jan 7 2009

Sobre a Paz e como se portar para obtê-la

A idéia de que um ano novo, roupas brancas e água salgada possam trazer paz é ilusória; tão ilusória quanto a própria idéia que se te da Paz. Todos a querem, almejam e alguns chegam mesmo a caçá-la, mal sabendo que esta é a atitude repugnada pela nobre dama.
Pouco mais se pode fazer com a paz do que ceder-lhe um lugar e esperar que, como um felino doméstico, ela ali venha a habitar; servir-lhe leite e biscoitos e esperar que como os duendes benéficos despeje ali suas graças.
A melhor maneira de obter a paz, imagino, não seja com festas e algazarra; mas sim, forjar grilhões dourados e brilhantes que a mantenham presa sem que assim o saiba. E ainda assim, ela ficará somente temporariamente, até que encontre uma maneira de escapar a sua preciosa prisão.
Ela não guarda rancores no entanto, e voltará em momentos ocasionais, e não-festivos, esgueirando-se por entre os móveis e tomando o pequenino espaço que lhe dedicaram como se fosse seu próprio lar.