jan 24 2014

Pálida Inocência

– Álvares de Azevedo

Por que, pálida inocência,
Os olhos teus em dormência
A medo lanças em mim?
No aperto de minha mão
Que sonho do coração
Tremeu-te os seios assim?

E tuas falas divinas
Em que amor lânguida afinas
Em que lânguido sonhar?
E dormindo sem receio
Por que geme no teu seio
Ansioso suspirar?

Inocência! Quem dissera
De tua azul primavera
As tuas brisas de amor!
Oh! Quem teus lábios sentira
E que trêmulo te abrira
Dos sonhos a tua flor!

Quem te dera a esperança
De tua alma de criança,
Que perfuma teu dormir!
Quem dos sonhos te acordasse,
Que num beijo t’embalasse
Desmaiada no sentir!

Quem te amasse! E um momento
Respirando o teu alento
Recendesse os lábios seus!
Quem lera, divina e bela,
Teu romance de donzela
Cheio de amor e de Deus!


out 15 2013

Existem pessoas que ainda acham que goticismo é uma doença…


set 8 2009

Resenha: Deathstars – Night Electric Night

Banda: Deathstars
Álbum: Night Electric Night
Estilo: Gothic/Industrial Metal
Gravadora: Nuclear Blast/Laser Company
CD Nacional – simples
Ano: 2009
País: Suécia
Tempo: 54:47
Nº de faixas: 14 músicas.

Home Page Oficial: www.deathstars.net

A banda sueca Deathstars foi criada em 2000 a partir dos remanecentes do Swordmaster, um projeto de black metal e, tendo suas origens no auge do movimento industrial, adotou o estilo reunindo algumas características do gothic, com influências de Rammstein e Marilyn Manson.

O terceiro álbum da banda, Night Electric Night tem o compromisso de apresentar a evolução e maturidade do Deathstars, objetivo alcançado com certas ressalvas. A sonoridade é o ponto forte do álbum, com arranjos bastante energéticos e um instrumental elaborado. Os teclados e sintetizadores ficam em evidência embora a música não esteja tão eletrônica quanto os primeiros álbuns da banda.

O vocal de Whisplasher Bernadotte acrescenta uma característica sensual a música, com evoluções constantes e ritmadas. A estrutura das músicas contribui neste aspecto rítmico, com repetições freqüentes e uma construção composta por três estrofes intercaladas por um refrão rápido. Na letra sobressaem-se temas como o suicídio (ou assassinato) e referências banais a pornografia.

As melhores músicas foram reunidas no início do CD, especialmente a música título Night Electric Night e Death Dies Hard, que são empolgantes e logo se fixam no subconsciente. Chertograd e The Mark of the Gun têm também seus aspectos marcantes, mas neste trabalho minha preferida é Via the End, que pouco tem em comum com o estilo da banda e evidencia uma melancolia pessoal e a quase ausência dos elementos eletrônicos.

Após esta, o álbum retorna rapidamente a um padrão que se segue até o final e, apesar dos riffs interessantes de Opium e o vocal diferenciado em The Fuel Ignites, pouca diversidade é acrescentada no trabalho da banda. A edição Gold do álbum conta ainda com duas versões remixadas da música título e uma Via the End em piano ainda mais dramática que a original. Night Electric Night é um álbum agradável do início ao fim, embora deixe um pouco a desejar na diversidade.

Lançado no início deste ano pela Nuclear Blast, o CD teve todas as músicas escritas pelo guitarrista Nightmare Industries com pequenas participações de Cat Casino e Rikard Löfgren. A qualidade de gravação é excelente, assim como a arte do encarte que possui uma tipografia incomum e um ar retrô.

Formação:
Nightmare Industries – guitarra, teclados
Whiplasher Bernadotte – vocais
Cat Casino – guitarra
Skinny Disco – baixo, vocal de apoio
Bone W. Machine – bateria

Track List:
01. Chertograd
02. Night Electric Night
03. Death Dies Hard
04. The Mark Of The Gun
05. Via The End
06. Blood Satins Blondes
07. Babylon
08. The Fuel Ignites
09. Arclight
10. Venus In Arms
11. Opium
12. Night Electric Night (The Night Ignites Remix)
13. Via The End (Piano Mix)
14. Night Electric Night (Featuring Adrian Erlandsson)


nov 13 2008

Resenha: Tiamat – Amanethes

A banda Tiamat, que já foi considerada death metal, reforça seu já consagrado lugar no gothic/doom europeu com o lançamento de seu mais recente trabalho, o ábum Amanethes. O nome faz referência a uma palavra turca que descreve uma espécie de música lenta e repetitiva, repleta de dor e tristeza.

Estas características são marcantes nas músicas do álbum, que contém um som caótico, repleto de notas dissonantes e muitos contrastes entre os instrumentos e o vocal; em determinados momentos há teclados que parecem combater a bateria, noutros o próprio vocal rasgado tenta se opor ao volume das guitarras. As letras se restringem aos elementos góticos, com referências ocasionais a anjos e ao demônio, mas o conflito e a tristeza pessoais (o Aman) são os elementos mais evidentes.

As primeiras músicas (de nomes maiores) lembram os trabalhos mais antigos da banda, de som mais sujo e arranjos mais rudes, mas que exigem muito dos instrumentos. Until the Hellhounds Sleep Again se segue num ritmo melancólico, uma música sem clímax e com um refrão repetitivo que logo fica grudado na mente.

Entre quarta e a oitava faixas, as músicas têm uma tendência opressiva, variando muitas vezes o ritmo na própria evolução, mas sem grandes destaques. Um recheio digno para a obra que fornece uma oportunidade para os instrumentais fazerem suas aparições. Em determinados momentos, como em Raining Dead Angels, surge um back vocal feminino quebrando a “desarmonia” do conjunto.

A faixa 9 é uma das que mais me agradou, com sua constância e musicalidade mais apuradas, Misantropolis é o prenúncio para o momento mais calmo do álbum, fator que é compartilhado nas músicas que se seguem, Amanitis e Meliae.

Vila Dolorosa é um retorno ao clima opressivo e pesado do CD, onde o ritmo constante é rompido ocasionalmente pelos vocais gritados de Johan. Circles e Amanes encerram o álbum lentamente, como se a própria música estivesse escorrendo aos poucos para uma morte anunciada.

Lançado em abril deste ano pela Nuclear Blast, o CD foi produzido por Johan Edlund, vocalista da banda e gravado no The Mansion – Grécia e na Suécia. As faixas foram disponibilizadas no MySpace da banda (http://www.myspace.com/tiamat) para aqueles que quiserem experimentar o som. Mas este é um álbum que vale cada centavo gasto.

Formação:
Johan Edlund: vocais, guitarra
Lars Sköld: bateria
Anders Iwers: baixo
Thomas Petersson: guitarra

Set List:
01. The Temple Of The Crescent Moon
02. Equinox Of The Gods
03. Until The Hellhounds Sleep Again
04. Will They Come?
05. Lucienne
06. Summertime Is Gone
07. Katarraktis Apo Aima
08. Raining Dead Angels
09. Misantropolis
10. Amanitis
11. Meliae
12. Via Dolorosa
13. Circles
14. Amanes


maio 30 2008

Resenha: Umbra et Imago – Die Welt Brennt

Banda: Umbra et Imago
DVD: Die Welt Brennt (O Mundo se Incendeia)
Estilo: Gothic Metal
Produtora: Skowronek Audiovisuell / Spirit Productions
Distribuidora: Hellion Records
DVD & CD Nacional
Ano: 2002
País: Alemanha
Conteúdo: DVD: Show em Dresden – Alemanha (Outubro de 2001), Extras (entrevista e faixa bônus). CD: Áudio do show em Dresden – Alemanha.

Home Page Oficial: http://www.umbraetimago.de/

Associar metal gótico a língua alemã já é bastante natural, e “Umbra et Imago” (Sombra e Imagem) foi uma das bandas a fortalecer este estereótipo. Com influência das obras de Freud e Nietzsche, o Umbra abusa da sexualidade, das fantasias e sado-masoquismo como tema em suas músicas, com letras cínicas e críticas a mídia.

Ao assistir o “Die Welt Brennt” é fácil notar na sonoridade do Umbra aquele toque opressivo do gothic, com evoluções lentas e um vocal profundo e claro, características herdadas de Mozart – vocal principal e compositor. O back vocal gutural e arranjos fica a cargo de Lutz Demmler – baixista – que é ponto forte no instrumental; a banda ainda conta com Freddy – guitarras – e Migge – bateria – que conseguem uma boa harmonia com o restante do conjunto, mas sem características marcantes. Sintetizadores, teclados e distorções completam o arranjo.

O show é cercado por uma atmosfera sombria e a aparência dos membros da banda – especialmente Mozart e Lurtz – contribuem neste aspecto. A presença de palco de Mozart é repleta por encenações teatrais, com a participação de duas modelos que constantemente aparecem ao fundo do palco realizando atuações sensuais de sado-masoquismo. Correntes, velas e roupas de couro são os acessórios comuns das moças, além da exposição despudorada de seus corpos.

O DVD conta com músicas de todas a carreira da banda, abrangendo os álbuns Gedanken eines Vampirs (1994), Machina Mundi (1997), Mea Culpa (1999), Dunkle Energie (2001) e Motus Animi (2004). Entre os hits posso citar Mea Culpa, Goth’ Music, Lieber Gott e Alles Schwarz. Fica o destaque para as interpretações de White Wedding (do Billy Idol) e Rock me Amadeus (música pop do Falco).

Apesar da locação pequena e escura, a qualidade de áudio está muito boa para um DVD ao vivo. Os extras incluem uma hora e meia de entrevistas, além de uma faixa bônus – uma participação no Crazy Clip Show. A falta de legendas nas entrevistas é um ponto negativo, a não ser que você entenda um pouco de alemão.

Em resumo, o “Die Welt Brennt” é um show para ser apreciado vagarosamente e com atenção, como uma boa taça de vinho tinto. Fica a recomendação para aqueles que curtem o gênero.