out 15 2014

Havia gente que se podia abraçar,…

Nin estremeceu. Queria abraçar seu guardião, segurá-lo e lhe dizer que ele nunca o abandonaria, mas o ato era impensável. Ele não podia abraçar Silas mais do que podia abraçar um raio de luar, não porque seu guardião fosse insubstancial, mas porque seria errado. Havia gente que se podia abraçar, e havia Silas.

– O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman

Um dos melhores livros do Gaiman que eu li até hoje, e imensamente recomendado por mim. Não vou falar muito para não estragar a leitura, e também porque não sei se conseguiria igualar ao sentimento que vivenciei ao lê-lo. Ah, e as ótimas ilustrações do Dave Mckean!


maio 7 2014

Réquiem pelo Sonho Anônimo


Onde estão as penas
do anjo,
que fora colhido de meus braços
rumo aos céus?
Onde estão suas penas,
lindo anjo?


out 18 2013

Elogio

Infelizmente estou longe. Mas… Precisava sair sim. Conversar. Acho que ninguém conversa tão bem sobre a morte quanto você…


set 21 2013

A beautiful lie…


jul 30 2012

Ela que nunca mais o procurou

Ainda vejo tua face em todos os lugares,
e por mais que procure noutros rostos
outros castanhos que não os teus,
me descubro revendo teu olhar.

Deixo minha mente vagar,
pois o caminho do pesar me atrai
e me engolfa na tua presença
de modo que a realidade não faz.

Certo de que teus pensamentos
se voltam para mim vez ou outra
e desejam ao meu colo retornar.

Te espero hoje, certo de que
se tua partida me agrilhoou,
só tua presença, tua arte
[ me  libertará…

– em nome Daquele que a Morte deixou


jul 18 2012

Finitude


o homem é um ser mortal, cuja principal característica é a consciência de sua finitude. (…) Portanto, apagar essa consciência não seria um retrocesso do ser humano?


jul 13 2012

Another chance…

She gave me that faithful smile,
a wink and throw me a kiss.

She made me want more,
a reason to die again.


jun 29 2012

Pequeno verso

Acho que morro um pouco a cada dia,
e talvez durante a noite ressuscite;
Restaurado pela noite, pelo frio e pela lua
que teimam em não me deixar.


maio 28 2012

Agora eu sei…

Das sapatilhas azuis e brancas um ritmo inconstante, reduzindo em velocidade conforme aproximava-se. Parecia temer a reação dele ao vê-la, mas por sob as lentes grossas não era possível discernir seu olhar. Parou a frente dele e pousou sobre o gramado um ramo de lírios brancos.

Em seu âmago ela almejava o reencontro, mas afligia-lhe as palavras que treinara durante toda a semana. Começou dizendo que sentia a falta dele, mas a voz falhou-lhe no meio da sentença. Pigarreou e tentou novamente, com mais força na entonação. Ele continuava impassível a isso. Era esperado.

Então ela lembrou-lhe o passado, quando o sacrifício dele passou despercebido por si. Algo dentro dele remexeu-se. Ela sentia muito por não ter percebido suas intenções. O algo desenrolou-se e rugiu, ameaçador. A coragem subia-lhe como um vinho forte, e as palavras começaram a jorrar em goles grandes.

Agora eu sei o que você sentiu – ela disse – quando o mesmo aconteceu comigo. O punho dele se ergueu contra o granito. Queria que você pudesse me perdoar, e me aceitar. Esfolava os punhos, rugia com todas as forças de seus pulmões. Queria ter feito isso por você enquanto era tempo.

Mas o tempo já não era. Ele queria erguer o esquife, agarrá-la com força e torce-lhe o pescoço até que a vida se esvaísse dela. Queria tomar seus lábios e sugar seu calor. E tudo isto porque o tempo se foi, e ninguém o notou enquanto ele vivia.


maio 17 2012

Sinal e Ruído 3


Nos meus mundos as pessoas morriam.
Eu achava isso honesto,
Achava que estava sendo honesto.
Achava que estava dizendo a verdade.
Achava que…
Eles eram atores.
E fingiam estar mortos.

– Sinal e Ruído, Neil Gaiman e Dave McKean