ago 31 2012

Glossário

Véxo s. m.

Animal cinzento e estranho, que possui cicatrizes pelo corpo. São pacíficos, gostam de tecnologia, mas não de excesso de socialização.

Têm a tendência de permanecer fiéis a sua matilha, mas são ariscos com outras espécies. Suas matilhas possuem apenas um exemplar, pois têm o costume de escolher matilhas de espécies diferentes, mas desprovidas de outros véxos. Também não trocam de matilha, e por isso a hostilidade com outras espécies.

– definição por Amanda Onishi


fev 15 2011

O Corvo e o Lobo

Tive um pesadelo; nele o grande lobo era perseguido por um corvo que tinha em seus olhos a sabedoria de Odin. O lobo corria pela liberdade, mas a velocidade do pássaro suplantava seu vigor.

Em poucos instantes alcançou-o em um vôo rasante. Prendeu-se em seu pescoço com as garras afiadas e alçou a haste que brotava em seu peito. Em meu inconsciente o lobo tremeu pela sua liberdade. E revidou.

Abocanhou a asa da valquíria com rancor e ambos os animais se debateram em agonia. E então acordei suado, temendo o significado de minha visão…


fev 14 2011

Monstro Liberto

– Crônicas de Ethrü

Cacei-o por anos a fio; rastreei suas marcas e segui sua trilha de devastação até que um dia, sem menor aviso desapareceu. Não haviam mais pegadas pelos campos ou trilhas de sangue entre as árvores. Desapareceram os temores noturnos e as lendas deixaram de ser contadas a sussurros.

Soube então que outro caçador cruzara os campos de caça; empunhava a lança dos nórdicos e cavalgava um garanhão de pelagem branca; seus cabelos cinzentos eram emoldurados por asas de gaivotas. Uma mulher, uma valquíria. Levara o lobo dali e consigo minha liberdade presa ao peito do monstro.

Rumei para sua fortaleza e durante a noite tomei de assalto. Despindo-me da armadura e escudo saltei por sobre a muralha para o pátio interno. De imediato reconheci o ronco trovejante da criatura. Pé sobre pé rumei para ela com espada em punho movido pela ganância.

O prêmio deveria ser meu – pensei – e amaldiçoei a valquíria por tê-o tomado. Dividiria a caça com Jarl que depositara a maldição em seu peito, mas reclamaria para mim sua morte e faria de suas presas meu espólio.

Mas o monstro despertou com facilidade, como da vez anterior. A mesma astúcia e maleficência se denunciavam no rubor de seu olhar. Ergueu-se rapidamente mas foi detido por um pedaço de fita preso em seu pescoço. Ele testou o grilhão como deveria ter feito tantas vezes antes. Havia marcas de mordida na seda, mas nada fora capaz de destruí-la.

O braço esquerdo reclamou na presença da criatura e tive que consolar a espada em minha mão direita. Subi a lâmina sobre o tecido, rompendo-lhe as fibras tal qual rompia o destino traçado pelas Nornas. Por um momento pude ouvir as montanhas ruindo tão alto quanto o passo de um gato. Fazia parte de uma magia antiga, de deuses e anões e temi.

Temia pela fera agora liberta, que rapidamente saltou por sobre o portão e mais uma vez estava solta pelos campos. Distribuiria, sem distinção, fúria e selvageria sobre a terra, fazendo novos órfãos e viúvas. Mas apesar do meu pecado, teria de volta a esperança de liberdade, ou de morte.

– com base no Monstro Agrilhoado


fev 17 2009

Sobre meu túmulo

Noite passada tive um pesadelo,
onde um lobo e um corvo negro juntos
montavam guarda junto a meu túmulo
posto no alto de uma  colina fria.

Pouco além, a oeste da laje branca,
duas árvores altas cresceram entrelaçadas:
a primeira era verdejante e coberta de musgo
e a segunda, cinzenta e estéril.

Fato mais surpreendente no entanto,
a imensidão de pequenas gaiolas penduradas
que continham as mais variadas fadas e sprites.

Umas debatiam-se, outras há muito silenciaram,
sabe-se aguardando um fim ainda vindouro
ou velando uma alma outrora derrotada?


jun 26 2007

Self-Judgement

E muitas vezes me critico, me julgo e me condeno. Por preferir isto a fazê-lo a outros, tento em vão domar o raivoso lobo em meu peito.
Que meu lobo se cale quando prestar as devidas homenagens aos oponentes caídos em batalha, porque merecem-na tanto quanto os companheiros que sepultei, respeitosamente como gostaria também ser tratado.
E, se justiça houver na morte, talvez eu não mais seja criticado, julgado ou condenado

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jun 18 2007

Sobre a Admiração (e quanto injusta pode ser)

1. Ás vezes fico indignado como as pessoas que eu admiro podem ter momentos fúteis, e me critico como se elas não fossem humanos como eu. Mas é estranho pensar que alguém que valoriza tanto os sentimentos e virtudes dos outros possa argumentar a favor de “ficar com quatro na mesma noite”. Eu sou muito antiquado, creio.
2. Um amigo admitiu me admirar antes mesmo de me conhecer, por tudo que falavam de mim. Eu fiquei agradecido por um momento, mas por um momento somente,… pois sabendo que dando razão aos meus atos ele condenava outros pelas suas escolhas; outros a quem eu não ouso condenar, outros a quem ouso eu admirar

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jun 1 2007

Pagando pelos meus pecados

leia-se ouvindo Unia – Sonata Arctica

It’s hard for me to love myself right now,
I’ve waited, hated, blamed it all on you

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fev 12 2007

Errado

Afinal, o que é que está errado?

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nov 9 2006

Encarcerado

E hoje, só saio de casa quando sei que não há ninguém mais na rua. Quando todos os monstros estão aprisionados em meu próprio ser e as pessoas encarceradas no conforto das suas casas. Só então eu saio, para curtir a noite entre os faunos e dríades, tocando flautas aos deuses e demônios, dançando meu próprio sortilégio entre as árvores de pedra e vidro da cidade deserta. Hoje eu só saio de casa…

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ago 9 2006

O Monstro Agrilhoado

– Crônicas de Ethrü

Há três dias percorríamos os campos do norte em busca dos sinais do lobo, quando finalmente o encurralamos numa clareira. Parecia cansado ou tinha sono, Jarl não sabia ao certo, mas foi o primeiro a vê-lo, a grande massa de pêlos cinzentos caída por sobre a relva. Nos aproximamos cautelosos, mas não o suficiente, pois o monstro nos farejou. Ergueu-se de um salto exibindo suas grandes presas.
A astúcia em seus olhos denunciou que nos esperava. Ele confiava demais em sua fúria. Ele rugia ameaçadoramente e tentava nos amedrontar. Confiei minhas costas a Jarl e saquei a espada a tempo de tê-lo saltando sobre mim. O golpe foi rápido, ligeiro demais para que meu amigo disparasse uma flecha. A bocarra do monstro já envolvia meu braço esquerdo enquanto eu inutilmente tentava estoca-lhe a espada no pescoço. Arranhei-o algumas vezes, mas isto só parecia incitá-lo ainda mais.
E então, num movimento súbito ergui-o sobre mim e foi então que a flecha o acertou. Jarl disparou precisamente em seu peito ferindo-lhe no coração. Mas a criatura não caiu, ao contrário, ergueu-se novamente arfante e voltando-se para o lado contrário disparou por entre as árvores.
Ergui-me para acompanhá-lo, mas o elfo deteu-me pelo braço.
– Sete anos, Glenn; por sete anos aquela seta irá torturá-lo em seu peito. E ao final do sétimo ano ele morrerá, se não houver um toque suave o suficiente para arrancá-la dali.
Eu realmente odiava profecias ou maldições, mas especialmente as élficas, pois vinham carregada de verdade além do próprio entendimento. Então eu esperaria, por sete anos, pela morte ou pela liberdade

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