out 15 2014

Havia gente que se podia abraçar,…

Nin estremeceu. Queria abraçar seu guardião, segurá-lo e lhe dizer que ele nunca o abandonaria, mas o ato era impensável. Ele não podia abraçar Silas mais do que podia abraçar um raio de luar, não porque seu guardião fosse insubstancial, mas porque seria errado. Havia gente que se podia abraçar, e havia Silas.

– O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman

Um dos melhores livros do Gaiman que eu li até hoje, e imensamente recomendado por mim. Não vou falar muito para não estragar a leitura, e também porque não sei se conseguiria igualar ao sentimento que vivenciei ao lê-lo. Ah, e as ótimas ilustrações do Dave Mckean!


nov 1 2013

…no fim do caminho

Um lampejo de ressentimento. Já é difícil o bastante estar vivo, tentando sobreviver no mundo e encontrar o seu lugar nele, fazer as coisas de que se precisa para seguir em frente, sem se preocupar se aquilo que você acabou de fazer, o que quer que tenha sido, foi o suficiente para a pessoa que,se não morrera, desistiria da própria vida. Não era justo.

– O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman


set 5 2013

Duppy

Vejo fantasmas, vários deles. Talvez por conta do que eu ande lendo (Filhos de Anansi) ou vendo, das minhas memórias e meus tormentos. Vejo fantasmas e os assombro todos os dias.


out 23 2012

Mau Agouro

Previa o futuro. Não como as senhoras que lhe pedem para ler as linhas da mão ou aqueles que atiram runas numa tigela de barro cru. Previa o futuro nas relações com as pessoas.

Certo dia brigou com o pai. Discutiram e por fim se abraçaram, mas ele sabia – mesmo sem saber – que no dia seguinte algo se partiria. E teve medo. Noutra ocasião percebeu a conjugação errada de tempo numa frase e previu embora incrédulo, que ela iria embora.

Alguns diziam intuição, ou mesmo um receio dele mesmo em comprometer-se. Mas para ele os agouros estavam presentes em cada pequeno gesto ou palavra dita com naturalidade. Bastava saber interpretá-los. E eles nunca falharam.

Apesar disto, sabia que o futuro não é imutável, e que outros gestos ou ações poderiam mudá-lo ou distorcê-lo. Lembra-se ainda do dia que previu sua morte, de quando e como ela aconteceria.

Mas este dia veio e passou, e ele se pergunta o que fez de errado para mudar o agouro previsto…


maio 17 2012

Sinal e Ruído 3


Nos meus mundos as pessoas morriam.
Eu achava isso honesto,
Achava que estava sendo honesto.
Achava que estava dizendo a verdade.
Achava que…
Eles eram atores.
E fingiam estar mortos.

– Sinal e Ruído, Neil Gaiman e Dave McKean


maio 10 2012

Sinal e Ruído 2

A mortalidade é algo difícil de encarar.

“Aquilo que não nos mata nos fortalece.” Pode até ser. Mas o que nos mata nos mata, e isso é dureza…

– Sinal e Ruído, Neil Gaiman e Dave McKean


maio 10 2012

Sinal e Ruído 1

– O senhor diz que cria os filmes na sua cabeça antes de filmá-los.

– Sim.

– Já teve alguma surpresa agradável ao ver o filme terminado?

– Na verdade… não. Talvez por saber o quanto eles são diferentes do que eu tinha em mente. É lá que estão os verdadeiros filmes. Depois eu os coloco no papel e, por fim, tenho que filmá-los… para libertá-los de sua prisão.


Dave McKean é um gênio! Essa afirmação é irrelevante aqui, mas não poderia iniciar este pensamento sem isto. Porque ele soube expor em tão poucas linhas o que também penso a respeito dos meus escritos.

Eu crio personagens e histórias, que pouco a pouco adquirem vida, arbítrio e vontade. Deixam de ser pedaços de meu consciente (ou subconsciente) e se tornam sencientes por si só. Então eu escrevo, pois preciso libertá-los do cárcere minha mente.

Por sorte não os filmo. Acredito que não suportaria.
Nisso eu me pareço mais com o Alan Moore.


abr 12 2012

O mundo dos mortos (per se)

– Vocês falam sobre os vivos e sobre os mortos como se fossem duas categorias mutuamente excludentes. Como se um rio não pudesse ser também uma estrada, ou como se uma música não pudesse ser uma cor.

Sr. Ibis, em Deuses Americanos, de Neil Gaiman


jan 25 2012

Sister named Desire

– Tori Amos

Got a sister named Desire
They don’t let you
Like those little boys
By their house
On the backyard swing
I know of it ’cause
I thought we told
Some little sweet stories
In the parking lot

They say that girl lost her sway
The say that girl lost her sway
That day (…)


nov 3 2011

A garota que conseguir dizer isso me ganhou!


– original by Mary Poppins