ago 31 2012

Glossário

Véxo s. m.

Animal cinzento e estranho, que possui cicatrizes pelo corpo. São pacíficos, gostam de tecnologia, mas não de excesso de socialização.

Têm a tendência de permanecer fiéis a sua matilha, mas são ariscos com outras espécies. Suas matilhas possuem apenas um exemplar, pois têm o costume de escolher matilhas de espécies diferentes, mas desprovidas de outros véxos. Também não trocam de matilha, e por isso a hostilidade com outras espécies.

– definição por Amanda Onishi


jul 30 2012

Legado, pt. 2

Sacrifício. Outra coisa que os X-men me ensinaram. Mesmo protegendo seus maiores inimigos – a humanidade – os mutantes eram frequentemente assolados por críticas, preconceito e isolamento. Na minha adolescência, difícil não me identificar.

Acima, Colossus se torna cobaia da droga que se tornaria a cura para o vírus legado. O mesmo que anteriormente tirou a vida de sua irmã.


jul 28 2012

Legado, pt. 1

Ler X-men construiu minha infância e adolescência. E há quem diga que é somente um quadrinho com personagens inverossímeis ou superficiais, como a Jubileu. Mas para mim, uma série de lembranças que hoje se refletem no meu caráter, no meu ego.

E eu ainda me surpreendo a reler certas páginas. Acima, Illyana Rasputin, vítima do vírus legado.


jul 18 2012

Finitude


o homem é um ser mortal, cuja principal característica é a consciência de sua finitude. (…) Portanto, apagar essa consciência não seria um retrocesso do ser humano?


jun 27 2012

Scene Nine

You are once again surrounded by a brilliant white light.
Allow the light to lead you away from your past and into this lifetime.
As the light dissipates you will slowly fade back into
consciousness, remembering all you have learned.
When I tell you to open your eyes you will return to the present,
Feeling peaceful and refresh. (…)

– Dream Theater, Scene Nine: Finally Free


maio 9 2012

Meus olhos, teus olhos

E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus; E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus…

Apesar dos aspectos psicológicos envolvidos, imaginei essa frase de modo meio literal. Com certeza não é o que o autor – Jacob Levy Moreno – queria com isso, mas me senti confortável em entregar, talvez numa bandeja, minhas lentes a outro.

Relembram aspectos do passado, alguém que prevê sua queda no silêncio e na cegueira e uma disposição minha, sempre presente, no sacrificar-me a este alguém.


abr 21 2012

Sobre a relatividade na morte

As pessoas costumam pensar na morte como algo absoluto, imutável e derradeiro. Recentemente tenho ponderado muito sobre o assunto, lendo conceitos de outros autores e revendo os meus próprios conceitos.
Concluí que a morte é relativa – e bem relativa, diga-se afinal.

  1. A morte se apresenta em estágios; sendo o primeiro deles o de não-morte (undead). A maior parte de nós está passando neste momento por este estágio, sem prestar atenção a nossa própria mortalidade e ao estágio que virá a seguir.
  2. Alguns poucos de nós estão no estágio de ligeiramente mortos, já mais conscientes da verdade e do outro lado da moeda. Este estágio exige uma certa reflexão, melancolia e até mesmo alienação.
  3. O estágio de mortinho da Silva chega com conforto e descanso. Finalmente, após tanta reflexão e estafa psico-filosófica e mental, nos recolhemos ao nosso sono profundo e acreditamos que isto é tudo. É o estágio que os ignorantes tomam por derradeiro.
  4. Além disto vem o estágio da iluminação, que chamo tão morto como um prego de porta (como citado por Dickens).  Nesta etapa vemos o outro lado do espelho, e nos sentimos tentados a partilhar este discernimento com aqueles que estão ainda não estão lá.
  5. Finalmente, o renascido. Após uma eternidade preso as correntes, caixilhas e pregos no estágio anterior, o indivíduo se consome e desaparece. Perde então a consciência da morte e retorna ao estágio 1.


mar 23 2012

Necrópsia

Morto, apodrece. Crânio fraturado em seu parietal e ocipital. Este último já quase não existe. A mandíbula jaz aberta, esgaçada, como se num grito silencioso. Coluna arqueada, costelas expostas e fraturadas parecem lâminas tortas a despontar por sob a pele e carne. Não há muita, decadente e putrefata. Tíbias se encontram, junto ao resto das mãos, distantes do corpo. Parecem ter sido puxadas num ímpeto de expor o tórax. Mas a ausência mais sentida é do segundo par de úmeros, ulna e metacarpos que os acompanham.

As asas se foram – conclui o especialista.


mar 22 2012

Coxo, porém Abençoado

Pondo o gato sobre a mesa de madeira velha, prende-o entre os grossos dedos e com uma velha faca rasga-lhe o pescoço e abdômen.
Recolhe o sangue do animal e sua bile em um prato fundo, e adiciona um perfume suave e uma maçã embolorada.
Esmaga-os. Por fim, banha o amuleto negro na infusão recitando as antigas palavras em frente ao espelho.
A maldição virá, trará com o tempo rugas, talvez um tornozelo quebrado e decepção.
E cobrará seu preço, na medida de três vezes mais…


fev 27 2012

Encontro Marcado

Volto a te procurar após meu longo exílio. Bato a porta mas ninguém atende. Sei que está aí, sei que se esconde. Eu a vi enquanto me seguia naquela madrugada. Semana passada deixei um recado avisando que voltaria. Mas você não está, ou finge que não. Eu sei.

Vejo os panfletos turísticos acumulados na entrada. Anunciam tua breve partida. Seria uma fuga, ou uma oportunidade que surgiu? Você não me deixaria desta forma, eu sei. Não posso culpar-te. Tentei obedecer todas as regras, mas estou aqui a sua porta novamente.

As correspondências chegam toda quarta-feira. Reconheço nisso tua mensagem. Voltarei bem cedo na quarta, e quando você abrir a porta estarei aqui. Combinado? E veremos novamente sentido em tudo isso. Eu sei!