em oito meses
E porque é o que tenho esperado todo esse tempo

Mas o anseio e o receio caminham de mãos dadas
Desde que naquela noite, 8 meses atrás, me disse
“Devia ter te abraçado bem forte”


abr 23 2015

Ainda outra fantasia…

-continuidade a Outra fantasia…

Surgiu num outro amontoado de folhas num universo paralelo. A trança direita se desfez no caminho deixando os cachos soltos e um amarrador amarelo do Jake pendurado como se a lutar pela vida. O dragão, de escamas roxas e reluzentes se prostava ao lado dela, curioso. Ela olhou em volta e vislumbrou a mãe, de pé na varanda do quintal, vestindo uma saia estampada em verde que a menina conhecia bem. Ela segurava uma xícara de chá e o cheiro gostoso de biscoitos de canela enchia o ar. Acenou para ela, mas a mãe pareceu não notá-la. Neste universo o pai não existia, e assim também a menina não chegara a nascer. O cheio de ervas e canela se tornou mais forte, e o resto de algodão doce subitamente amargou em seus lábios. Angustiada, buscou novamente a passagem através do monte de folhas alaranjadas, mas descobriu somente um monte de cinzas. O dragão o havia incendiado. Sentou sozinha ao lado da cerca e chorou. Sozinha num sonho em que somente um dragão púrpura a poderia ver.


nov 11 2014

Outra fantasia…

Correu para o jardim envolta numa aura de doçura e travessura. Trazia as tranças castanhas meio desfeitas e deixara os sapatos na porta, saltitando descalça entre a macieira, a cerejeira e a pitangueira. Tinha os cabelos crespos, especialmente na nuca onde ficavam os fios ainda soltos, o sorriso gigante com uma pequena janela nos incisivos, e as pintas próximas ao lábio estavam meio cobertas de açúcar rosado. Vislumbrou com olhos ávidos o monte de folhas acumuladas no canto mais distante do quintal; vermelhas, alaranjadas e amarelas, lhe chamavam a atenção. Dentre elas percebeu o brilho vítreo do olho do dragão. Deu um grito, não de temor, mas de desejo e satisfação e assoviando para o cão, disparou em corrida para o monte que, de seu ponto de vista parecia gigantesco. Saltou para as folhas e desapareceu, deixando pais desiludidos, um lar incompleto, e um sonho desfeito.


nov 10 2014

A Nova Queda

Para baixo é sempre mais fácil, é o que dizem , mas não é bem o que eu penso descendo por entre as escarpas. Todo o território é novo para mim, os corredores estreitos, a rocha afiada, o som do mar mais abaixo. As ondas rugem e quebram contra as paredes erguendo nuvens de gotículas frias. Apoio o pé firmemente no declive e dou um passo, mas o solado não suporta o chão molhado e escorrega, fazendo minha perna se perder no abismo. Busco apoio nas rochas, mas o limo só me faz deslizar mais. Sinto gelar o peito com a perspectiva da queda, sinto faltar o ar e o desespero tomar conta do meu ser. De um modo que eu não sei dizer ainda estou de pé, tremendo de frio e temor; pois mais passos se seguirão a este, e o chão continua descendo em direção a garganta, ainda mais liso e molhado…


ago 28 2014

Não há momentos, alegrias ou tristezas, que possam me ser apresentadas em quatro anos que eu já não tenha experienciado no passado.


ago 29 2012

Significância

pelo jeito começo a gostar significativamente de ti…

Quisera eu que a sinceridade combinasse melhor com o sentimento altruísta e descompromissado do ser humano.
Ainda assim, quisera eu – ao corresponder – não te ferir com as minhas próprias farpas.


fev 10 2011

Promessas & Juramentos

Inevitavelmente tentamos controlar nosso destino, criar fundamentos sólidos para nossos objetivos, relacionamentos e os sentimentos sobre nossa posse. E almejando o sucesso destes, empenhamos nossa palavra.

Quando a entropia finalmente nos alcança, e torna nossos feitos em ruínas, somente as promessas sobrevivem. São contratos perpétuos sobre as pedras que agora jazem ao chão e nunca mais se erguerão. As juras transformam-se em fantasmas a nos apontar os dedos gélidos em acusações cruéis.

Pior! Esses espectros nos cobram a responsabilidade de outros quanto a nossos próprios sentimentos. E quanto à ruína, exigem compensação, justiça ou vingança. E frente a essa ilusória sensação de injustiça, tornamo-nos egoístas e rancorosos.

Minha palavra é impregnada de minha honra e da minha vontade. Não gosto de promessas ou juramentos, pois cada palavra que sai de minha boca já é, por si, testemunho da verdade que habita em mim.

No entanto enfrento hoje os espectros de minha própria ruína.

Mais sobre:



ago 1 2010

5 Jahre lang

Du hast ihn getötet, hast ihn erstickt mit deinen Taten
Ihn verstoßen, ausgenutzt und sein Gefühl verraten
Er liebte doch so stark, wie ein Mensch nur lieben kann
5 Jahre lang, hab ich dich geliebt
5 Jahre lang, gegen alles, was es gibt
5 Jahre lang, meiner Liebe Untertan
zur Hölle fahr’n

– trecho de 5 Jahre, L’Âme Immortelle


jul 29 2010

O Último dos Cinzentos

Quase uma Era se foi. Para os elfos não pareceu mais que meia década, mas para os humanos toda uma geração envelheceu e partiu. Para a maioria dos humanos ao menos.

Apesar dos anos permaneço de pé, com as costas retas, a face altiva. A velhice me atingiu de sua maneira arrebatadora, tingindo em prata meus cabelos e ofuscando o brilho do olhar.
Mas a morte não veio, não levou consigo a vivacidade e o ardor de um guerreiro.

Mas isto porque, e somente porque, me nego a desistir, me agarrando aos últimos fiapos de esperança, às promessas e àquela vontade de vislumbrar o fim…


set 21 2007

Temor

… mas hoje temo a tua presença

› Continue lendo