jun 13 2012

Antônio

Todos os anos eles vinham a corte, um após o outro. Chegavam no mesmo barco, trazidos doutro lado do mar pelos ventos ágeis do meio do inverno. O mais velho desembarcava primeiro, pois era esperado e festejado por todo o povo.

Tinhas cachos loiros e olhos claros, e vestia um traje real em veludo azul, com dragonas douradas e diversas medalhas sobre o peito. Os pares faziam reverência  a sua passagem e todos vinham saudar o tão majestoso visitante. Todos os anos.

Ofereciam-se presentes, e regozijavam-se simplesmente por estar ali. Os festejos duravam todo o dia e prolongavam-se durante a noite, ardentes e passionais. Mas quando a manhã chegava, todos já se haviam recolhido.

Somente então o segundo irmão desembarcava, sem ninguém para saudá-lo. Trazia consigo as bagagens e sentava-se sozinho no mesmo salão onde a corte se reunira, agora vazio e esquecido.

Vestia um hábito surrado, e os poucos castanhos lhe caíam desgrenhados sobre a testa. Tinha os olhos grandes e as maçãs pronunciadas, pouco atrativos a comparar com o irmão.

Mas naquela manhã uma voz suave se fez notar – Posso… sentar-me aqui? – perguntou. Uma dama, de braços dados com seu para sorria para ele. – Atrasamo-nos para a chegada, mas por sorte ainda o encontramos.

E passaram horas juntos, festejando a sua maneira. Beberam vinho quente com canela e fartaram-se dos chocolates e frutas da estação. Não haviam os rigores da corte ou as convenções sociais que os obrigassem e puderam conhecê-lo de modo qual nunca antes.

Ao fim da tarde, ele abriu-lhes os baús, retirando dali espada e elmo, manto e uma tiara de prata. Honrou-lhes com títulos de cavalaria, e abençoou, pois em suas lembranças o dia de seu nome tornara-se eterno.


maio 14 2008

Voltando para Casa

[…] Simplesmente desembainhei Bafo de Serpente e instiguei meu cavalo. Mildrith gritou em protesto, mas ignorei-a. Oswald correu, e isso foi um erro, porque peguei-o com facilidade e Bafo de Serpente girou uma vez e abriu sua nuca. Pude ver miolos e sangue enquanto ele caía. Ele se retorceu no chão coberto de folhas. Girei o cavalo e cravei a espada na sua garganta.

[…] Naquela tarde, revistei a casa de Oswald e descobri 53 xelins enterrados no chão. Peguei a prata, confisquei suas panelas, a peneira, facas, fivelas e uma capa de pele de cervo, depois expulsei sua mulher e os três filhos de minhas terras. Eu tinha voltado para casa.
– O Cavaleiro da Morte, Crônicas Saxônicas, de Bernard Cornwell

Eu voltei para casa, depois de um hiato de seis meses, estou de volta. Abro novamente os portões do meu lar e encontro as coisas em desordem. Há muito trabalho a ser feito, poeira a varrer, cacos a limpar e muitas lembranças a guardar. Fora tudo isso trago comigo muitas novas coisas na bagagem que precisam de espaço.
E não será um retorno pacífico…

ago 10 2007

Atualizações

Semana atribulada, corrida e tumultuada… altos, baixos e elos, muitos elos. Neste final de semana SCAM e dia dos pais

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jul 30 2007

Ofícios de um Guerreiro


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jul 28 2007

Tecendo Malha

Hoje eu moldei elos em metal, e perdi pele em dois dedos ao fazê-los. Mas me sinto orgulhoso por estar tentando, embora haja muito a aprender. Preciso aprender a tecer uma malha, e quem sabe unir meus pedaços outra vez

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jul 4 2007

O Nobre Código

Para aqueles que não sabem, estou participando do SCAM, um grupo de estudos medievais o qual pratica a simulação de combate com espadas, arcos, escudos e lanças. Ao contrário do que normalmente se percebe, o cerne do SCAM não está no manejo da espada, e sim na formação do caráter de um cavaleiro. Ao menos assim eu o considero; e por isso me esforço, não por decorar, mas por vivenciar dia-a-dia os preceitos de nosso código.

O Nobre Código
Um cavaleiro demonstra seu valor por seus atos,
sua palavra é sua honra,
não faz promessas levianas,
e sempre cumpre o que promete.
A coragem faz parte de seu ser,
sabendo a diferença entre coragem e estupidez.
É justo, assim como misericordioso,
é humilde,vendo a glória dos outros antes das suas.
Sua força é para ajudar o mais fraco.
Respeita a verdade,
seus amigos,
sua família e seu país.

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mar 14 2006

Ai de Mim

Torno aos campos desolados, aqueles onde outrora inúmeros embates foram travados. Os campos de minhas memórias. As piras se extinguiram há muito, mas ainda restam as cinzas e os ossos descobertos pelo vento traiçoeiro, este mesmo vento que me açoita o rosto com areia e pó, vestígios de meus algozes, herança de meus companheiros.
Uma espada quebrada deixei nalgum lugar, junto as piras talvez. Fora levada, saqueada, como tudo mais que pertencera aos caídos. Seus túmulos profanados são cuspidos do ventre da terra, exibindo carcaças repletas de histórias que nunca mais serão contadas.
Ai de mim, que sobrevivi a queda; e agora volto aos campos, como filho pródigo que retorna ao lar. Ai de mim, por ter sofrido nestes campos a derrota e a morte, e ter-me negado a descansar.

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jul 6 2005

Mãos

Estas já passaram por muitas coisas: já tocaram fios desencapados, receberam talhos de facas e tesouras, mordidas, já foram arrastadas contra a parede, violentamente…
Ainda guardam marcas, algumas, de dias mais sofridos. Uma vez voaram contra o piso do banheiro. Racharam-no. Algumas vezes.
Calejadas já ergueram pás da terra ou satisfeitas removeram dela cenouras vistosas; agilmente teceram frases na mais alva folha e tão maquinalmente construíram interfaces digitais.
Minhas mãos realizaram feitos de que muito tenho a me orgulhar; já ergueram uma espada, colheram flores ergueram taças; já despertaram uma princesa de seu belo sono.
Admira-me o fato delas serem duas, e ao mesmo tempo formarem algo tão único, numa sincronia tão perfeita.

E, falando em mãos, Edward Mãos de Tesoura será transformado em musical

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set 3 2004

Gothiquices

Poe, gatos pretos, vinho e sangue, lágrimas, Lacrimosa, Tristania, melodiosa desarmonia, desamparo, solidão, Werther, olhos, lábios, amor, pólvora, morte, Gaiman, sonhos, delírios, devaneios, onirismo, névoas, Ravenloft, Greywaste, cinzento, cavaleiros, espadas, desliusão, Byron, ossos, crânio, taça, meloDrama, drama, boemia, música, violinos, My Dying Bride, For my FallenAngel, asas cortadas, anjos, dos Anjos, Caindo…

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jul 13 2004

Bastard Sword

bastard sword: (also known as hand-and-a-half sword) large, double-edged sword with a long grip which could be wielded with either one or two hands
Medieval Glossary of Babylon

Minha rainha me presenteou com uma espada. “Um cavaleiro não estará completo sem uma”, disse. E eu não tive palavras para agradecer.
Vou fazer o possível para honrar o presente.
Não, desta vez não falo através de fábulas.

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