out
23
2003
O caminho para casa
já me parece tão longo.
Conto os minutos ansioso
por ver-te novamente.
E, nem bem avisto
corro a teu encontro,
mal sinto o cansaço ou a dor
somente o anseio do teu abraço
e o desejo de teus lábios.
Tomo tuas mãos entre as minhas
e arrasto-te a mim,
te ergo e envolvo num longo abraço.
E domino teus lábios frios,
que não respondem a minha saudação,
ao contrário,
permanecem-se imóveis, rijos.
Sem compreender
procuro a resposta em teus olhos,
e descubro que o brilho que possuíam,
o fogo da vida,
já se apagara há muito,
e restaram cinzas, somente cinzas
em teu olhar.
Ergue a mão e toca teus lábios,
em indiferente surpresa.
Volta teus olhos para mim
sem emitir uma única palavra.
E eu me rendo, melancolia,
a teu orgulho frio e rígido
e consagro minhas noites
sentado a teu lado,
admirando perdidamente
um céu sem estrelas.
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out
19
2003
Durmo pensando em ti,
acordo com o teu olhar.
Sangue na pia do banheiro,
lábios cortados,
dilacerados.
Uma adaga gélida
que me perfura o ventre
e desliza até o peito.
Olhos úmidos,
mas sequer uma lágrima é derramada.
Não posso.
O único gotejar é do sangue
que escorre
lentamente
pintando o chão de vermelho.
Você a minha frente.
Estendo a mão,
mas não consigo tocar-te,
tua imagem desvanece,
tal qual um fantasma,
uma ilusão,
que me atormenta os sentidos.
Há dor em minh’alma
e cinzas em meu leito.
PS: não quero explicar o porquê disto. Eu mesmo ainda não sei exatamente o que aconteceu e, antes que eu possa ter certeza, quero ficar só na minha melancolia.
Maldito computador mal configurado. Toneladas de metal gótico a meu alcance e ele não se dispõe a tocá-los.
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set
26
2003
O dia amanheceu satisfatoriamente cinzento
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set
23
2003
- E então… de que tribo você é? Daqueles que falam de sangue jorrando, daqueles que colecionam ossos amarelados ou daqueles que se isolam em quartos escuros?
- Eu sou das cinzas…
Link: Ser ou não ser de ninguém?
Recado: estrela que brilha solitária no céu, não se apague, porque dentro em breve a sela estará pronta e eu voltarei a cavalgar.
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