mar
15
2007
Carlota Joaquina ás vezes aparece
e me faz sorrir sem motivo algum
quando meus olhos repousam sobre ela
qualquer dúvida ou mágoa desaparece
Pouco caso faz de mim doce Carlota
em seus olhos vislumbro desprezo
embora altiva em seu pedestal minha dama
não encontre alma mais devota
Ás vezes Carlota tem outro nome,
outros olhos, lábios e outra voz
mas surge sempre da mesma maneira
com cheiro de canela e olhos de betume
Veste costuras finas repletas de renda
um espartilho negro embora eu creia
que vestida em veludo roxo e anágua
a beleza secreta se desvenda
Em suas mãos, flores de esperança
que Carlota colhe ávida dos corações
como o meu, pouco afortunado
que a tem viva, somente em lembrança
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mar
5
2007
Está chovendo um bocado aqui dentro e isto lava e carrega muita coisa. Uma água preta e suja escorre. O problema é que cada vez escorre mais.
Mas eu tenho a certeza que assim, pouco a pouco, um dia tudo será limpo, toda aquela craca acumulada por anos e que tornou parte de minha armadura.
E eu não sei se quero que chova, mas é preciso, como é preciso que eu volte a escrever e que finalmente um dia eu reencontre a esperança, noutros olhos, noutro sorriso, talvez mais infante, talvez com outro sentido. Dar sentido a alguma coisa
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out
9
2003
Continuando com a seção de arquivos, aqui vai o desenho da Nina para a série das namoradas perfeitas. Eu adorei. Sabe, se eu continuar olhando para ela cada dia antes de dormir e quando acordo, eu posso acabar me apaixonando mesmo.
Mas eu tenho ciência que não é disto que eu estou precisando… sim, estou na fase de carência novamente e as noites têm sido frias e solitárias. Ás vezes tudo o que eu queria era um abraço. Noutras eu penso que estou brincando com a sorte… que a Fortuna já foi generosa suficiente comigo para que eu fique me queixando. Eu não tenho ninguém de que eu possa sentir falta realmente, ninguém que eu clame.
E a manhã amanheceu chuvosa e cinzenta e me trouxe melancolia na minha solidão. E ela não quer me deixar.
Apaixonado? Pela noite talvez.
Quem dera teus lábios gélidos tocassem minha boca só uma vez.
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set
26
2003
O dia amanheceu satisfatoriamente cinzento
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set
10
2003
Veio a chuva
e ela veio…
arrancando as barreiras,
destronando o ócio
arremessando longe
meus sentimentos
eu tentei fugir, tentei correr…
mas onde ia ela me alcançava,
caía sobre mim
como pequenas farpas gélidas
que me arrancavam a força
o calor e a vida
pânico e desonforto,
os óculos embaçados,
o cabelo sobre os olhos,
os passos trôpegos,
o chão… molhado
então, em meio a chuva
uma pequena e delicada mão
me toma e me puxa de volta
traz de volta o calor,
o toque da vida
e me tira da chuva
quero ver seu rosto,
garota das mãos macias
Depois disso vou ter que me redimir com as minhas senhoras… a chuva, a lua, a dama do vento e a rainha do frio.
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ago
18
2003
E não sou o único com problemas, e chegou Video Girl Ai, e ganhei beijo da Julia, e saudade dos amigos, e mensagem saudosa da maninha, e preocupação com o sumiço da cunhada, e ótima interpretação do espinho e do moxego, e novas aventuras por vir.
O que eu quero? O frio, a noite e o vento. E Walhalla!
Voltar a encarar o abismo,… e escrever.
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ago
17
2003
das Margaridas: ótimo texto, interpretação perfeita, tão bom quanto o que o Ferio havia me comentado. Até mesmo o Trevisan gostou. Tem o melhor do Crepúsculo, com certeza.
A Lu acabou não aparecendo em nenhum dos espetáculos. Perdeu.
Matei a saudade da minha segunda família.
Bem, o final de semana geralmente me faz muito bem.
Mas o frio, ou a solidão me jogaram novamente contra o abismo. Eu olhei para baixo e ele olhou para mim… só que desta vez quem sorriu fui eu. Como pode alguém caminhar tão próximo do precipício. Por quanto tempo ainda será que eu consigo desafiá-los?
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ago
12
2003
Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse
Orpheu surpreendeu, bem mais que a peça argentina. Fernando Pessoa era um louco e tanto.
O Menino do Dedo Verde eu já havia visto, mas repeti para acompanhar o pessoal. É sempre muito engraçado.
Conheci uma garota demais, totalmente meiga e nem um pouquinho tímida. Ela gosta de declamar, vejam só.
Corri para casa com os olhos voltados para o alto… as estrelas roddopiavam em minha frente mas a lua me instigava, acordando o lobo em mim… ele quer arrebentar as correntes e fugir, talvez se vingar. E eu não posso fazer muito para impedir.
A noite trouxe o frio, e o frio veio trazer prazer, e o prazer é doloroso, impulsiona o sangue, que me desperta a fúria, a fúria ao ver a lua alta contra o céu estrelado, estrelas que vieram com a noite. A noite trouxe o frio…
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mai
13
2003
9/05/3
Neve. Frio. Branco. Frio. Gelo. Frio. Branco. Alvo. Vento. Frio. Vento. Céu. Azul. Olhos. Azul. Verde. Olhos. Pele. Alva. Fria. Branca. Morte. Escura. Noite. Estrelas. Brilho. Olhos. Azul. Céu. Escuro. Noite. Escuro. Alvo. Branco. Neve. Branco. Pele. Lábios. Vermelho. Sangue. Vermelho. Quente. Lábios. Desejo. Calor. Desejo. Frio. Alvo. Escuro. Noite. Vento. Desejo. Lábios. Vermelho. Sangue. Calor. Pele. Alva. Olhos. Azul. Céu. Noite. Frio. Vento. Frio. Neve. Branco. Inverno. Desejo.
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