fev 4 2011

Ó Noite

Quem dera ó noite você aqui,
Quem dera a noite você prá mim.
O sol nunca mais o céu raiar,
em dourado não mais traçar.

Quem dera ó lua teu toque frio,
encontrar-me sobre a mesa ébrio
a sorver da mágoa lentamente
o sangue, tão amargo aguardente.

Rasga-me a garganta, de afasia,
furta-me os versos, minha poesia
e deixa-me a cair.

Para o seio cálido da noite
onde enfim me faço amante
até a aurora surgir.


jul 9 2009

I’m losing

inspirado em Cardigans’ – My Favorite Game

Pegou o carro, o mustang velho de guerra com a lataria carcomida pela ferrugem e uma única calota restante. Acelerou; tanto quanto podia. Poeira e pequenas pedras do asfalto voavam para trás, para o passado. Á frente somente o negro do asfalto, o vermelho do deserto e o horizonte azulado.

Chegaria a tempo? Chegaria inteiro? Chegaria..?

Seu jogo favorito era lutar contra o tempo, contra as expectativas contrárias. Mas perdia. Sabia que lutava, perdia, e gostava. Um clube da luta, que nada, tornou-se membro exclusivo de um clube para os caídos. Mas agora, caindo ao horizonte só havia uma direção a tomar.

Para frente, para o horizonte. Para ela?

Conforme o sol descia ao horizonte e o azul se tornava negro, viu as lágrimas dela pontilhando o céu. O ponteiro do velocímetro continuava no máximo, mas o de combustível reduzia lentamente. Uma a uma apareciam em sua negra tez. Quis tocá-la, mas sua velocidade não era suficiente.

Ele nunca foi o suficiente para ela.

Manteve o pé firme no acelerador quando ela surgiu, de faróis altos e ofuscantes. Vinha do horizonte tão rapidamente que ele mal pôde abrir os braços para recebê-la. Ela o arrematou e jogou ao ar. Parecia voar, finalmente para os braços da Noite.