ago 17 2012

Cavaleiro da Mancha

Prazer, sir Otário, cavaleiro da Mancha a seu dispor,
defendo as causas perdidas e sustento virtudes outrora esquecidas.

Narra-se que em minha mente uma corte feérica se afigura,
rainha, princesas, pajens e toda aquela gente galante.

Frequentadora desta casa, minha dulcíssima protegida,
a quem dedico meu serviço, altruísmo e constante devoção.

Na corte me apresento um cavaleiro de honra inquestionável,
postura rígida, queixo altivo e repleto de orgulhosos feitos.

Pois combato todas as noites os piores temores,
monstros de estatura e poder, impossíveis de se derrotar.

E pode ser que estes gigantes sejam somente moinhos de vento,
pois mascaro a realidade sob a manta da fantasia.

Mas é fato que sustento a honra, amizade e desprendimento
por amor as causas perdidas.

– baseado em Don Quixote, Engenheiros do Hawaii


ago 15 2012

Dulcinéia

… seu nome é Dulcinéia, sua pátria Toboso, um lugar da Mancha; a sua qualidade há de ser, pelo menos, Princesa, pois é Rainha e senhora minha; sua formosura sobre-humana, pois nela se realizam todos os impossíveis e quiméricos tributos de formosura, que os poetas dão às suas damas; seus cabelos são ouro; a sua testa campos elíseos; suas sobrancelhas arcos celestes; seus olhos sóis; suas faces rosas; seus lábios corais; pérolas os seus dentes; alabastro o seu colo; mármore o seu peito; marfim as suas mãos, sua brancura neve; e as partes que à vista humana traz encobertas a honestidade são tais (segundo eu conjeturo) que só a discreta consideração pode encarecê-las, sem poder compará-las.

– Don Quixote de La Mancha, livro 1