jul 3 2012

Rhaegal

Ao cair da noite parecia pouco mais do que um filhote enrolado sobre si mesmo. Escamas mal cobriam os ossos e os abrasões, aparentes nas partes macias, provocariam pena e compaixão.

Rolou sobre si mesmo, esticando os membros, sentindo o estralar e ranger das articulações. Sobretudo doía-lhe os ombros e os dedos. Sofria com a dor e a queda outrora provocadas.

Porém, a noite trouxe um véu frio sobre seu olhos, e fez correr novamente o sangue em suas veias. Abriu as longas asas coriáceas e deixou que o vento o suspendesse, brevemente.

Ergueu a cabeça e urrou aos céus, um grito de desafio e liberdade. Era dono de si mesmo, nascido do fogo e neto da tormenta…


mar 9 2012

Cão

O cão latiu e abanou a cauda. Era uma criatura enorme e hirsuta, pelo menos sessenta quilos de cão, mas amigável.
– A quem pertence? – o rapaz perguntou novamente.
– Ora, a si mesmo, e aos Sete. Quanto ao nome, não me diz qual é.
Chamo-lhe Cão.

Conversa entre o escudeiro Podrick e o septão Meribald, em O Festim dos Corvos, das Crônicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin


maio 26 2011

Um homem cinza…

Sor Devos Seaworth

Sor Devos Seaworth

 

– Um homem cinza. Nem branco nem preto, mas com um pouco de ambos. É isso o que é, sor Davos?
– E se for? Parece-me que a maioria dos homens é cinza.

Trecho d’A Fúria dos Reis, das Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin