jul 12 2014

Visitando a Imperatriz

Antes que meus dias venham, decidi visitar minha musa, a Imperatriz. Andei a sua sombra e escutei paciente os acordes da sinfonia de seu caminhar. Seus olhos estavam velados, distantes aos meus, alheia a transformação a que me exige. Mal sabe ela que é seu o fruto encrustrado em meu âmago, colado precariamente com sangue e bile. E este fruto, esta seta maldita e peçonhenta faz de mim um monstro. Cria de sua criatura.


jul 8 2014

Visitado pelo Rei

Por quatro dias não haverá nada mais de mim que possa cair-lhe a vista. Talvez não nada, mas com certeza pouco. Uma pena ocasional, quem sabe? E após quatro dias talvez eu não tenha mais asas, ou os pedaços estarão colados e unidos novamente. Em quatro dias abrirá minha couraça, operará meu âmago, minhas farpas e meus anseios. Serei ainda um monstro? Uma mantícora, um grifo, ou um homem?


nov 3 2012

Auto-estima

Muitos dias sinto repugnância por mim mesmo,
mas na maioria deles eu só me odeio…


out 24 2012

Primeiro Mandamento dos Anjos Guardiões

Sê verdadeiro.
Mesmo que não te traga alegria, que exponha tua carapaça e o teu flanco aos golpes do inimigo.
Que teu sentimento nunca falhe, tua fé não esmoreça e tua luta seja eternamente apoiada nas tuas virtudes.
Faz pelo outro mais do que gostaria de ter para ti mesmo, e dedica-lhe os teus melhores esforços.
Desprende-te ao teu próximo, mesmo que isso te leve a ruína…


jul 25 2012

O Monstro, pt. II

– Crônicas de Ethrü, em continuidade ao Monstro

Há certas noites que ainda penso no monstro. Não é um pesadelo, nem nada do gênero; eu só estou deitado no meu catre e deixo meus pensamentos vagarem pelas memórias da minha infância.

E é então que eu vislumbro aqueles olhos selvagens na escuridão. O verde doentio se volta rapidamente a mim, e sua respiração se condensa branca no ar. E eu corro. Mas ele me segue além de seu refúgio, e nos meus pensamentos finalmente me alcança.

Tomado de assalto, caio e rolo sobre a relva, ferindo meus joelhos nas rochas. Eu olho em volta e ele não está mais lá, mas ainda sinto sua respiração sobre mim, uma sensação como se estivesse a me observar de algum lugar oculto.

Mas essa é uma lembrança forjada. Onde quer que esteja, em seu refúgio sob a terra, o monstro permanece aquietado ou em torpor. E eu torço para que ele continue lá, ao menos por mais um dia…


jan 31 2012

Tormenta

Que venha a tormenta, sua chuva, ventania e trovões,
que atinja o campo de batalha com força e domínio,
e que seus raios me partam em inúmeras frações
libertando estas sendas de seu senhor mais sombrio.

Que os fragmentos de minh’alma possam então divididos,
ao invés de disputados; cada peça de mim um penhor
dentre meus combatentes mais valorosos então repartidos
meu pesar, minha mágoa e rancor.


set 14 2011

Never Hug Me!


abr 10 2011

Lack of (or excessive) self-pity

Sometimes i realize that i’m not a enough valuable achievement…


set 4 2006

Monstro

Monstro. Farpas, couraça e ferrão. Negro como a noite, maligno como o inferno. Teu veneno e tua amargura distorcem os sentidos, causam ânsia, nojo e ódio. Ódio; és senhor do ódio, do rancor, da mágoa.
Monstro. Por nasceres escorpião, por cresceres com a espada em punho.
Tortura, pois quando te vêem correm a cutucar-se, arrancar-te os membros, por seres vil, cruel e maligno. Monstro.
Tratam-te com a acidez, porque nada perfura tua couraça, sentimento algum nasce de tuas entranhas, humildade alguma encontra-se em teu peito. Ao contrário, és mestre da mágoa, e a provocas a bel prazer. Porque te rejubilas com a dor, cabelos soltos a chicotear-te o rosto, num banco de praça qualquer.
Assim vivem dentre os monstros, os insetos. Aracnídeo. Banidos e enojados, tramando solitários, entre lágrimas o próximo ato de ódio. Remoendo, em seu íntimo, as palavras nunca esquecidas: “nunca te perdoarei”…

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abr 13 2006

Troll II

Atônito, observava a tudo e a todos; queria falar, mas as palavras não lhe saíam. Eles agora o rodeavam, alguns confusos, outros curiosos. E então, de meio ao nada ela surgiu, coberta em couro e vingança, trazia em suas mãos um grande machado, o qual descreveu no ar uma curva até o ventre da criatura. Gritou algo do qual o monstro compreendeu somente um “… odeio”.
Mas ele não caiu, ao contrário, ergueu seus olhos repletos de fúria e ódio. Mas algo de estranho tomou seu ser, e não brotava da dor em seu estômago, ou do sangue que lhe escorria para as pernas; era uma estranha apatia, reflexo da aceitação. Não entendia o porquê, não sabia se era justo, e ainda assim compreendia o ódio, porque era o monstro, era cruel e malicioso, ao menos aos olhos alheios

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