maio 10 2012

Sinal e Ruído 2

A mortalidade é algo difícil de encarar.

“Aquilo que não nos mata nos fortalece.” Pode até ser. Mas o que nos mata nos mata, e isso é dureza…

– Sinal e Ruído, Neil Gaiman e Dave McKean


abr 21 2012

Sobre a relatividade na morte

As pessoas costumam pensar na morte como algo absoluto, imutável e derradeiro. Recentemente tenho ponderado muito sobre o assunto, lendo conceitos de outros autores e revendo os meus próprios conceitos.
Concluí que a morte é relativa – e bem relativa, diga-se afinal.

  1. A morte se apresenta em estágios; sendo o primeiro deles o de não-morte (undead). A maior parte de nós está passando neste momento por este estágio, sem prestar atenção a nossa própria mortalidade e ao estágio que virá a seguir.
  2. Alguns poucos de nós estão no estágio de ligeiramente mortos, já mais conscientes da verdade e do outro lado da moeda. Este estágio exige uma certa reflexão, melancolia e até mesmo alienação.
  3. O estágio de mortinho da Silva chega com conforto e descanso. Finalmente, após tanta reflexão e estafa psico-filosófica e mental, nos recolhemos ao nosso sono profundo e acreditamos que isto é tudo. É o estágio que os ignorantes tomam por derradeiro.
  4. Além disto vem o estágio da iluminação, que chamo tão morto como um prego de porta (como citado por Dickens).  Nesta etapa vemos o outro lado do espelho, e nos sentimos tentados a partilhar este discernimento com aqueles que estão ainda não estão lá.
  5. Finalmente, o renascido. Após uma eternidade preso as correntes, caixilhas e pregos no estágio anterior, o indivíduo se consome e desaparece. Perde então a consciência da morte e retorna ao estágio 1.


abr 12 2012

O mundo dos mortos (per se)

– Vocês falam sobre os vivos e sobre os mortos como se fossem duas categorias mutuamente excludentes. Como se um rio não pudesse ser também uma estrada, ou como se uma música não pudesse ser uma cor.

Sr. Ibis, em Deuses Americanos, de Neil Gaiman


nov 3 2011

A garota que conseguir dizer isso me ganhou!


– original by Mary Poppins


nov 1 2011

Espera

Está sempre por perto, mas nunca me visita.
Se me encontra na rua não me cumprimenta,
desvia o olhar, sequer sorri.

Curiosa ronda nossos amigos, ás vezes,
visita suas casas e lá fala de mim, espero,
mas nenhum recado me entregaram.

Certa vez, por mensagens instântaneas
combinamos um café que nunca bebemos,
conversas sobre um futuro que não realizamos.

Me prolongo nas ruas em que passa,
saio mais cedo, permaneço até mais tarde,
mas me foge para um outro lugar.

Há uma semana espero a visita que não chega,
ansiedade que me corrói como úlcera, a espera,
da chegada de minha amada Morte.


ago 3 2010

Sobre a Morte, por Drizzt Do’Urden

Estou morrendo.

A cada dia, a cada sopro de ar que aspiro, mais me aproximo do final de minha vida. Pois que nascemos com um número finito de alentos, e cada uma de minhas inspirações conduz a luz do sol que é minha vida rumo ao inevitável crepúsculo.

(…)

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jul 9 2009

I’m losing

inspirado em Cardigans’ – My Favorite Game

Pegou o carro, o mustang velho de guerra com a lataria carcomida pela ferrugem e uma única calota restante. Acelerou; tanto quanto podia. Poeira e pequenas pedras do asfalto voavam para trás, para o passado. Á frente somente o negro do asfalto, o vermelho do deserto e o horizonte azulado.

Chegaria a tempo? Chegaria inteiro? Chegaria..?

Seu jogo favorito era lutar contra o tempo, contra as expectativas contrárias. Mas perdia. Sabia que lutava, perdia, e gostava. Um clube da luta, que nada, tornou-se membro exclusivo de um clube para os caídos. Mas agora, caindo ao horizonte só havia uma direção a tomar.

Para frente, para o horizonte. Para ela?

Conforme o sol descia ao horizonte e o azul se tornava negro, viu as lágrimas dela pontilhando o céu. O ponteiro do velocímetro continuava no máximo, mas o de combustível reduzia lentamente. Uma a uma apareciam em sua negra tez. Quis tocá-la, mas sua velocidade não era suficiente.

Ele nunca foi o suficiente para ela.

Manteve o pé firme no acelerador quando ela surgiu, de faróis altos e ofuscantes. Vinha do horizonte tão rapidamente que ele mal pôde abrir os braços para recebê-la. Ela o arrematou e jogou ao ar. Parecia voar, finalmente para os braços da Noite.


jun 4 2009

É junho e faz frio…

É junho e faz frio, finalmente o frio. Tive saudades e temi que ele não viesse outra vez, mas cumpriu o prometido.
Ano sim, ano não, me faz tirar do armário o sobretudo, minha segunda pele e sentir novamente prazer em caminhar pela noite.

A lua, meio encoberta pelas nuvens (ou seria névoa?) me observa curiosa, atenta. Sua luz argêntea não chega a tocar-me na escuridão. Pertenço a ela, creio. E ao frio, e me criaram como pai e mãe pouco zelosos, arremessando-me para o seio da vida. Dolorosa e doce vida.

Filha da escuridão também a morte. Minha irmã, minha cara-metade, anseio dos meus dias, fonte do meu desejo. Se esgueira pela noite e foge, correndo por vielas que não aquelas que freqüento. Certo dia ainda a encontro, ou me encontra, não sei ao certo.

Enquanto isso a noite avança vagarosamente, cobrindo de lágrimas brilhantes o negrume da escuridão e trazendo o toque do pai para junto de meu peito. Dedos como adagas, sopro como o hálito de um dragão; sua voz me perturba e atordoa. Pai.

Renasço do frio….


mar 5 2009

2009 – 2015

2015 parece um bom ano.
Mas para aqueles que amam a morte,
todo ano pode ser bom.


nov 18 2008

Sorrisos para Ela

Evitar pensar na morte parece ser o suficiente para evitá-la. É um pensamento comum nestes tempos. Não pense, não fale Nela, valha me Deus! Até prece que ela é atraída pelo simples mencionar de seu nome. › Continue lendo