jan 28 2011

Sobre a necessidade da Guerra

O clamor da guerra surge no reino vizinho, na forma de colunas de fumaça e gritos de desespero.
Visto novamente malha e placas. Calço as botas, cubro-me com minha capa e selo meu cavalo.
Abro os portões e cavalgo para o oeste sob as chamas frias da manhã.
Avanço com aço em punho, deixando para trás toda cautela e bom senso.
Pois a batalha ferve em meu sangue, e é tudo o que preciso…

Meu anseio pela batalha é difícil de exprimir. Cinco linhas, poucos versos não são suficientes para absorver todo o rancor que é destilado em meu ser.


jan 26 2011

O Baluarte

Decidi-me por um novo bastião em minha já austera fortaleza. É certo que há muitas eras ela não experimenta incrementos ou fortificações e as muralhas gastas sofrem o peso das inúmeras batalhas que presenciou. Na face oeste, onde uma terrível cicatriz cobria-lhe de alto abaixo projetei a obra: unificar as muralhas noroeste e oeste por um único e rijo baluarte.

Despi-me primeiro da malha e as placas gastas nos ombros e braços. Em seguida calcei as luvas de construtor e uma longa manta para me proteger do frio noturno e, munido de um carro e pá fui atrás de novas pedras que pudessem compor meu baluarte. Encontrei-as poucas na vastidão, muitas grandes demais para que eu pudesse cortar ou mover. Não tive escolha a não ser recorrer a meus pais.

Tomei-lhes o mausoléu e derrubei. Pedra a pedra carreguei-o aos meus domínios. O carro suportou o flagelo com dificuldade, mas findou-me o trabalho meses depois, com eixos tortos e rodas partidas. Somente então removi as grades farpadas e pontas-de-lança que deixei a proteger a cicatriz. Começara então a edificação de meu projeto.

Fundei alicerces em madeira e pavimentei o espaço entre eles com as lages mais finas e seguras. Em seguida erigi a muralha externa, pedra acima de pedra. As maiores encontravam seus lugares abaixo e outras encaixavam-lhes por sobre, sobrando o mínimo de espaço entre elas. Seriam ainda calçadas por rochas menores e outros alicerces em madeira. Trabalhei durante as manhãs e noites, onde o clima era mais ameno, ainda coberto pela longa manta como a  ocultar-me do olhar reprovador das miríades celestes. Tomou-me outros meses. E o mesmo para a muralha interna.

Por fim, misturei a cal, pedras moídas e terra para fazer uma argamassa que pudesse resistir ao tempo. Adicionei cola de gordura de boi para unir melhor. Junto a isso uma infinidade de pedras pequenas extraídas das ruínas da fortaleza, pedaços de grades e espadas quebradas de batalhas passada e os ossos de meus antepassados.

É possível perceber as feições de uma pessoa em seus restos, é o que dizem. Mas olhando para os crânios vazios de minha mãe e meu pai antes de mergulha-lhos na massa eu não vi seus olhares atentos e as feições de reprovação, nem mesmo sorriso despretensioso e frequente dela. Apenas quem sabe, de um modo sutil, a altivez de meu pai. Não havia notado, até o momento, como ao aproximar-me de minha mãe me tornara parecido com ele.

Seu crânio afundou lentamente na mistura, empurrado e fraturado pela lâmina da pá. Por fim a massa preencheu e acentou o interior da muralha dupla. E finalmente concluído, meu recente baluarte de pedras cinzentas, lâminas partidas, pó e cinzas, ossos e ruínas.

Então reinei sobre meus pais, amparado e protegido por eles como nunca outrora.


mar 23 2009

Um Bárbaro entre Cavaleiros

Só porque eu encontrei esta imagem perdida por aí. Outras em: http://www.flickr.com/photos/academia_scam/sets/


abr 13 2007

Braveheart

William: Sons of Scotland! I am William Wallace.
Soldier 2: William Wallace is seven feet tall!
William: Yes, I’ve heard. Kills men by the hundreds. And if HE were here, he’d consume the English with fireballs from his eyes, and bolts of lightning from his arse.
[Scottish army laughs]

William: I AM William Wallace! And I see a whole army of my country men, here, in defiance of tyranny. You’ve come to fight as free men, and free men you are. What will you do without freedom? Will you fight?
Soldier 1: Against that? No, we’ll run, and we’ll live.
William: Aye, fight and you may die, run, and you’ll live… at least a while. And dying in your beds, many years from now, would you be willin’ to trade ALL the days, from this day to that, for one chance, just one chance, to come back here and tell our enemies that they may take our lives, but they’ll never take… OUR FREEDOM!

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jul 13 2004

Bastard Sword

bastard sword: (also known as hand-and-a-half sword) large, double-edged sword with a long grip which could be wielded with either one or two hands
Medieval Glossary of Babylon

Minha rainha me presenteou com uma espada. “Um cavaleiro não estará completo sem uma”, disse. E eu não tive palavras para agradecer.
Vou fazer o possível para honrar o presente.
Não, desta vez não falo através de fábulas.

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jan 10 2004

Finais…

Está acabado, tudo terminado. Vi o último episódio de Noir hoje e, foi fantástico. Terminei Excalibur, e se eu pudesse choraria.
Tudo acabado, Artur nas névoas prateadas, Merlin tragado por Manawydan e todos os que amamos longe,… ou quase. Mas vocês devem estar perdidos não é mesmo? Do que estou falando?
Os últimos três meses trouxeram mais finais do que eu jamais esperei: Love Hina, Video Girl, Noir, As Crônicas de Artur, e outras tantas Batalhas, minhas Batalhas. Mas foram os tempos que eu mais vivi.

E depois?
Um novo ciclo talvez, ou a nostalgia do saudosismo? Espero minha própria resposta.

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out 10 2003

Os últimos instantes de um Guardião

A casa de campo não suportaria o ataque por muito mais tempo. Não era uma fortaleza e, apesar das paredes de pedra e alicerces sólidos, as portas e janelas cederam rapidamente.
Em seu aposento, a rainha Gwenllian dobrava os vestidos, pondo-os cuidadosamente numa grande urna. Havia uma certa tristeza em seus gestos. A guarda real pouco conseguia entender das atitudes da soberana, mas aparentemente não havia muito a ser feito. Winfred e seus dois companheiros eram a última linha de defesa.
Ela parou por um momento em frente a cômoda e ergueu a tampa da caixinha de música. Uma melodia suave e metálica preencheu o aposento, contrastando instensamente com os sons brutais que vinham do andar térreo.
Winfred voltou-se para Duncan, ordenando que ficasse diante da porta. Olhou nos olhos de Earl; ambos sabiam o que devia ser feito.
Saindo do quarto, desmbainharam as espadas e desceram as escadas apressados. Os últimos sentinelas e servos leais estavam sendo subjugados frente a tropa inimiga. Havia sangue espalhado pelo chão e as mesas de jantar haviam sido viradas como barricadas que se mostraram ineficazes.
Uma dúzia de soldados de mantos cinzentos ocupava o salão, e mais uns dois fomoris gigantescos, que por pouco não passaram à porta. Earl e Winfred investiram contra os soldados, derrubando dois deles quase que imediatamente. Um dos fomoris ergueu Earl pelo pescoço, quase separando sua cabeça do corpo. Winfred foi atingido por duas flechas, no peito e na coxa, mas não fraquejou.
Noutro passo, trespassou as defesas de um soldado golpeando-o á altura do pescoço. Mas este golpe foi amplo o suficiente para abrir sua guarda. Um dos soldados correu a seu encontro e perfurou-lhe uma lança entre as costelas. Winfred caiu.
Permaneceu vivo por tempo suficiente para ver o tenente atravessar seu pescoço com a lâmina de sua própria espada que permaneceu erguida, presa entre os degraus da escada.
Sabendo que a rainha estava desprotegida, a tropa seguiu para o andar superior e foi desafiada pela presença sólida de Duncan em meio ao corredor. Havia mais chances de vencê-los assim, um a um. Mas, desafortunadamente Duncan sobreviveu somente a três assaltos e caiu sob a lâmina do machado de um dos soldados.
Havia um sorriso sarcástico nos lábios do comandante quando punha a mão na maçaneta. Dentro do cômodo, a rainha voltava suas costas para a parede, divisando o manto cinzento por detrás da fresta. A melodia suave preenchia o quarto e avançava pelo corredor, melodia que Winfred conhecia muito bem, que sua irmã lhe cantarolava em sua infância.
Sua irmã havia morrido por um descuido seu, um breve momento de medo. Não se podia culpar uma criança por isto. Mas não um adulto… não deixaria que ferissem Gwenllian como fizeram a Annabelle.
Ouviu-se um som rasgado e um grande baque surdo quando o fomori tombou sob o piso de madeira. As próprias vigas da estrutura gemeram com o golpe. A espada de Winfred se ergue em sua mão, coberta em sangue negro.
Outro soldado avançou em sua direção e golpeou-o no peito com o machado. A força do golpe foi tanta que Winfred foi jogado para trás, mas permaneceu de pé. Sequer havia em seu rosto sinal de dor. Com mais um golpe, tombou o portador do machado. Os três homens no corredor ainda olhavam para ele assustados. O sangue vertia-lhe do peito e do pescoço, mas ele sequer cambaleava.

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out 7 2003

Anseios de um Cavaleiro

recompilado de 4/03/01

Quero…
o vento golpeando-me os cabelos
quero…
sentir o odor da grama e do orvalho
quero…
rumar em direção as novas pastagens
a reinos que ainda não conheço

Quero…
ter comigo minha montaria,
meu mais fiel companheiro
quero…
correr com ele sem rumo ou direção
quero…
fugir de toda dor que me aflige a alma

Quero…
minha espada em punho
quero…
a rédea e a sela
quero…
no coração a coragem
e na alma a honra

Quero…
que a tempestade se aproxima
e traga com ela a guerra e a fúria
quero…
um beijo salgado pelas lágrimas
quero…
minha espada e minha grande guerra…

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ago 19 2003

Simples Constatação

O sangue jorra,
lentamente desce pelo braço
e escorre através do guarda-mão
manchando a lâmina alva

O braço caído,
a ponta afiada apoiada contra o sol
sustenta o corpo exausto
de um guerreiro ferido

As pernas tremem,
sua visão borra, a mente turva
e ele cambaleia

E cai,
como um anjo sem asas
tomba ao chão

PS: eles ainda marcham

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ago 5 2003

Num reino muito, muito distante…

O cavaleiro avançava resoluto, galopando velozmente sobre os prados. A sua frente surgiu um lanceiro vestindo as cores inimigas. Impetuosamente o cavaleiro se atirou sobre ele com a lança em justa, certo de que, como outros tantos que já enfrentara, este cairia frente a seu golpe poderoso.
Mas o verdadeiro golpe foi desferido pelo flanco, de um arqueiro oculto nos bosques que acertou o cavaleiro entre as costelas. A flecha não conseguiu penetrar a malha, mas provocou um latejar intenso e abrupto, que jogou o cavaleiro ao chão. Suas costas chocaram-se contra o solo com violência e a dor aumentara.
Logo aproximaram-se um trio de lanceiros que violentamente o golpeavam com achas de armas. A couraça forjada durante eras resistia bravamente, entortando a ponta das armas. Ainda assim, os golpes desferidos feriam o cavaleiro por sob a malha, provocando contusões e pequenos cortes.
Com dificuldade ergueu-se acima de seus oponentes, sustentando a espada um tanto desajeitadamente. Ouviu-se então um uivo distante, fraco e lamentoso que chegou aos ouvidos do cavaleiro como uma súplica. Ele ainda recordava, milhas distante sob a floresta, ele acorrentara um lobo. Jazia preso e enclausurado pela vontade do cavaleiro, e agora exigia sua libertação.
Ignorando-o, o cavaleiro firmou-se sobre os dois pés e desferiu um golpe violento contra as formas borradas a sua frente. Seu estômago latejava e em sua cabeça tudo estava confuso, distorcido. Ainda assim ele não queria libertar a força selvagem do lobo que uivava instigando-o.
Outro golpe acertou-o no flanco, forçando-o a recuar um passo. Sequer podia ver seus atacantes. Não importa quantos seriam, ele precisava vencê-los sem o auxílio do monstro. Mas neste momento o cavaleiro se pergunta se é possível.
E o lobo permanece uivando “liberta-me”.