jun 13 2012

Antônio

Todos os anos eles vinham a corte, um após o outro. Chegavam no mesmo barco, trazidos doutro lado do mar pelos ventos ágeis do meio do inverno. O mais velho desembarcava primeiro, pois era esperado e festejado por todo o povo.

Tinhas cachos loiros e olhos claros, e vestia um traje real em veludo azul, com dragonas douradas e diversas medalhas sobre o peito. Os pares faziam reverência  a sua passagem e todos vinham saudar o tão majestoso visitante. Todos os anos.

Ofereciam-se presentes, e regozijavam-se simplesmente por estar ali. Os festejos duravam todo o dia e prolongavam-se durante a noite, ardentes e passionais. Mas quando a manhã chegava, todos já se haviam recolhido.

Somente então o segundo irmão desembarcava, sem ninguém para saudá-lo. Trazia consigo as bagagens e sentava-se sozinho no mesmo salão onde a corte se reunira, agora vazio e esquecido.

Vestia um hábito surrado, e os poucos castanhos lhe caíam desgrenhados sobre a testa. Tinha os olhos grandes e as maçãs pronunciadas, pouco atrativos a comparar com o irmão.

Mas naquela manhã uma voz suave se fez notar – Posso… sentar-me aqui? – perguntou. Uma dama, de braços dados com seu para sorria para ele. – Atrasamo-nos para a chegada, mas por sorte ainda o encontramos.

E passaram horas juntos, festejando a sua maneira. Beberam vinho quente com canela e fartaram-se dos chocolates e frutas da estação. Não haviam os rigores da corte ou as convenções sociais que os obrigassem e puderam conhecê-lo de modo qual nunca antes.

Ao fim da tarde, ele abriu-lhes os baús, retirando dali espada e elmo, manto e uma tiara de prata. Honrou-lhes com títulos de cavalaria, e abençoou, pois em suas lembranças o dia de seu nome tornara-se eterno.


mar 2 2011

Novidades

Nesta segunda recebi a notícia de minha aprovação no seletivo para o mestrado, acompanhado por um e-mail de minha orientadora questionando as disciplinas que eu gostaria de participar.

Enviei também um e-mail para uma amiga minha parabenizando-a pelo sucesso no Desafio Solar em que a equipe dela, estreante, ficou em quarto lugar. Recebi uma resposta bem-humorada e uma série de boas notícias.

E então me vi com novos objetivos, reavendo as amizades e animado novamente.

Obviamente não durou muito. Já ontem me deparei com a minha falta de vontade e o meu fatalismo exacerbado: não sei o porquê destes novos objetivos e pressinto que logo levantarei farpas contra os mais próximos novamente.


fev 28 2011

Falcoaria

Como escudeiro, aprendi certa vez as técnicas da falcoaria. A arte consiste em adestrar aves de rapina, strigiformes e falconiformes. E, apesar de meu expertise teórico, nunca me sai bem na prática desta arte. Na verdade sou péssimo nela.

Tamanho o contentamento que percebo nos pássaros ao alçar vôo, que eu não consigo mantê-los em suas correias. A ânsia pela liberdade me atinge de modo empático, e me vi compartilhando do sonho deles. Por duas vezes, em duas diferentes tentativas, rompi-lhe os grilhões.

Mas ao libertá-los, desnudei a eles toda uma série de novas possibilidades. Seus olhares acurados alcançaram horizontes mais lívidos, suas asas impulsionadas pelos ventos alísios elevaram-se junto às nuvens. E então, foram tomados pelo desejo de ir além.

Me sinto ainda hoje orgulhoso de seus feitos, na caça e no vôo. E apesar disso infeliz, pois não retornaram a mim. Tornando óbvio que não conquistei deles a mesma empatia que desprendi.


ago 25 2010

Percurso

Percorro as ruas de calçadas fragmentadas entre as quais cresce a erva daninha. Apesar do que o nome sugere, a planta não é verde, ao invés tão cinzenta quanto a calçada. Cinzento também o asfalto, os muros e os panfletos neles colados.

Grisalhos e opacos os cabelos e os olhares dos transeuntes, alheios ao germinar da erva e das árvores cinzentas. Nem mesmo o gato que atravessa a estrada em disparada é completamente negro.

Ao subir a ladeira me deparo com o único ponto colorido em meu universo: os céus, acima dos edifícios e telhados exprime uma suave cor púrpura que se mescla ao horizonte banhado pela suave radiância de nossa lua argêntea.


jul 29 2010

O Último dos Cinzentos

Quase uma Era se foi. Para os elfos não pareceu mais que meia década, mas para os humanos toda uma geração envelheceu e partiu. Para a maioria dos humanos ao menos.

Apesar dos anos permaneço de pé, com as costas retas, a face altiva. A velhice me atingiu de sua maneira arrebatadora, tingindo em prata meus cabelos e ofuscando o brilho do olhar.
Mas a morte não veio, não levou consigo a vivacidade e o ardor de um guerreiro.

Mas isto porque, e somente porque, me nego a desistir, me agarrando aos últimos fiapos de esperança, às promessas e àquela vontade de vislumbrar o fim…


mar 3 2009

O que o Futuro Reserva…

Início de março, início das aulas; e muitos dos meus amigos estão fazendo seus caminhos, abrindo passagens, buscando horizontes. Alguns terminaram seus estudos, alguns começam a estudar agora; uns ficam, outros partem.

A Mari fará Física na UFSC, o Grim também; o Jefferson foi para o seminário semana passada. Pedro não fará faculdade, mas continua com o chinês e o Matheus começará Design por aqui enquanto o Ferio o termina este ano. A Ruko se foi para Floripa também. Logo talvez o Paulo se decida.

Eu permaneço, sem saber se isto é bom ou ruim. Se desejo asas para voar para longe ou para estar sempre por perto.


ago 4 2008

Distante

Cada dia mais distante…

do ponto de partida.

jun 13 2005

Dia dos Namorados 2

Feliz dia dos Namorados… a todos aqueles que já encontraram uma princesa ou um príncipe para compartilhar das conquistas e anseios, das dúvidas e temores. A todos estes, que não temem lutar, pois têm uma alma-irmã ao lado, uma chama viva e forte dentro do peito,…

E a todos aqueles que ainda não o encontraram… perseverança e coragem no caminho, porque tesouros maravilhosos sempre aguardam por bravos aventureiros. A estes, nada mais justo que compartilhar o dia de hoje com os amigos; e porque não, com aqueles citados acima.

E que a vida venha, como uma guerra, trazendo fúria e paixão aos corações desalentados..

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jan 19 2005

Acordando ás 5:30

Esta semana tem sido de muito trabalho: entre acordar ás 5:30 da matina e a hora de dormir eu praticamente só tenho visto computador. Ainda não senti efeitos nocivos… ainda.
Apesar disto eu consegui efetuar a minha matrícula e sou novamente um universitário feliz e com menos dinheiro no bolso. Educação custa caro, sabiam?
E por fim, depois de efetuar a matrícula ainda consegui ir ao shopping rever a minha princesa, minha rainha e vários outros amigos: Daisuke, Ferio, Camila e até mesmo conheci a Lia. Espero que ela não tenha ficado com uma má impressão. Ainda fiquei devendo as flores, e também para a Jéssica e a Hyndira.
Estou tentando ficar próximo do povo todo. Afinal, quando tudo mais falha, os amigos ainda estão lá…

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set 15 2003

Fleeing

Everythin’ so strange… everything’ so gray…
I’m just a shadow again,
crawling in the ground,
running of the lights who created me.

Não sei o que houve, nem quando aconteceu… mas hoje de manhã havia novamente somente Lacrimosa e Lacuna Coil na minha playlist.
Estou me sentindo vazio, sabe. Não vejo vontade em voltar a escrever, desenhar, festar… viver! Sei que é só temporário, e que tem de acontecer de vez em quando.
Greywaste me lembrando que ainda pertenço a ele.
Me sinto caminhando sozinho para dentro da vastidão cinzenta, para os desertos de pedras enevoados… cansado e carregado… a armadura e a espada pesam. Poderia tirá-las, deixá-las para trás mas… porque? Não há sentido. Tudo o que restou foi o caminhar, o eterno caminhar.
Talvez haja um horizonte por entre as névoas.

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