set
2
2011
Ocasionalmente deixo minha fortaleza e volto às colinas onde outrora haviam os campos que semeei,… que semeamos. Pouco lembram as pradarias do passado, hoje cobertas por ervas daninhas e grama selvagem. O pomar transformou-se num pequeno bosque, repleto de pássaros e pequenos espreitadores.
Na manhã gélidas, o orvalho torna a visão ainda mais bucólica, cobrindo com uma fina camada de luz leitosa as verdanias e refletindo os primeiros raios do sol nascente. Mesmo sobre as pequenas muradas e as águas parcialmente descobertas do antigo chalet, o saudosismo se derrama perene.
Mais adiante, sobre uma solitária laje branca nossas árvores tecem sua sombra ainda entrelaçadas, alheias às estações que se sucedem. A primeira, coberta em musgo e líquem é tua, Decepção; e a cinzenta e estéril, meu Ressentimento.
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mai
26
2011

Sor Devos Seaworth
- Um homem cinza. Nem branco nem preto, mas com um pouco de ambos. É isso o que é, sor Davos?
- E se for? Parece-me que a maioria dos homens é cinza.
Trecho d’A Fúria dos Reis, das Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin
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nov
23
2010
Em vigoroso movimento de grades e correntes
os portões cerram-se detrás de mim,
isolando-me em meu refúgio.
Poucos dias estive abrigado entre suas muralhas,
longe dos obuses e morteiros da guerra
travada nas vastidões adiante.
Vastidões que torno a recorrer em meu exílio,
uma terra árida, de ruínas cinzentas
que volto a chamar de lar.
Ó quão frias as noites em que solitário me cubro
almejando as estrelas que não vejo
além das cortinas das dores minhas.
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ago
25
2010
Percorro as ruas de calçadas fragmentadas entre as quais cresce a erva daninha. Apesar do que o nome sugere, a planta não é verde, ao invés tão cinzenta quanto a calçada. Cinzento também o asfalto, os muros e os panfletos neles colados.
Grisalhos e opacos os cabelos e os olhares dos transeuntes, alheios ao germinar da erva e das árvores cinzentas. Nem mesmo o gato que atravessa a estrada em disparada é completamente negro.
Ao subir a ladeira me deparo com o único ponto colorido em meu universo: os céus, acima dos edifícios e telhados exprime uma suave cor púrpura que se mescla ao horizonte banhado pela suave radiância de nossa lua argêntea.
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fev
17
2010
Finalmente os dias cinzentos. Trazem consigo manchas negras aos meus olhos e fios opacos aos meus cabelos. A maturidade desperta a certeza de que o caminho há muito foi traçado, que a trama há muito foi tecida.
Muitas vezes a vida é limitada e sobram poucos mistérios além da morte. Os dias em que a luz fluiu radiante entre as nuvens ficaram para trás. Sinto o tempo em minhas veias, e já não posso mais correr tão rápido ou me erguer tão alto quanto outrora.
Em meus dias de orgulho, as fiandeiras julgaram-me criminoso e mentiroso, e assim declarado exigiram-me promessas e arrependimento. Promessas que devo manter, e pouco possa fazer em contrário. Apesar disto não haverá redenção ou reabilitação, nenhum caminho novo a seguir.
Como as nornas não percebem o que está errado? Como podem estar cegas à guerra sendo travada, às batalhas que me acompanham diariamente. Fecho meus olhos e imagino as glórias que não voltarão, os últimos raios de luz destacando as formas ao entardecer.
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set
15
2003
Everythin’ so strange… everything’ so gray…
I’m just a shadow again,
crawling in the ground,
running of the lights who created me.
Não sei o que houve, nem quando aconteceu… mas hoje de manhã havia novamente somente Lacrimosa e Lacuna Coil na minha playlist.
Estou me sentindo vazio, sabe. Não vejo vontade em voltar a escrever, desenhar, festar… viver! Sei que é só temporário, e que tem de acontecer de vez em quando.
Greywaste me lembrando que ainda pertenço a ele.
Me sinto caminhando sozinho para dentro da vastidão cinzenta, para os desertos de pedras enevoados… cansado e carregado… a armadura e a espada pesam. Poderia tirá-las, deixá-las para trás mas… porque? Não há sentido. Tudo o que restou foi o caminhar, o eterno caminhar.
Talvez haja um horizonte por entre as névoas.
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ago
15
2003
Assisti somente uma peça ontem: Crepúsculo. E gostei. Atirem pedras se quiserem, afinal conheço nada de teatro; mas eu gostei. É melancólia, depressiva, violenta… como eu ás vezes. Mas não por isto que gostei. Se fosse eu, amaldiçoado a viver a eternidade em Greywaste, faria o mesmo.
Estranho as pessoas que não dizem o que pensam. Têm seus motivos, é verdade… mas ainda assim estranhas.
Não assisti a primeira peça porque fui resolver problemas de família. Cada vez mais eu admiro o meu pai, quando comparo-o aos irmãos.
Encontrei a garota de sobretudo, também. É engraçado como algumas pessoas pensam na exclusividade e disponibilidade de meus ouvidos. Estas não ganham meu apreço.
E a lua, fugiu de mim ontem, escondeu-se. Saudade do toque gélido e dos lábios incinerantes.
E saudade da galera… Thor, Toni, dados espalhados pela sala e livro de GURPS aberto no capítulo de Armas e Equipamentos. Motocicletas e Cartas Selvagens.
E de uma estrelinha que me faz muita falta.
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