mai 17 2012

Sinal e Ruído 3


Nos meus mundos as pessoas morriam.
Eu achava isso honesto,
Achava que estava sendo honesto.
Achava que estava dizendo a verdade.
Achava que…
Eles eram atores.
E fingiam estar mortos.

- Sinal e Ruído, Neil Gaiman e Dave McKean


mai 10 2012

Sinal e Ruído 2

A mortalidade é algo difícil de encarar.

“Aquilo que não nos mata nos fortalece.” Pode até ser. Mas o que nos mata nos mata, e isso é dureza…

- Sinal e Ruído, Neil Gaiman e Dave McKean


mai 10 2012

Sinal e Ruído 1

- O senhor diz que cria os filmes na sua cabeça antes de filmá-los.

- Sim.

- Já teve alguma surpresa agradável ao ver o filme terminado?

- Na verdade… não. Talvez por saber o quanto eles são diferentes do que eu tinha em mente. É lá que estão os verdadeiros filmes. Depois eu os coloco no papel e, por fim, tenho que filmá-los… para libertá-los de sua prisão.


Dave McKean é um gênio! Essa afirmação é irrelevante aqui, mas não poderia iniciar este pensamento sem isto. Porque ele soube expor em tão poucas linhas o que também penso a respeito dos meus escritos.

Eu crio personagens e histórias, que pouco a pouco adquirem vida, arbítrio e vontade. Deixam de ser pedaços de meu consciente (ou subconsciente) e se tornam sencientes por si só. Então eu escrevo, pois preciso libertá-los do cárcere minha mente.

Por sorte não os filmo. Acredito que não suportaria.
Nisso eu me pareço mais com o Alan Moore.


abr 12 2012

O mundo dos mortos (per se)

- Vocês falam sobre os vivos e sobre os mortos como se fossem duas categorias mutuamente excludentes. Como se um rio não pudesse ser também uma estrada, ou como se uma música não pudesse ser uma cor.

Sr. Ibis, em Deuses Americanos, de Neil Gaiman


jan 25 2012

Sister named Desire

- Tori Amos

Got a sister named Desire
They don’t let you
Like those little boys
By their house
On the backyard swing
I know of it ’cause
I thought we told
Some little sweet stories
In the parking lot

They say that girl lost her sway
The say that girl lost her sway
That day (…)


nov 3 2011

A garota que conseguir dizer isso me ganhou!


- original by Mary Poppins


jul 28 2011

Saudosismo

- Minha mãe perguntou qual o livro você estava lendo.

É bom ser reconhecido pelos meus hábitos novamente, sejam os literários, poéticos ou boêmios. Isto me remete a uma época em que o frio imperava durante as manhãs e as noites e eu poderia ser visto vagando em silêncio, com um livro em mãos, imerso em um mundo que não o vosso.

E hoje a lembrança se aviva: há novamente um livro com páginas marcadas ao meu lado e um agasalho para as manhãs mais gélidas. Enquanto sigo errante para ou do trabalho leio contos do Neil Gaiman em Coisas Frágeis ao som melódico do Sonata Arctica.

Coisas Frágeis

- Ela disse que você estava bonito em claro.

Nunca me admirei em verdade. Não me acho narcisista ou devotado a aparência e, neste caso não acredito que era ao meu cabelo desgrenhado e barba por fazer que se referia. Mas vestia uma camisa de flanela branca e cinzenta e acredito seguramente, que o elogio se deve a meu porte e a aura que irradio quando confronto esse saudosismo envergando minhas cores cinzentas, o branco sobre negro, as virtudes sobre meus ressentimentos…


jul 24 2008

Os Velhos Boêmios

Eu costumava freqüentar um pub enquanto boêmio. Coisa de poeta – dizia. Era um ambiente soturno e úmido sob um teto esburacado onde jogávamos cartas e atirávamos dardos. E bebíamos, é claro, como bebíamos.

Eu sentava sempre na mesa do lado do Fernando e do Edgar e, por maiores que fossem suas diferenças, sempre tinham um assunto para discutir em inglês; e George, contrariado, bebia vinho numa taça mórbida de crânio humano. Éramos um grupo distinto, você deve saber. 
John e o irlandês nos contavam coisas sobre as fadas, e os irmãos Jacob e William quase sempre discordavam. Havia um novato sempre de olho, um americano louco que dizia ver deuses e profetas. Augusto jogava dados com um tal de Destino, que era companhia constante do americano.
E tantos outros passavam a noite naquelas mesas, rabiscando fantasias em guardanapos de papel ou delirando com o fundo do copo de uma strong ale ou, no meu caso, uma lager.
Eu dividia minha mesa com outros desconhecidos que como eu compartilhavam os petiscos (e os delírios) dos veteranos. Bebíamos da mesma fonte. Coisas de poeta.
Estive doente, pneumonia disseram, talvez tuberculose. Mas melhorei, ou algo próximo disto. O pub também esteve fechado, o proprietário ausente ao que parece.
Mas quando voltei nada era mais como antigamente. As mesas pequenas receberam cadeiras plásticas e coloridas, com apoios arredondados para não machucar as cabeçinhas dos infantes. Os quadros de dardos foram substituídos por pôsteres publicitários com splashes e números grandes.
A cerveja foi substituída por shakes de chocolate e baunilha, cobertos por um malte não-escocês e nos tentaram empurrar pequenos complementos alimentares enclausurados em caixinhas de isopor.
O que mais me faz falta são os velhos boêmios. A maioria se foi, para outros pubs neste lado ou além, mas alguns poucos permanecem, tentando se adequar a nova geração, de cabelos cobertos por brilhantina, tênis e calças listradas.
E eu, acho que perdi meu lugar na mesa ao lado do Fernando e do Edgar.