jul 12 2014

Visitando a Imperatriz

Antes que meus dias venham, decidi visitar minha musa, a Imperatriz. Andei a sua sombra e escutei paciente os acordes da sinfonia de seu caminhar. Seus olhos estavam velados, distantes aos meus, alheia a transformação a que me exige. Mal sabe ela que é seu o fruto encrustrado em meu âmago, colado precariamente com sangue e bile. E este fruto, esta seta maldita e peçonhenta faz de mim um monstro. Cria de sua criatura.


jul 8 2014

Visitado pelo Rei

Por quatro dias não haverá nada mais de mim que possa cair-lhe a vista. Talvez não nada, mas com certeza pouco. Uma pena ocasional, quem sabe? E após quatro dias talvez eu não tenha mais asas, ou os pedaços estarão colados e unidos novamente. Em quatro dias abrirá minha couraça, operará meu âmago, minhas farpas e meus anseios. Serei ainda um monstro? Uma mantícora, um grifo, ou um homem?


maio 20 2014

I remember you!


This magic keeps me alive,
[ but it’s making me crazy,
And I need to save you,
[ but who’s going to save me?
Please forgive me
[ for whatever I do,
When I don’t remember you.

– Simon, Adventure Time


nov 1 2013

…no fim do caminho

Um lampejo de ressentimento. Já é difícil o bastante estar vivo, tentando sobreviver no mundo e encontrar o seu lugar nele, fazer as coisas de que se precisa para seguir em frente, sem se preocupar se aquilo que você acabou de fazer, o que quer que tenha sido, foi o suficiente para a pessoa que,se não morrera, desistiria da própria vida. Não era justo.

– O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman


set 5 2013

Duppy

Vejo fantasmas, vários deles. Talvez por conta do que eu ande lendo (Filhos de Anansi) ou vendo, das minhas memórias e meus tormentos. Vejo fantasmas e os assombro todos os dias.


ago 5 2013

Must Read

“Assim eu concebia, assim eu me explicava as coisas, e, à medida que os anos passavam, já sentia quase medo de revê-la, pois sabia que nos encontraríamos num lugar em que Lucie não seria mais Lucie, e que eu não teria mais como reatar o fio. Não quero dizer com isso que havia deixado de amá-la, que a esquecera, que sua imagem desbotara; ao contrário; ela morava em mim dia e noite, como uma silenciosa nostalgia; eu a desejava como se desejam as coisas perdidas para sempre. E como Lucie se tornara para mim um passado definitivo (que, como passado, vive sempre e, como presente, está morto), lentamente ela perdia para mim sua aparência carnal, material, concreta, para cada vez mais se desfazer em lenda, em mito escrito sobre pergaminho e escondido numa caixa de metal depositada no fundo de minha vida”
– A Brincadeira, Milan Kundera.

Recomendado por meu amigo, Matheus. Agora na lista dos que eu devo ler.


ago 28 2012

Altpapier

Me sinto como que de papel, como aquela nota amarelada na qual rabiscou suas últimas palavras, abandonada sobre a mesa da cozinha. Marcada pelo tempo, o manuseio e a esferográfica.

Sinto como se as lágrimas que a saudaram tivessem inundado minha’lma, afogando quaisquer sentimentos outrora presentes. Permanecem lá, suspensos indefinidamente próximo ao fundo. Num lugar em que não há fôlego para chegar.

Como o canto da página, o fim da linha, a áspera raspa de lápis ou a marca do mata-borrão. Embolorado e esquecido como as lembranças da escola.

A marca de batom já não é tão nítida quanto as palavras em tinta preta. “Adeus” é mais forte que as outras, resiste bravamente como se desafiando a integridade das fibras.

Num mundo onde tudo se manifesta radiante e oscilante, me percebo querido e abandonado como que uma folha de papel.


ago 1 2012

Após o sétimo Despertar

Anoiteceu mais uma vez, e ao acordar eu não percebi nada de diferente. O oitavo dia amanheceu frio, chuvoso e cinzento como todos os outros que o precederam.

Uma estranha familiaridade toma conta de meu ser. É completa com uma paz quase apática que me instiga a permanecer em meus sentidos. Em sentir, perceber que tudo permanece da maneira que fora deixado na noite anterior.

Ergo-me paciente e começo a recompor meu acampamento. Torno tudo ao interior da mochila, que alço as costas e faço o caminho de volta. Acredito que seja a volta, pois parece que nem mesmo eu sei onde fui parar.

A ponte que encontro no caminho está queimada e eu preciso fazer uma volta muito maior ao vadear o rio. Preciso refazer meus passos, visto que tuas marcas já se foram há tantos dias. Não é mais possível para mim seguir-te.

Eu penso no que de teu mantenho comigo ainda, e busco na mochila tua última recordação. Encontro somente o cordão e uma pequena alça de metal partida. E só então me dou conta do que está diferente.

A própria ausência da ausência. Meu juízo, minha sanidade toma aos poucos conta da minha percepção para revelar que já não há tortura, farpas e sangue. Só um espaço vazio, quem sabe a ser preenchido.

Noutro dia, talvez…


jul 28 2012

Legado, pt. 1

Ler X-men construiu minha infância e adolescência. E há quem diga que é somente um quadrinho com personagens inverossímeis ou superficiais, como a Jubileu. Mas para mim, uma série de lembranças que hoje se refletem no meu caráter, no meu ego.

E eu ainda me surpreendo a reler certas páginas. Acima, Illyana Rasputin, vítima do vírus legado.


jul 23 2012

Alívio

Hoje eu acordei mais cedo, estava tremendo de frio. Levantei-me para pegar outra coberta, e descobri que não adiantaria. Estava mais frio aqui dentro do que lá fora…