nov 10 2014

A Nova Queda

Para baixo é sempre mais fácil, é o que dizem , mas não é bem o que eu penso descendo por entre as escarpas. Todo o território é novo para mim, os corredores estreitos, a rocha afiada, o som do mar mais abaixo. As ondas rugem e quebram contra as paredes erguendo nuvens de gotículas frias. Apoio o pé firmemente no declive e dou um passo, mas o solado não suporta o chão molhado e escorrega, fazendo minha perna se perder no abismo. Busco apoio nas rochas, mas o limo só me faz deslizar mais. Sinto gelar o peito com a perspectiva da queda, sinto faltar o ar e o desespero tomar conta do meu ser. De um modo que eu não sei dizer ainda estou de pé, tremendo de frio e temor; pois mais passos se seguirão a este, e o chão continua descendo em direção a garganta, ainda mais liso e molhado…


jul 16 2014

Dreams


Glittering Heath I saw it all, gold lay beneath
And the Dragon did meet its bane and was slain and at Dawn at the
Valkyries hill, crossing the fire, acting her will
Was the slayer and how alive though it seems
I was there in my dreams

– Dreams, Týr


abr 29 2011

The Mighty Thor’s Soundtrack

Inspirada pela estréia do filme do
Deus do Trovão:


mar 9 2011

Obras em Vanaheim

Há um lar para os elfos chamado Vanaheim, o reino dos Vanir. É um lugar de prosperidade, de magia e beleza incrustado no seio verde de Asgard.

Por vezes mesmo os elfos precisam reconstruir suas moradas, expandir seu domínio e ocupar melhor os espaços. Fazem esta muda para que a prosperidade possa germinar ainda mais, amparada em sua dedicação e criatividade.

E é neste momento que os Æsir põe seus pés em Vanaheim, trazendo consigo martelos, trompas e seu notável vigor para o trabalho. Juntam-se as mãos e, mesmo que ao fim de uma era hajam cicatrizes e cansaço, o prêmio é imensurável.

Pois a palavra Vanir define a própria amizade.


fev 15 2011

O Corvo e o Lobo

Tive um pesadelo; nele o grande lobo era perseguido por um corvo que tinha em seus olhos a sabedoria de Odin. O lobo corria pela liberdade, mas a velocidade do pássaro suplantava seu vigor.

Em poucos instantes alcançou-o em um vôo rasante. Prendeu-se em seu pescoço com as garras afiadas e alçou a haste que brotava em seu peito. Em meu inconsciente o lobo tremeu pela sua liberdade. E revidou.

Abocanhou a asa da valquíria com rancor e ambos os animais se debateram em agonia. E então acordei suado, temendo o significado de minha visão…


fev 14 2011

Monstro Liberto

– Crônicas de Ethrü

Cacei-o por anos a fio; rastreei suas marcas e segui sua trilha de devastação até que um dia, sem menor aviso desapareceu. Não haviam mais pegadas pelos campos ou trilhas de sangue entre as árvores. Desapareceram os temores noturnos e as lendas deixaram de ser contadas a sussurros.

Soube então que outro caçador cruzara os campos de caça; empunhava a lança dos nórdicos e cavalgava um garanhão de pelagem branca; seus cabelos cinzentos eram emoldurados por asas de gaivotas. Uma mulher, uma valquíria. Levara o lobo dali e consigo minha liberdade presa ao peito do monstro.

Rumei para sua fortaleza e durante a noite tomei de assalto. Despindo-me da armadura e escudo saltei por sobre a muralha para o pátio interno. De imediato reconheci o ronco trovejante da criatura. Pé sobre pé rumei para ela com espada em punho movido pela ganância.

O prêmio deveria ser meu – pensei – e amaldiçoei a valquíria por tê-o tomado. Dividiria a caça com Jarl que depositara a maldição em seu peito, mas reclamaria para mim sua morte e faria de suas presas meu espólio.

Mas o monstro despertou com facilidade, como da vez anterior. A mesma astúcia e maleficência se denunciavam no rubor de seu olhar. Ergueu-se rapidamente mas foi detido por um pedaço de fita preso em seu pescoço. Ele testou o grilhão como deveria ter feito tantas vezes antes. Havia marcas de mordida na seda, mas nada fora capaz de destruí-la.

O braço esquerdo reclamou na presença da criatura e tive que consolar a espada em minha mão direita. Subi a lâmina sobre o tecido, rompendo-lhe as fibras tal qual rompia o destino traçado pelas Nornas. Por um momento pude ouvir as montanhas ruindo tão alto quanto o passo de um gato. Fazia parte de uma magia antiga, de deuses e anões e temi.

Temia pela fera agora liberta, que rapidamente saltou por sobre o portão e mais uma vez estava solta pelos campos. Distribuiria, sem distinção, fúria e selvageria sobre a terra, fazendo novos órfãos e viúvas. Mas apesar do meu pecado, teria de volta a esperança de liberdade, ou de morte.

– com base no Monstro Agrilhoado


nov 29 2005

Fenris

Estendeu para mim sua mão, calejada do trabalho, uma mão nobre, de um homem correto, integro, honrado. E eu a agarrei, porque precisava de ajuda para me erguer e galgar as escarpas rumo a superfície, o que era difícil e penoso. A mão amiga era tudo que eu tinha.

Agarrado com força eu a machuquei, senti o gosto do sangue descendo por entre as presas, era quente, suave e amargo. E ele sentiu a dor por aproximar-se a um monstro imundo e cruel. Assim eu era.

Assim que meus olhos avistaram os campos a volta senti o peso da confiança nos grilhões frios que me ataram ao pescoço. Numa corrente em aço enegrecido me prenderam, a uma grande rocha me ataram; de modo a vislumbrar toda a beleza da vida ao meu redor, tendo somente a rocha árida por lar.

E eu era assim, um monstro imundo e cruel, um Fenris agrilhoado…

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jun 20 2003

Brunhilda

Ó minha doce Brunhilda,
dama de incomparável beleza,
senhora de valentia incontestável
que tua mão erga-se altiva sobre a cabeça dos ímpios
e ofereça a Hel um tributo deleitoso.

Princesa das terras do norte,
de cabelos mais valiosos que o ouro
e olhos mais preciosos do que as esmeraldas,
que teu poder faça-se temer tua ira
e que todos clãs se curvem diante de tua presença.

Escolhida e destinada,
fostes tu a ser a nossa defensora,
nossa guardiã e valquíria.
Que nunca te traia teu coração e tua alma
e nunca te faltes a força e o aço.

Este servo, humilde Skirnir,
devota a ti toda a sua lealdade e apreço,
e dedica-te seu coração,
mesmo que este, inferior aos bersekers
jamais encontraria a graça de sua amada.

[Esta é dedicada a Greice, por povoar meus sonhos noturnos. Tentei fazer algo dentro dos padrões do Arcadismo/Romantismo, para variar um pouco.]

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jun 20 2003

Edda

Terminei a primeira parte do Edda. Ele está para a cultura nórdica como a Odisséia está para a cultura grega. Muito bom.
Ainda não consegui oranizar meus compromissos e minha cabeça dói um pouco. Estou tentando não deixar que isto afeste o meu humor. Ao menos na quarta-feira, durante a apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso do meu irmão eu consegui. A Júlia estava um doce e estando o toni bastante atarefado com cumprimentos e elogios dos professores, aproveitei para papear um pouco com a minha cunhada.
Adorei a nova versão do Sepulcro.

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jun 18 2003

never found one…

Se tudo correr bem, devo ler mais do que escrever para o Walhalla.
Estou passando por uma fase meio down novamente. Insegurança, baixa autoestima,… sei lá. Alguém notou? Obrigado.
Eu tenho um lado negro e amargo também, então tentem não se aproximar demais, não estou medindo o tamanho da lâmina ou a força dos golpes.

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