jul
13
2004
bastard sword: (also known as hand-and-a-half sword) large, double-edged sword with a long grip which could be wielded with either one or two hands
- Medieval Glossary of Babylon
Minha rainha me presenteou com uma espada. “Um cavaleiro não estará completo sem uma”, disse. E eu não tive palavras para agradecer.
Vou fazer o possível para honrar o presente.
Não, desta vez não falo através de fábulas.
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jan
10
2004
Está acabado, tudo terminado. Vi o último episódio de Noir hoje e, foi fantástico. Terminei Excalibur, e se eu pudesse choraria.
Tudo acabado, Artur nas névoas prateadas, Merlin tragado por Manawydan e todos os que amamos longe,… ou quase. Mas vocês devem estar perdidos não é mesmo? Do que estou falando?
Os últimos três meses trouxeram mais finais do que eu jamais esperei: Love Hina, Video Girl, Noir, As Crônicas de Artur, e outras tantas Batalhas, minhas Batalhas. Mas foram os tempos que eu mais vivi.
E depois?
Um novo ciclo talvez, ou a nostalgia do saudosismo? Espero minha própria resposta.
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out
10
2003
A casa de campo não suportaria o ataque por muito mais tempo. Não era uma fortaleza e, apesar das paredes de pedra e alicerces sólidos, as portas e janelas cederam rapidamente.
Em seu aposento, a rainha Gwenllian dobrava os vestidos, pondo-os cuidadosamente numa grande urna. Havia uma certa tristeza em seus gestos. A guarda real pouco conseguia entender das atitudes da soberana, mas aparentemente não havia muito a ser feito. Winfred e seus dois companheiros eram a última linha de defesa.
Ela parou por um momento em frente a cômoda e ergueu a tampa da caixinha de música. Uma melodia suave e metálica preencheu o aposento, contrastando instensamente com os sons brutais que vinham do andar térreo.
Winfred voltou-se para Duncan, ordenando que ficasse diante da porta. Olhou nos olhos de Earl; ambos sabiam o que devia ser feito.
Saindo do quarto, desmbainharam as espadas e desceram as escadas apressados. Os últimos sentinelas e servos leais estavam sendo subjugados frente a tropa inimiga. Havia sangue espalhado pelo chão e as mesas de jantar haviam sido viradas como barricadas que se mostraram ineficazes.
Uma dúzia de soldados de mantos cinzentos ocupava o salão, e mais uns dois fomoris gigantescos, que por pouco não passaram à porta. Earl e Winfred investiram contra os soldados, derrubando dois deles quase que imediatamente. Um dos fomoris ergueu Earl pelo pescoço, quase separando sua cabeça do corpo. Winfred foi atingido por duas flechas, no peito e na coxa, mas não fraquejou.
Noutro passo, trespassou as defesas de um soldado golpeando-o á altura do pescoço. Mas este golpe foi amplo o suficiente para abrir sua guarda. Um dos soldados correu a seu encontro e perfurou-lhe uma lança entre as costelas. Winfred caiu.
Permaneceu vivo por tempo suficiente para ver o tenente atravessar seu pescoço com a lâmina de sua própria espada que permaneceu erguida, presa entre os degraus da escada.
Sabendo que a rainha estava desprotegida, a tropa seguiu para o andar superior e foi desafiada pela presença sólida de Duncan em meio ao corredor. Havia mais chances de vencê-los assim, um a um. Mas, desafortunadamente Duncan sobreviveu somente a três assaltos e caiu sob a lâmina do machado de um dos soldados.
Havia um sorriso sarcástico nos lábios do comandante quando punha a mão na maçaneta. Dentro do cômodo, a rainha voltava suas costas para a parede, divisando o manto cinzento por detrás da fresta. A melodia suave preenchia o quarto e avançava pelo corredor, melodia que Winfred conhecia muito bem, que sua irmã lhe cantarolava em sua infância.
Sua irmã havia morrido por um descuido seu, um breve momento de medo. Não se podia culpar uma criança por isto. Mas não um adulto… não deixaria que ferissem Gwenllian como fizeram a Annabelle.
Ouviu-se um som rasgado e um grande baque surdo quando o fomori tombou sob o piso de madeira. As próprias vigas da estrutura gemeram com o golpe. A espada de Winfred se ergue em sua mão, coberta em sangue negro.
Outro soldado avançou em sua direção e golpeou-o no peito com o machado. A força do golpe foi tanta que Winfred foi jogado para trás, mas permaneceu de pé. Sequer havia em seu rosto sinal de dor. Com mais um golpe, tombou o portador do machado. Os três homens no corredor ainda olhavam para ele assustados. O sangue vertia-lhe do peito e do pescoço, mas ele sequer cambaleava.
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out
7
2003
recompilado de 4/03/01
Quero…
o vento golpeando-me os cabelos
quero…
sentir o odor da grama e do orvalho
quero…
rumar em direção as novas pastagens
a reinos que ainda não conheço
Quero…
ter comigo minha montaria,
meu mais fiel companheiro
quero…
correr com ele sem rumo ou direção
quero…
fugir de toda dor que me aflige a alma
Quero…
minha espada em punho
quero…
a rédea e a sela
quero…
no coração a coragem
e na alma a honra
Quero…
que a tempestade se aproxima
e traga com ela a guerra e a fúria
quero…
um beijo salgado pelas lágrimas
quero…
minha espada e minha grande guerra…
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ago
19
2003
O sangue jorra,
lentamente desce pelo braço
e escorre através do guarda-mão
manchando a lâmina alva
O braço caído,
a ponta afiada apoiada contra o sol
sustenta o corpo exausto
de um guerreiro ferido
As pernas tremem,
sua visão borra, a mente turva
e ele cambaleia
E cai,
como um anjo sem asas
tomba ao chão
PS: eles ainda marcham
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ago
5
2003
O cavaleiro avançava resoluto, galopando velozmente sobre os prados. A sua frente surgiu um lanceiro vestindo as cores inimigas. Impetuosamente o cavaleiro se atirou sobre ele com a lança em justa, certo de que, como outros tantos que já enfrentara, este cairia frente a seu golpe poderoso.
Mas o verdadeiro golpe foi desferido pelo flanco, de um arqueiro oculto nos bosques que acertou o cavaleiro entre as costelas. A flecha não conseguiu penetrar a malha, mas provocou um latejar intenso e abrupto, que jogou o cavaleiro ao chão. Suas costas chocaram-se contra o solo com violência e a dor aumentara.
Logo aproximaram-se um trio de lanceiros que violentamente o golpeavam com achas de armas. A couraça forjada durante eras resistia bravamente, entortando a ponta das armas. Ainda assim, os golpes desferidos feriam o cavaleiro por sob a malha, provocando contusões e pequenos cortes.
Com dificuldade ergueu-se acima de seus oponentes, sustentando a espada um tanto desajeitadamente. Ouviu-se então um uivo distante, fraco e lamentoso que chegou aos ouvidos do cavaleiro como uma súplica. Ele ainda recordava, milhas distante sob a floresta, ele acorrentara um lobo. Jazia preso e enclausurado pela vontade do cavaleiro, e agora exigia sua libertação.
Ignorando-o, o cavaleiro firmou-se sobre os dois pés e desferiu um golpe violento contra as formas borradas a sua frente. Seu estômago latejava e em sua cabeça tudo estava confuso, distorcido. Ainda assim ele não queria libertar a força selvagem do lobo que uivava instigando-o.
Outro golpe acertou-o no flanco, forçando-o a recuar um passo. Sequer podia ver seus atacantes. Não importa quantos seriam, ele precisava vencê-los sem o auxílio do monstro. Mas neste momento o cavaleiro se pergunta se é possível.
E o lobo permanece uivando “liberta-me”.
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mai
29
2003
Sim, sim… estou no lugar errado, na época errada, no universo errado. Sim, é isto mesmo o que eu penso.
Mas não é esta a questão, não hoje. Hoje a questão é “I promise to honour my faith, to protect my lady and to guard my kingdom”.
É isso, simples assim. Não há. Acorda para a vida real.
Alguém aí teria piedade de um ogro? Não deveriam… eles são grandes criaturas cruéis, malignas e muito traiçoeiras. Deixe ele dar o primeiro golpe e ele partirá sua coluna com as próprias mãos.
Mepabá… mepabá…
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abr
8
2003
Surpreendido, sinto somente um golpe surdo no peito, um ruído oco. Os elos da malha se partem. Não há dor ou desconforto, somente a sensação de incômodo, uma farpa presa no peito.
Avanço decidido, fazendo a espada descer sobre o pescoço do oponente a minha frente em meu próximo passo. O seguinte já não se torna tão fácil quando a garganta seca repentinamente e a respiração não me traz o desejado oxigênio consigo, mas sim uma sensação de agonia e sufocamento.
Então eu sinto a dor, talvez retardada pela fúria da batalha, talvez por algum artifício do destino cruel. Ela força-me o peito, impedindo a respiração, enchendo meu pulmão de meu próprio sangue. As pernas fraquejam, o próximo passo não chega a findar-se. Ajoelho-me, apoiado na espada como a uma bengala.
Apoio-me totalmente em minha vontade e forço-me a erguer-me na força de meus braços. O gosto férrico e amargo sobe até minha boca, ardendo como fogo enquanto o sangue escapa-me entre os dentes. Minha força se esvai totalmente.
As pernas tremem enquanto, tentando respirar, começo a ter espamos. A visão se torna turva e escurece. O único odor que ainda distinguo é o de sangue que exala de meu próprio interior. Sinto o solo sob mim.
Mas não termina aí, não enquanto convulsionando, meu pulmão busca ainda o ar até que se sufoque totalmente em sangue. Não há o frio da morte, não a consciência ou a lucidez de um golpe fatal. Desesperado, meus gritos se abafam em minha própria garganta, enquanto morro afogado em meio à batalha.
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